Defensores do patrimônio histórico comemoram decisão sobre casarão demolido em São José

O MPSC orientou ao poder judiciário que seja construído um memorial além de multa de R$ 500 mil

Foto Marcelo Bittencourt/ND

O casarão foi demolido ilegalmente durante um final de semana de agosto de 2010

As sugestões do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) ao poder Judiciário de penalidades ao ex e atuais proprietários do terreno no bairro Praia Comprida, em São José, onde foi demolido um casarão do século XIX, animaram historiadores e defensores do patrimônio histórico da Grande Florianópolis. Além do pagamento de R$ 500 mil ao FRLB (Fundo para a Reconstrução de Bens Lesados do Estado), o MPSC orientou o judiciário que seja construído um memorial púbico dotado de uma arquitetura semelhante ao casarão demolido. Ainda não foi divulgado um prazo para que o judiciário dê sua resposta.

Historiador e natural de São José, Celso de Souza, comemora a ação do Ministério Público. “Tínhamos muito medo que esse caso ficasse esquecido”, declara Celso. Como historiador, ele acredita que o valor sugerido como pagamento ao FRLB deveria ser investido no patrimônio josefense. “É claro que nenhum dinheiro vai compensar o valor histórico daquele casarão, mas acredito que podemos utilizar essa quantia como forma de preservar o que temos”, enfatiza.

Para o historiador, essa ocorrência deve ficar como alerta para que novos casos não ocorram. “Creio que se a justiça realmente exigir todos esses pontos sugeridos pelo Ministério Público, isso vá inibir que novos patrimônios venham abaixo”, avalia.

Lembre o caso

O casarão, construído em meados do século 19, foi demolido no final de semana do dia 21 de agosto de 2010. A ação foi percebida pelas autoridades apenas na outra semana, quando no lugar do casarão, ficaram apenas entulhos.

A construção foi tombada através do decreto 18.705/2005 pelo patrimônio histórico de São José. O casarão foi erguido, na época, para servir como depósito para agricultores e comerciantes que vinham do interior de São José e transportavam suas mercadorias ao Mercado Público, na capital, afinal na época não existiam as pontes de ligação ilha-continente. 

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