Da grande área para a sala de aula

Bola e jaleco. Tonello passou de reserva de Ronaldo Fenômeno a professor titular da Católica

Rogerio da Silva/ND

Entre os livros. Neste semestre, Antonio José dá aulas de metodologia científica na faculdade de biomedicina; no próximo, assume as cátedras de bioética e ecologia, na Católica

A trajetória de Antonio José Tonello Junior começou no meio de campo do Coritiba, foi para o ataque, passou pela Seleção Brasileira sub-17 e hoje contempla salas de aula e de pesquisa da Universidade Católica do Paraná, onde é professor. Fascinado pela ciência, fez doutorado na Itália e garante estar satisfeito por ter trocado as chuteiras pelo jaleco de professor: “O futebol me deu alegrias e decepções, mas a pesquisa científica é algo mais concreto, onde é possível planejar a trajetória”, diz Tonello, que nesta semana troca as instalações do ex-Shopping América pelo campus inaugurado sexta-feira na antiga fábrica da Wetzel.
Nascido em Rio do Sul em 1976, Tonello foi criado em Curitiba. O DNA esportivo estava no sangue: “Meu pai chegou a jogar pelo Fluminense, como amador, e minha mãe era atleta. Com o incentivo deles, comecei a praticar ginástica olímpica”. Hiperativo, o garoto dissipava o excesso de energia no esporte. Seu biotipo, porém, acabou levando-o para o futebol de salão, mais apropriado para o físico baixo e entroncado. “Comecei no futsal com 10 anos, no time da AABB. Três anos depois, passando por um campo, aceitei o convite para participar de uma pelada. Foi quando troquei a quadra pelo campo.” Naquele dia o professor Miro, olheiro do Coritiba, estava ali e percebeu o potencial do jovem, levando-o para o Alto da Glória. Nos treinos, Miro sentiu que o faro de gol do meio-campista seria melhor aproveitado no ataque, e Tonello ganhou a camisa 9. “Um dos colegas de time era meu amigo Alex, que depois fez sucesso no próprio Coxa, no Palmeiras e no Cruzeiro, e hoje joga na Turquia. Em 1993, ambos chegamos à Seleção sub-17 que iria disputar o Sul-Americano na Colômbia, mas fui cortado antes do embarque.” A concorrência não era mole: o centroavante titular era simplesmente um jovem chamado Ronaldo, atleta do São Cristóvão que depois foi para o Cruzeiro e se consagrou na Europa como o Fenômeno.
Tonello profissionalizou-se em 1994, jogou nos aspirantes do Coritiba – onde ganhou o apelido de Touro – e quase abandonou a carreira quando precisou fazer uma cirurgia devido a um problema na coluna, agravado por uma contusão no campo. No retorno passou pelo Velo Clube de Rio Claro, pelo Ipiranga de Erexim, pela Ponte Preta de Campinas e pelo Avaí, onde encerrou a carreira em 1997. “No período após a cirurgia, imobilizado, pude refletir muito sobre a vida, li bastante e tudo isso me ajudou quando decidi pendurar as chuteiras e tentar outra profissão.” 

Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Promessas do futebol. A equipe sub-17 de 1992 (Tonello e Alex à direita, agachados) com os técnicos Carlos Alberto Parreira e Zagalo

“No período após a cirurgia, imobilizado, pude refletir muito sobre a vida, li bastante e tudo isso me ajudou quando decidi pendurar as chuteiras e tentar outra profissão.”

Sai Touro, entra o professor Tonello
Em 1998, Antonio Tonello Junior se tornava calouro na Univille, no curso de biologia. Durante o curso, o orçamento era engordado pelo cargo de professor nos colégios Nova Era e Bom Jesus.
Formado em 2002, foi aluno ouvinte de mestrado na UFSC e depois foi para a Itália fazer o doutorado, sonhando com o trabalho de pesquisa em alguma universidade. “Daquela época, tenho muita gratidão pela doutora Marta, coordenadora do curso de biologia da Univille, e pela minha então noiva Débora, que muito me apoiaram.” Neste ponto, a emoção fala alto, quando Tonello lembra que a noiva faleceu poucos dias antes do casamento.
Da adversidade veio o impulso para que o ex-centroavante mergulhasse na profissão, dando aulas em cursos de pós-graduação, até ser contratado pela Católica no final do ano passado. Neste primeiro semestre, está dando aulas de metodologia científica na faculdade de biomedicina; no próximo, assume as cátedras de bioética e ecologia. No pouco tempo livre disponível, algumas peladas esporádicas, para não perder o jeito e relembrar os tempos do Touro Tonello.

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