Debate sobre a invasão

Maioria dos leitores que opinaram é favorável a uma intervenção imediata na chamada Ocupação Amarildo Souza, na verdade uma invasão, em Ratones

Muitos leitores opinaram sobre a nota de abertura da coluna de quarta (15), em que abordei os perigos da ocupação – na verdade, invasão de um terreno privado – no Norte da Ilha de Santa Catarina. Selecionei algumas dessas considerações.

Marco Santiago/ND

— Passei ontem (terça) lá, já há mais de 50 barracos de bambu. Para sair eles vão querer que a prefeitura de local construa para eles; enquanto isso, nós trabalhadores e pagadores de todos os impostos, somos penalizados sempre. Será que a prefeitura ainda “não sabe” o que está acontecendo, vai esperar até quando para tomar atitudes?

(Maria Helena)

— Cadê a Floram? A Fatma? O ICMBio? Construções irregulares em cima do Rio Ratones. Não falo de “invasão” de APP e sim da propriedade privada mesmo. É preciso tomar cuidado nesta questão das APPs, pois tem muito achismo, ideologia e pouca análise técnica: ambiental e jurídica.

(Ernesto São Thiago)

— Invasão e ocupação irregular é anarquia. Ponto. Mas está longe de ser exclusividade de pobre e miserável!

(Rodrigo Herd)

— Passo quase diariamente em frente à ocupação e sinto falta de uma discussão sobre ela. Teu texto foi o primeiro que li a respeito.

(Maria Lilex)

— Quer um belo exemplo: Favela do Siri. Vejam os morros da Baía Sul, totalmente tomados por construções irregulares. A polêmica dos beach clubs em Jurerê, e assim vai. Tudo irregular. Agora mais uma invasão na SC-401.

(Jorge Peres)

— Nada de esquerda e nada de direita: o tempo disto já foi. Hoje estão todos juntos repartindo o bolo. Demagogia e populismo. Não existe mais esquerda nem direita, mas só um grande centro de trocas.

(Conceição Nilson)

— São quantas famílias? Chega a 100? Em São Paulo, em menos de um mês, oito mil famílias ocuparam um terreno. É chamada de Nova Palestina! A de Florianópolis já tem nome? Poderia ser Nova Faixa de Gaza, pois a briga para tirar eles será grande!

(Thiago Paulo)

— Poucos (os que se interessam em vir para Florianópolis) falam das belezas, falam mesmo é da riqueza (mesmo que falsa). A cidade tem diversos bolsões de pobreza; gestão após gestão, fizeramo quê? Escondem das propagandas ou mesmo isolam. Não esqueçam da favela da via Expressa que foi jogada e acabou fundando a Vila União – Norte da Ilha.

(Carlão Wendt)

— Pelo amor de Deus, Damião! O juiz precisa decidir logo a reintegração de posse. Os barracos estão aumentando todos os dias. Está cheio de carros lá. Que vendam as fubicas e comprem uma casinha onde der. Invadir terra alheia é coisa de bandido.

(Rose Bordignon)

— Viste o motivo da “não reintegração”? Tem índio no meio e por isso travou tudo… Eles sabiam como fazer a coisa!

(Simone Zanella)

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Água

“Numa privatização do fornecimento da água em uma cidade, quem ganha?”. Sábio questionamento de Rosângela Morais da Rosa, no Facebook.

Castigo

Élcio Silva vive uma situação kafkiana. Transferiu sua empresa de São José para Florianópolis. Alugou uma sala e vem tentando, há um ano e meio, obter o alvará de licença. Não liberam o documento porque o prédio, construído com permissão da prefeitura, não tem habite-se. Depois de tanto reclamar, o empresário teve uma surpresa: a fiscalização da prefeitura apareceu para multá-lo, quando na verdade a multa deveria ser aplicada ao construtor do prédio.

Pendura

Não chega a ser muita novidade, mas cresce muito no mercado imobiliário o parcelamento de locação de temporada em até três vezes no cartão de crédito. Para ver como é caro alugar um imóvel de praia em Florianópolis.

O nível

Passei na quarta (15) pelo Museu Victor Meirelles, na rua de mesmo nome. Não havia um mísero turista visitando o belo espaço cultural. O que nos leva a crer que o tipo de turista que vem a Florianópolis não é mesmo muito ligado em outra coisa que não seja praia, engarrafamento e shopping.

Paranoia

Espalha-se pela Capital uma imensa paranoia em relação ao Carnaval, quanto a, de novo, faltar água em alguns pontos da cidade. Nem o Ronaldo Coutinho, nosso meteorologista mais credenciado, é capaz de prever a repetição do calor ocorrido na última semana de 2013, que incrementou o consumo de água. E é quase certo que Florianópolis não receberá a mesma quantidade de turistas que recebeu para o Réveillon, disparada a nossa maior festa.

Recurso

Amigo da coluna comprou um terreno no Campeche, há anos, pagando em suadas prestações e pensando em, no futuro, construir no lote uma modesta casinha de veraneio. Pois ao consultar o código do imóvel na prefeitura, descobriu que vai pagar 80% a mais de IPTU. Procurou o Pró-Cidadão e recebeu a seguinte resposta: “Terreno sem casa é especulação”. Vai discutir o caso na Justiça.

O motivo

Até a noite de quarta (15) não havia notícias de recursos à Justiça por parte de associações de moradores de Florianópolis. As cinco entidades que ingressaram com ações contestando o aumento do IPTU são ligadas a segmentos empresariais. Representando o Sinduscon, Hélio Bairros disse à coluna que o recurso é fundamentado na “falta de transparência e na falta de discussão do reajuste com a sociedade”.

O voto

“Sou leitor de sua coluna e quando observo a postura de certos ou quase todos os políticos do Brasil tenho a certeza que eles trabalham contra o povo. Já não bastasse ter que pagar o infame IPTU, um dos impostos mais vergonhosos, tenho que conviver com este aumento abusivo e da falta de tato político. Espero que os eleitores na hora da urna lembrem quem lhes deu este presente”. Do leitor Carlos Neri de Freitas.

Trem português

Para narrar o episódio da Revolução dos Cravos, ocorrida em Portugal há quase 40 anos (25 de abril de 1974), o filme “Trem Noturno para Lisboa” conta a história de um professor que se encanta por um livro raro. Em busca do autor do livro, o solitário homem – protagonizado por Jeremy Irons – se depara com traições e heroísmos ao longo do caminho. Em cartaz a partir desta sexta (17), no Paradigma Cine Arte.

Divulgação

Turismo

Modelo turístico

Cientista social Elaine Otto pergunta se um eventual “novo modelo de turismo” para Florianópolis vai incluir a relação turismo/turista com a população da cidade. “Haverá envolvimento do povo suado nesse novo pensar, aquecendo a discussão fora de ambientes climatizados? Quem pensa turismo já visitou o Ticen para verificar que a palavra ‘aeroporto’ não aparece e que se você pede orientação a resposta é perfeita: ‘Corredor Sudoeste’”. 

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