Cultura de faz de conta

Descaso do governo do Estado com a área cultural é destacado pelos servidores em greve

A lista, tratando dos graves problemas do setor de cultura do Estado, é tão grande que é quase impossível transcrevê-la aqui. Foi organizada pelos servidores em greve, inconformados com a situação de descalabro a que chegou o setor, um dos mais maltratados pelo governo do Estado, apesar de a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura administrar um fundo específico, mal utilizado em patrocínios questionáveis e que também custeia a própria manutenção administrativa da pasta. Alguns dos itens são de assombrar qualquer mortal. A reforma do CIC (Centro Integrado de Cultura), iniciada há mais de quatro anos, já consumiu mais de R$ 17 milhões. Os trabalhos não foram concluídos e, mesmo os terminados, já apresentam problemas sérios, indicando a má qualidade dos serviços. O prédio da Biblioteca Pública do Estado, que tem idade semelhante à do CIC (cerca de 35 anos), está inseguro e sucateado. O Memorial Cruz e Sousa, anexo ao Palácio Cruz e Sousa, é um acinte à memória do maior poeta catarinense de todos os tempos: inaugurado na gestão de Luiz Henrique da Silveira, nunca funcionou por causa de problemas estruturais. O Museu Etnográfico Casa dos Açores, em Biguaçu, está praticamente abandonado, sem qualquer tipo de cuidado por parte das autoridades do setor. O Teatro Álvaro de Carvalho está funcionando com 50% de sua capacidade, por causa de problemas estruturais. E por aí vai. Sem falar na ausência de uma política cultural, da ausência de comando na Fundação Catarinense de Cultura, nos salários defasados, na falta de pessoal e nos equívocos de toda ordem, cometidos pelos administradores da área que não tiveram qualquer relação com a cultura, apenas com seus interesses político-partidários.

Corporativismo 

“Os últimos governos não construíram uma política de Estado para a cultura em Santa Catarina, onde ainda impera o conservadorismo cultural, o assistencialismo corporativista, o fisiologismo partidário”. Trecho de manifesto dos servidores estaduais da cultura.

Cidadania

O Floripa Metal 2, que terá a banda Sepultura como atração no dia 9 de maio, dá um exemplo de organização e preocupação com a cidadania: para evitar muvuca de trânsito na SC-401, está oferecendo serviço de transporte por vans (sistema bate-volta), com saídas do Largo da Alfândega e do Banco do Brasil – trevo da UFSC. A produção espera que pelo menos a metade dos participantes, cerca de dois mil, utilize o sistema.

Muita teoria

O problema da mobilidade urbana em Florianópolis é estudado, pesquisado, analisado etc. Teoria é o que não falta. O colunista, assim como muitos amigos motoristas, quer é ver o poder público colocar a mão na massa para, pelo menos, melhorar esse caos nosso de todos os dias. Que tal comandos de trânsito, com guardas municipais e PMs em motocicletas, para disciplinar um pouco a situação nas piores ruas? Cadê a autoridade de trânsito na cidade?

Deboche

Sebastião dos Santos enviou extensa documentação à coluna para comprovar que a luta pela área pública de Canasvieiras – onde seria o Terminal Turístico – é antiga, vem de 2003. O pior de tudo é que a manda-chuva do lugar se apossou do terreno público e agora, para sair, pasmem: terá que ser indenizada pela prefeitura.

Esmola demais

Os estelionatários presos pela polícia catarinense na terça-feira (1), em Florianópolis, não são os únicos que agem na região. Já fui abordado por outros dois lusitanos, um no estacionamento de um shopping e outro no estacionamento de um supermercado em Capoeiras. Sempre bem vestidos, de conversa fácil, oferecem mercadorias finas – falsificadas – por preços irresistíveis.

Renatão

O delegado Renato Hendges recebeu na quarta (2), do governador Raimundo Colombo, a maior comenda catarinense, a Medalha Anita Garibaldi. Com 48 anos de serviço público, Renatão, como é conhecido, notabilizou-se por ações bem-sucedidas contra o crime organizado, em especial sequestros cinematográficos. Ingressou na polícia como comissário, e há meses luta contra um câncer.

Absurdo

Mesmo após decisão da Justiça no sentido da obrigação legal de atender os advogados que necessitam contato com os reclusos, o DEAP se nega a cumprir determinação judicial. Segundo o advogado Alexandre Neuber, “a atitude é ilegal e atenta contra princípios básicos da legislação penal e da administração pública”. O advogado já comunicou o fato à OAB e espera o cumprimento da ordem, sob pena de R$ 30 mil de multa ao dia. 

Livro Aberto

No próximo dia 10, estreia na TV UFSC o programa Livro Aberto, dedicado ao catálogo da Editora da UFSC. Os primeiros entrevistados foram o embaixador Bernardo Brito, autor de “Iraque: dos primórdios à procura de um destino”, e a professora Ione Valle, tradutora de “Homo Academicus” e “Os Herdeiros”, do sociólogo francês Pierre Bordieu. Livro Aberto será exibido sempre às quintas, às 19h30min, e aos sábados, às 15h30min.

Habitação social

Secretário da Habitação de Florianópolis, Rafael Hahne, visitou a fábrica da Fischer, em Brusque, acompanhado por uma equipe da Caixa Econômica Federal. “Além das casas modulares, 44 no Maciço do Morro da Cruz e 20 em parceria com a Secretaria de Estado da Defesa Civil, a Fischer está finalizando o projeto de Edifícios Modulares, na minha visão uma alternativa tecnológica para essa grande demanda por habitação em Florianópolis”, explica.

Divulgação Gabriel Cañas

Praia viva

A região da antiga Praia de Fora foi palco da intervenção Praia do Centro, do estudante de arquitetura da UFSC Eduardo Piovesan. A ideia era instigar uma reflexão sobre a relação do mar com o Centro e faz parte do trabalho de conclusão de curso do aluno, que propõe espaços de lazer para a região. Quem passou pelo local elogiou o projeto, mostrando que boas ideias e soluções para o espaço são bem-vindas. 

Divulgação/ND

Descaso

Na esquina das Ruas Jau Guedes da Fonseca e João Roberto Sanford, em Coqueiros, há uma nesga de terreno que, segundo se comenta no bairro, um morador lindeiro pretendia trocar com a prefeitura com o recuo de parte do seu muro. Depois de mais de dez anos de negociação, a PMF mandou uns trabalhadores, derrubaram um tapume de madeira que protegia o terreno e não negociou mais. Agora a área está como mostra a fotos, tomada de mato e lixo, até invadindo a calçada, que já é estreita.

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