Defesa Civil interdita prédio após explosão de tubulação de gás

Condomínio foi entregue há apenas duas semanas e na quarta-feira Bloco 5 foi atingido por explosão

Divulgação/ND

Interior do apartamento do térreo ficou destruído. Piso ficou revirado e parte do concreto bateu no teto

O desastre parecia anunciado, quando na terça-feira o cheiro de gás incomodava os moradores do residencial Solar dos Araçás, inaugurado há apenas duas semanas no bairro São Sebastião, em Palhoça. Ontem pela manhã veio o acidente. Uma explosão destruiu o hall de entrada e um dos 16 apartamentos do Bloco 5 e assustou os moradores do condomínio. O local foi preventivamente interditado pela Defesa Civil de Palhoça, que constatou abalos na estrutura do prédio.

Das seis famílias que habitam o local atingido, duas foram removidas pela construtora. Automóveis que estavam estacionados ao lado do edifício foram danificados. Apesar do susto não houve feridos. “Acredito que em uma semana entregaremos o local com as devidos reparos”, afirmou João Batista, um dos responsáveis pelo empreendimento, garantindo que a estrutura não foi abalada. Batista acredita que o trabalho mais demorado será a pintura do bloco. “Ao todo cinco pessoas foram realocadas. As demais ficarão no prédio”, disse.

Divulgação

Marcas da destruição no hall de entrada do Bloco 5

O impacto da explosão foi sentido a mais de 100 metros de distância. “Desmaiei quando ouvi o estrondo”, relatou a artesã Maria Fernandes, 43 anos, que horas após o ocorrido ainda tremia. A moradora do Bloco 8 lamentou o acidente, agradecendo pelo fato de ninguém ter-se ferido.

Abatida com a desagradável surpresa a auxiliar administrativa Zulma Tomaz, 53, parecia não acreditar no que via ao chegar na sua casa. Depois de sair para o trabalho pela manhã ela não imaginava que receberia um telefonema com uma notícia tão ruim. “Moro com minhas duas filhas. Ao menos não tinha ninguém em casa”, disse a moradora do apartamento 306. Zulma foi acolhida por familiares que moram no Bloco 4, ao lado do local da explosão. Durante a tarde a moradora recolheu seus pertences pessoais. “Compramos um apartamento para pagar pelo resto da vida. Vida que quase perdemos por uma falha de instalação”, critica.

Janine Turco/ND

À tarde, funcionários da construtora taparam a frente do prédio

Vizinho diz que construção do condomínio foi muito rápida

O pedreiro Dirce Beal, 36, mora ao lado do empreendimento que tem oito blocos de 26 apartamentos de 45 metros quadrados cada.  “Eu vi que eles não construíram colunas. São somente lajes e blocos de concreto”, denunciou, sobre a obra que levou 14 meses para ser concluída. O profissional da construção civil lembrou que o lado direito do condomínio caiu por três vezes. “Devido a quedas é que o muro está com essas emendas”, disse, apontando para o risco a que estão expostas as mais de 90 crianças que são atendidas na creche do bairro São Sebastião, situada próxima ao local da explosão.

Janine Turco/ND

Moradores passaram o dia carregando a mudança

“Foi pouca coisa”, disse o encarregado pela obra

Após a interdição do bloco pela Defesa Civil de Palhoça, trabalhadores da Vita, responsável pela construção, cobriram o local com tapumes. O encarregado pela obra, Arlei Gonlçalves, negou que a explosão tivesse danificado a estrutura do prédio. “Foi pouca coisa. Soltaram alguns pisos e danificou uma porta”, contou, apesar das imagens de destruição flagradas.

A moradora do Bloco 4, Aline Bittencourt, 20, desmentiu a afirmação de Arlei. “Pensei que fosse um terremoto. Eles (os engenheiros) querem esconder o tamanho do estrago”, disparou.  Aline lembrou que na terça-feira os moradores reclamaram do cheiro de gás pelo condomínio. “Estou com medo de morar aqui. Como pode um acidente desses em uma obra entregue há 15 dias?”, indagou.

Divulgação

Apartamento ficou parcialmente destruído com a explosão
+

Notícias