Depois de exonerar pesquisador, governo anuncia militar como diretor interino do Inpe

Atualizado

O ministro da MCTIC (Ciência, Tecnologia e Inovação), Marcos Pontes, anunciou hoje (5) Darcton Policarpo Damião para ocupar interinamente a diretoria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“Ele é doutor na área de desmatamento, tem passagem pelo Inpe, é uma pessoa de confiança e tem capacidade de gestão. Será um ótimo diretor interino para dar continuidade nesse trabalho”, disse Pontes em um vídeo divulgado pelo MCTIC.

Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações Marcos Pontes – Carolina Antunes/PR/Divulgação/ND

De acordo com o ministro, o nome do diretor interino, quem tem graduação em ciências aeronáuticas na Academia da Força Aérea, saiu de uma série de currículos analisados por ele. Damião fica no cargo até que o nome definitivo seja escolhido. Para isso ocorrer, será formada uma lista tríplice, escolhida pelo que o ministro chamou de “comitê de busca”. Dessa lista sairá o ocupante definitivo do cargo.

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O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse a jornalistas, no Palácio do Planalto, que o presidente Jair Bolsonaro confia no trabalho de Pontes. “O presidente encontra no suporte do ministro Marcos Pontes essa decisão, que é temporária, porque a decisão final passará por um conselho.”

Ex-diretor foi exonerado após críticas sobre dados de desmatamento

O ocupante anterior do cargo, Ricardo Galvão, deixou o Inpe após criticar declarações de Bolsonaro sobre o trabalho do instituto. No último dia 19, em entrevista a correspondentes internacionais, o presidente disse que a divulgação de informações sobre desmatamento feita pelo Inpe prejudica o país em negociações comerciais. Galvão afirmou que Bolsonaro fez “acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira”. Galvão foi exonerado na última sexta-feira (2).

Galvão fazia parte do INPE desde a década de 70 – INPE/Reprodução/ND

Os dados são apresentados de modo transparente no site Terrabrasilis, do Inpe, depois que são encaminhados ao Ibama.

“Mandamos os dados do Deter (sistema de detecção em tempo real) para o Ibama. Os dados do Prodes (sistema que aponta a taxa anual, e oficial, de desmatamento) são sempre mandadas com antecedência ao ministério antes de divulgação. Os dados de junho mesmo foram mandados uma semana antes. Estranho dizerem que não avisamos”, afirmou Galvão. “Além disso, temos de cumprir a Lei de Acesso à Informação”, disse.

“E é ingenuidade supor que se pode esconder esses dados. Os satélites estão todos em cima. Não tem como embargar”, afirmou Galvão.

No mesmo vídeo em que anunciou o nome de Damião, o ministro Marcos Pontes afirmou que a situação de Galvão ficou “constrangedora” e “complexa”. “[…] a situação ficou constrangedora, muito difícil, em função de ele ter discutido com o presidente. A situação ficou complexa. O Galvão se sentiu bastante desconfortável de permanecer.”

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