Denúncias de maus-tratos a animais crescem 639% em Florianópolis

Maioria das ocorrências recebidas envolve animais subnutridos, que vivem acorrentados e a falta de limpeza nos locais onde são abrigados

A Capital de Santa Catarina obteve um avanço nos últimos três anos, no que diz respeito às denúncias de maus-tratos a animais. Até dezembro de 2019 foram 1064 denúncias atendidas. Em 2017 e 2018, foram 144 e 330, respectivamente, o que representa aumento de 639%.

Dibea recebeu 1064 denúncias de maus-tratos em 2019  – Foto: Reprodução/Facebook/ND

Segundo Marcelo Dutra Cunha, gerente da Dibea (Diretoria de Bem-Estar Animal), da Prefeitura de Florianópolis, o crescimento no índice se deu por causa da maior popularidade da instituição e a reestruturação da equipe.

Com isso, foi possível atender mais denúncias, inclusive pendentes de anos anteriores. Com capacitação e mais profissionais, houve, consequentemente, maior agilidade na averiguação das ocorrências.

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Maus-tratos

A Lei 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais) prevê os maus-tratos como crime sujeito a aplicação de penas. O registro denuncia a prática de ato de abuso, maus-tratos, ferimentos propositais ou mutilação de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Conforme o gerente da Dibea, a maioria das denúncias recebidas envolve animais subnutridos, que vivem acorrentados e a falta de limpeza nos locais onde são abrigados.

Como denunciar

A Dibea orienta que, em caso de flagrante ou emergência, quando a vida do animal está em risco, a testemunha deve acionar a Polícia Militar pelo número 190.

Gato atropelado foi acolhido e recebeu atendimento veterinário na Dibea  – Foto: Reprodução/Facebook/ND

A denúncia também poderá ser realizada na Delegacia de Polícia Civil, por meio de um Boletim de Ocorrência presencial ou online ou pelo Disque Denúncia, 181. Em Florianópolis, o denunciante deve levar ou enviar por e-mail o B.O. e anexar fotos e vídeos que comprovem a denúncia. O e-mail para envio do arquivo é coobea.pmf@gmail.com.

Marcelo Dutra destaca que a declaração deve ser detalhada e conter o endereço completo do local da ocorrência – com ponto de referência – e as características do animal. Todas as denúncias são analisadas in loco conforme a prioridade.

Resgates

Florianópolis resgatou 227 animais em 2017, 250 em 2018 e 382 em 2019. Marcelo avalia que esse aumento foi em decorrência das mudanças na equipe. A Dibea tem capacidade para abrigar 140 animais na sede localizada na SC-401, no Itacorubi.

Marcelo revela que as vias mais movimentadas, com maior tráfego de veículos, como as SCs , são as regiões onde há mais resgates, pois os animais são abandonados na marginal. Ele destaca que a Dibea não recolhe animais abandonados, mas sim, atropelados ou em condições graves.

A maioria dos animais resgatados são cães adultos. Com a aproximação da temporada de verão, os casos de abandono se tornam mais frequentes, uma vez que as famílias viajam ou alugam as residências para pessoas de fora.

Adoções  

Outro ponto que registrou aumento nos últimos três anos está relacionado às adoções. Em 2019 foram 385, contra 201 em 2018, e 173 em 2017.

Campanhas publicitárias e presença nas redes sociais tem aumentado o número de adoções – Foto: Reprodução/Facebook/ND

Para o gerente da Dibea, campanhas publicitárias e a presença da instituição nas redes sociais expandiu a divulgação dos animais abrigados e facilitou o contato com o público.

“É um trabalho de longo prazo. Com campanhas, visitas nas escolas, aos poucos, vamos conscientizando a população cda vez mais”, diz Marcelo.

A maior parte das adoções são de cães fêmeas filhotes. Os animais idosos ou com algum tipo de deficiência são os que mais enfretam dificuldade de serem adotados.

Castrações

A Dibea realizou 4.032 castrações em 2019. Em 2018 foram 4.532 em 2017, 3.664. Marcelo atribui essa média à mudança de comportamento dos tutores.

Segundo ele, no início dos anos 2000 o poder público tinha que reforçar a importância da castração. Hoje em dia, os próprios donos de animais procuram o serviço na Dibea.

Quem tem interesse em castrar o pet deve se inscrever na Diretoria e levar o comprovante de residência no nome do tutor, a carteira de identidade e agendar a data do procedimento.

Campanhas publicitárias ampliaram a visibilidade da instituição – Foto: Reprodução/Facebook/ND

A castração pode ser feita em filhotes a partir dos seis meses. Já os animais com mais de oito ou nove anos devem passar por avaliação médica.

“A castração é um evento único. Serve tanto para evitar a proliferação indesejada dos animais, quanto das zoonoses. Também previne doenças como câncer de mama e próstata, além de evitar as fugas, pois o animal tende a ficar mais calmo”, afirma Marcelo.

No mês de março, a Dibea pretende realizar um mutirão de castração no Maciço do Morro da Cruz, na região central de Florianópolis. A expectativa é castrar cerca de 3 mil animais.

Atendimento veterinário

Os atendimentos médicos veterinários gratuitos disponibilizados pela Dibea também registraram uma diminuição. Foram 2462 atendimentos em 2019, 3031 em 2018 e 1995, em 2017.

Marcelo explica que o cuidado com a saúde do animal é de responsabilidade do tutor. A Dibea oferece o serviço como forma de auxiliar os donos de animais que ganham até três salários mínimos.

Atendimento veterinário – Foto: Reprodução/Facebook/ND

O atendimento ocorre de segunda à sexta-feira, pela manhã, e a partir das 8h são distribuídas dez senhas.

Para ter acesso ao serviço o tutor precisa levar um comprovante de renda, comprovante de residência e a carteira de identidade. A ideia, segundo Marcelo, é ampliar o atendimento no futuro.

A Dibea tem passado, recentemente, por reformas que visam o melhor acesso aos canis, a regularização da rede esgoto, a construção de áreas livres para os animais, entre outros.

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