Das LETRAS

Filho de agricultores do interior do Rio Grande do Sul, Silvio Melatti militou na até até optar pela coordenação do curso do no Ielusc.

Marcelo Caetano/arquivo ND/2011

Em casa. Um livro sobre guerra, que ganhou quando cursava no ensino fundamental, foi o pontapé para a formação de uma respeitada biblioteca particular

Realmente, a importância de todos os fatos, experiências e acontecimentos no decorrer de nossas infâncias foram determinantes na formação da personalidade e na formação do caráter de cada um de nós. Primogênito de uma família com cinco irmãos, ainda garoto Silvio Melatti descobriu a leitura muito cedo. “Eu lia tudo o que chegava às minhas mãos. Morando no interior do Rio Grande do Sul, era difícil aparecer alguma novidade. Minha cidade não tinha banca de jornal ou revistaria. Quando os parentes que moravam em Porto Alegre vinham nos visitar, traziam jornais e revistas velhas com eles. Eu queria saber o que acontecia pelo mundo”.

A vida de Melatti e de seus irmãos não era nada fácil e típica da região naquele período. Seu pai era proprietário de uma lavoura de fumo, de onde extraia os recursos para a manutenção da família, complementada com pequena agricultura de subsistência. Outra paixão era o pequeno rádio de pilha, ligado permanentemente na Rádio Guaíba, que transmitia notícias “24 horas por dia”, segundo observa Melatti.

Foi por meio do “companheiro inseparável” que ele acompanhava os assuntos emblemáticos que dominavam os anos 1960 e 70, como a Guerra dos Seis Dias (conflito armado que opôs Israel a uma frente de países árabes – Egito, Jordânia e Síria, apoiados pelo Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão, em 1967), a Guerra do Vietnan e o impeachment do ex-presidente americano, Richard Nixon. O dia a dia era dividido entre suas responsabilidades na lavoura, os estudos e, nas horas disponíveis, à leitura e ao noticiário da Guaíba.

Outro interesse, quase uma fixação, eram os livros, sempre raros por lá. Melatti recorda que uma colega de escola – ele cursava o ginasial – disse-lhe que tinha um livro sem nenhuma utilidade em casa, e que não lembrava o título. Disse também, caso ele desejasse, traria o livro no dia seguinte; fato com o qual ele concordou rapidamente. Era um livro sobre guerra, da renomada Biblioteca do Exército Editora, que até hoje produz livros sobre o tema. Complexo, através dele Melatti fora apresentado para uma literatura inda desconhecida: a da guerra. “Tenho que admitir que aprendi muito com aquele livro.”

“A ida para o Ielusc foi muito importante e cresci muito em conhecimento e experiência. É uma casa onde tenho muitos amigos. Por outro lado não dá para esquecer a redação de um jornal, onde tudo é simplesmente emocionante.”

 


Ainda estudante, já estava na redação

A ciranda do tempo não parava, e tão pouco a vontade de saber mais e mais. “Era natural que o primogênito assumisse o lugar do pai, era esperado. Mas eu tinha outros planos”. Já em fase pré-vestibular, ele resolveu fazer um teste vocacional que indicaria o curso mais adequado a seguir. Ele sentiu que a coisa fora meio manipula, pois o resultado dera engenharia mecânica, segundo palavras do monitor. Inconformado, pois números, regras, e contas não lhe agradavam, disse ao monitor que prestaria para jornalismo, ao que ele ouviu como resposta: jornalismo não é profissão.

Indignado, não teve qualquer problema na decisão e prestou vestibular na PUC/RS. “Jornalismo, sem dúvida nenhuma!” Silvio Melatti exerceu a “nobre profissão” durante 20 anos em Porto Alegre. Ainda no segundo ano do curso, ingressou no Correio do Povo como revisor de fechamento e nunca mais parou. Depois, em 1994, passou a atuar na imprensa catarinense.

Em 2001, mais uma experiência gratificante. Convidado, passou a dar aulas no curso de jornalismo do Ielusc, inicialmente, aos sábados. Em 2009, outra complicada decisão para o professor Melatti: deixar a carreira em jornal para assumir a coordenação do curso de jornalismo na instituição de forma definitiva. “Foi uma decisão muito difícil, senão a mais dolorida A ida para o Ielusc foi muito importante e cresci muito em conhecimento e experiência. É uma casa onde tenho muitos amigos. Por outro lado não dá para esquecer a redação de um jornal, onde tudo é simplesmente emocionante.”

Como ele mesmo se diz “notívago”, aproveita os momentos no lar para dedicar-se a sua biblioteca e à leitura. Também confessa que sente saudades de “ser pautado” e ir para as ruas. Quanto ao futuro, depois da aposentadoria, pretende passar mais tempo na biblioteca e à produção de um livro/reportagem. A pergunta que fica é simples: como tudo isso começou? Foi por causa de uma imensa paixão pela leitura, ainda criança.

Acesse e receba notícias de Joinville e região pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Notícias