Deputados cobram explicações sobre a saída do chefe da Casa Civil de SC

Atualizado

O pedido de exoneração do chefe da Casa Civil, Amandio João da Silva Junior, anunciado na noite desta sexta-feira (26), foi a atualização de mais uma baixa no governo Moisés. A repercussão dessa saída entre os parlamentares mostra que o fato não chegou a ser surpresa.

Ele é o terceiro nome do alto escalão do governo de Carlos Moisés (PSL) a cair após a deflagração da Operação Oxigênio, que investiga possível fraude na compra de 200 respiradores com a Veigamed.

Agora ex-secretário da Casa Civil, Amandio João da Silva Junior – Foto: Cristiano Estrela/Secom/Divulgação/ND

No lugar de Amandio assume Juliano Batalha Chiodelli, que era subchefe da Casa Civil e antes ocupava o cargo de presidente da Junta Comercial de Santa Catarina.

Quatro deputados estaduais que se manifestaram logo após o anúncio da saída de Amandio do cargo de chefe da Casa Civil foram os presidentes da Comissão Especial de Acompanhamento de Gastos Públicos, Marcos Vieira (PSDB), e o da CPI dos Respiradores, Sargento Lima (PSL). O deputado Kennedy Nunes (PSD) e o relator da CPI, Ivan Naatz (PL) também se pronunciaram.

Para Vieira, a expectativa é que o haja mais explicações para esta e outras exonerações – em alusão às saídas de Douglas Borba, antecessor de Amandio, e de Helton Zeferino, ex-secretário da Saúde à época da compra dos 200 respiradores, alvo de investigação no Parlamento Catarinense.

O presidente da CPI dos Respiradores foi além e lembrou que Amandio “teve ma participação muito pequena, e pífia, e sem nenhum tipo de ponto que há de se destacar positivamente, até então”.

Amandio será o próximo a depor na CPI

Na avaliação do deputado Kennedy Nunes (PSD), a saída de Amandio é uma estratégia para desassociar a imagem dele ao governo quando Amandio sentar na cadeira de testemunha. O depoimento dele na CPI está marcado para a próxima terça-feira.

“Ficou muito claro. O governo só quer se eximir de qualquer responsabilidade, mas isso não vai mudar absolutamente nada porque o que a gente quer saber é o relacionamento e a conversa que Amândio teve com o empresário que pediu a comissão”, enfatizou Kennedy Nunes.

Confira as notas na íntegra:

Deputado Marcos Vieira (PSDB), presidente da comissão especial:

“Com a saída do secretário Amândio nós esperamos que o governador Carlos Moisés da Silva venha de vez por todas a público, diante da população Catarinense, dizer o que realmente está acontecendo.

Por quê mais um secretário de Estado está saindo? Do por quê que estes casos de corrupção estão acontecendo? Nós esperamos uma resposta. Nós estamos cobrando já há bastante tempo do governador uma resposta para todas essas situações.

O governador tem a obrigação de vir a público para dizer o que efetivamente está acontecendo em Santa Catarina. O governador não pode fugir dessa verdade! Nós catarinenses estamos esperando que ele esclareça os fatos, que esclareça tudo que está acontecendo em Santa Catarina.”

Leia também:

Deputado Sargento Lima (PSL), presidente da CPI dos Respiradores:

“A saída do agora ex-secretário Amândio não me impressionou em absolutamente nada. Teve uma participação muito pequena, e pífia, e sem nenhum tipo de ponto que há de se destacar positivamente, até então. Fazendo as vezes do ex-secretário Douglas Borba, que também não teve uma participação, no meu entendimento, de maiores ressalvas.

Ele (Douglas Borba) passou durante um ano e meio fazendo apenas articulações político-partidárias, e quando deixou de fazê-las foi para se envolver em compras que não eram da sua competência se envolver nisso.

E deixando claro que o pedido de exoneração tem sido uma válvula de escape para alguns secretários, cada vez que são confrontados com fatos revelados pela mídia e pelo Ministério Público, pela nossa CPI e também pela polícia judiciária. Então, não me impressionou absolutamente nada!”

Deputado Ivan Naatz (PL), relator da CPI dos Respiradores:

“Isso só mostra que a CPI está no caminho certo. A CPI vai mostrando para os catarinenses o que está acontecendo dentro do governo, que na verdade é um desgoverno total. Santa Catarina parece um avião sem comando. Todos os catarinenses estão dentro desse avião e o piloto desapareceu. A demissão do Amandio é a prova de que o governo foi constituído, não por um grupo de pessoas comprometidas em governar Santa Catarina, mas num clube de amigos, muitos deles despreparados para a vida pública e com um comandante que também não se mostra capacitado para governar Santa Catarina .

Esperamos o Amandio na terça-feira. Esperamos que ele venha até a CPI e possa nos ajudar: qual é o envolvimento que Santa Catarina tem com essas pessoas. O que levou o governador a exonerar uma pessoa que veio para acertar o governo e que, até ontem Carlos Moisés dava entrevista fortaleceu a permanência de Amandio no governo. O que que aconteceu de ontem (quinta (25) pra hoje (sexta (26) que mudou a história?

Nunca na história de Santa Catarina uma investigação cortou tantas cabeças como vem cortando a CPI. E essas cabeças estão sendo cortadas por ineficiência, por falta de diálogo e falta capacidade de compreender o processo político e, muitas delas, por má fé mesmo. E tem muitas cabeças a serem cortadas. Alguns secretários ainda serão exoneraria porque a Assembleia Legislativa tem feito marcação cerrada!”

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