Dedicação à ENFERMAGEM

Desafio. Lenir Corso Krutul trabalhou na criação do curso no Bom Jesus/Ielusc quando a graduação só existia em outras cinco cidade

Rogerio Souza Jr/ND

Orgulho. Em 15 anos, mais de 300 profissionais foram formados no curso idealizado e estruturado por Lenir

Lenir Corso Krutul, professora e uma das fundadoras do curso de enfermagem do Bom Jesus/Ielusc em 1997, lembra que na ocasião “existiam apenas cinco cursos de graduação em enfermagem no Estado: em Florianópolis, em Tubarão, em Concórdia, em Itajaí e o de Joinville. Atualmente, são 27 cadastrados no Coren-SC”. Professora Lenir pertence a uma geração de mestres que passaram por uma excelente formação, do curso primário ao superior. “Não era fácil não, e cada uma de nós tinha que correr atrás e buscar o conhecimento por meio da pesquisa.”
Natural de Ijuí, nasceu na “linha 8, Oeste” (demarcações que foram comuns no Estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de assinalar uma ou mais corrente de imigrantes, presentes numa determinada área; no caso da “linha 8, Oeste”, composta por alemães, russos e alguns espanhóis, no quadrante de abrangência do município). O processo inicial de alfabetização teve início numa das escolas municipais da zona rural, chamadas de multi-classes, pois nelas havia alunos da 1ª a 4ª séries do fundamental, na mesma classe. Em seguida veio o ginásio industrial, em período integral, e o curso científico, feito na primeira turma de uma escola pública da região que oferecia duas opções: o antigo científico, para a área de exatas; e o clássico, para a área de humanas.
O curso superior foi feito na Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora Medianeira, com alguns diferenciais de muita importância. “Foi de grande valia a influência dos freis capuchinhos na instituição, principalmente na formação, pois tínhamos aulas de filosofia e sociologia, ao contrário da formação tecnicista que dominava aquele período de nossa história. O currículo era complementado com aulas de introdução à saúde pública e de saúde coletiva.”
O tripé de qualificação da professora Lenir foi formado a partir do “conhecimento, da prática e da desenvoltura”, sendo que essa última foi auxiliada pela disposição em inovar. Por essa razão, em 1976 ela mudou-se para São Paulo, onde trabalhou nos hospitais São Camilo e Samaritano. Ao mesmo tempo, concluiu o curso de licenciatura na PUC-SP, e coordenou unidades de internação e UTI de cirurgia cardíaca. Convidada, retornou para Ijuí mas, devido a uma transferência do marido para Santa Catarina, instala-se em Joinvile, onde atuava na Pastoral da Saúde.
A virada ocorreu em 1995, quando foi convidada pelo professor Silvio Bertoldi a ingressar na instituição e ajudar na criação do curso de enfermagem. Sua experiência e formação foram vitais nesse complicado processo, desde a elaboração da grade curricular, montagem de laboratório ao convite e seleção de professores. Durante 15 anos, comemorados em 2012, foram formadas 11 turmas e mais de 320 profissionais absorvidos pelos hospitais de Joinville e região.

Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Carreira. Dois momentos da formatura na Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora Medianeira

 

“Não era fácil não, e cada uma de nós tinha que correr atrás e buscar o conhecimento por meio da pesquisa.”

 

Evolução da profissão
Até o advento do século 19, as condições de higiene e saúde no mundo eram precárias. Seria necessário um “divisor de águas”. Em 1822, nasceu na Inglaterra a menina Florence Nightingale, de tradicional família vitoriana. Precoce, Florence iniciou seus estudos muito cedo com interesse pelas ciências e filosofia. De família rica, não era extravagante e pouco ostentava a sua riqueza. O sofrimento alheio e a pobreza a incomodava e muito cedo passou a ajudar qualquer pessoa em necessidade.
Para o desespero de família, ela começara a ajudar pessoas doentes e, em 1854, com a eclosão da Guerra da Criméia, alistou-se no exército inglês para servir no atendimento aos soldados feridos. No campo de batalha sua preocupação, antes do cuidado, era com a higiene e a limpeza dos ferimentos e das vítimas. Com isso era dado um pouco mais de conforto aos feridos com significativa melhora na recuperação. Durante a noite, Florence era vista percorrendo as unidades de tratamento, munida de uma pequena lamparina a óleo para iluminar as pessoas.
Terminada a guerra, Florence retornou para Inglaterra, sendo a primeira mulher na história a receber do rei Eduardo 3º a Medalha de Honra ao Mérito pelos serviços prestados. Durante a sua vida publicou 147 livros e é considerada “a mãe da enfermagem mundial”.
No Brasil, a pioneira da enfermagem foi Ana Justina Ferreira Neri.

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