Desrespeito à memória de Hercílio Luz

Governador agiu com determinação para construir a ponte que levou seu nome em apenas quatro anos. Em respeito a isso, obra de restauração não pode mais parar

Divulgação/ND

Hercílio Luz governou Santa Catarina por três períodos

Não vou escrever sobre a ponte, sobre as suspeitas de sempre, sobre a paralisação das obras de restauração (mais uma vez, como se isso fosse novidade). Vou escrever sobre Hercílio Pedro da Luz, o governador que sonhou com a Ponte da Independência – em homenagem ao centenário da Independência do Brasil, 1922, início das obras –, como a ponte da integração estadual. Florianópolis era isolada do resto do Estado pelo mar, a capital só era acessada por meio do transporte marítimo. Cerca de 30 anos antes, em seu primeiro mandato, Hercílio lutou contra adversários políticos que, logo após a Proclamação da República, queriam transferir a capital para o centro do Estado. Em troca, e para evitar a transferência, o governador ofereceu-lhes a ponte, como símbolo maior da integração catarinense. Seria o quilômetro zero de uma ferrovia que ligaria a capital ao extremo-Oeste catarinense. A ferrovia não deu certo, mas a ideia da ligação se manteve. Tanto é verdade que o quilômetro zero da BR-282, a rodovia que liga Florianópolis ao extremo-Oeste, fica hoje na cabeceira continental da ponte Colombo Salles. Hercílio foi um homem corajoso, um visionário, o primeiro a implantar estradas pelo interior, porque, engenheiro que era, enxergava a infraestrutura como fundamental para o desenvolvimento econômico.

Pouco caso

Hercílio Luz fez tudo certo, construiu a ponte em inacreditáveis quatro anos – só pôde acompanhar dois anos, porque morreu em 1924 – e entrou para a história emprestando seu nome à monumental obra de engenharia. Há, desde 1982, um desrespeito que não afeta apenas o cotidiano dos catarinenses. Há, nestes 32 anos, um singular desrespeito à memória do grande homem que foi Hercílio Luz. Quem são os culpados?

Sem aditivos

O atual governador, Raimundo Colombo, tem a seu favor o fato de contar com recursos específicos. E tem tido um posicionamento muito claro: na quinta, 26, disse que não suporta mais a conversa dos “aditivos” financeiros solicitados pela empresa. “Perdi a paciência com esse troço de aditivo. Tem é que fazer a obra. Todo mundo faz essa sacanagem de aditivo, que a gente não aceita mais”, desabafou.

O projeto

Ainda sobre a ponte Hercílio Luz, cabe um reparo: não se pode confundir a obra de restauração com as obras de manutenção, que são necessárias desde a época da construção, por causa da maresia.

Transferido

Como é realizado ao ar livre – e a previsão para esta sexta, 27, é de muita chuva – o espetáculo “Dedicar Energia à Energia”, pela companhia italiana Studio Festi, será apresentado na segunda-feira, 30, às 19h, no mesmo local, a Eletrosul (Pantanal).

Mais Copa

“Criando o evento no Facebook para ‘manifestação por mais Copa'”. Humor do perfil MussumAlive (@MussumAlive), que homenageia o falecido comediante de Os Trapalhões.

Barriga

É inacreditável que, em pleno século 21, o sistema de rádio da segurança pública catarinense ainda funcione com equipamentos analógicos, defasados e ineficazes, como mostrou reportagem do ND publicada na quinta, 26. Mais incrível ainda é a forma displicente como o caso é encarado pela coordenadoria do Sistema de Videomonitoramento da SSP, cujo titular é o coronel Vânio Dalmarco. O Estado não pode empurrar com a barriga um problema tão grave.

Arena Fifa

Para a garotada entrar ainda mais no clima da Copa do Mundo, o Beiramar Shopping recebe o Arena Fifa 2014, um espaço que reúne atividades como chute ao gol, pebolim e campeonatos de vídeo game da Fifa. O espaço está localizado no vão central do shopping, até o dia 10 de julho, com todas as brincadeiras gratuitas.

Engajados

Pela primeira vez a entidade dos trabalhadores ligados ao turismo (Sitratuh) participou com voz ativa de um encontro profissional do setor, no lançamento do Floripa Pró-Turismo. O presidente do sindicato, Anésio Schneider, comemorou a inclusão no projeto. “Finalmente governo e iniciativa privada entenderam que sem o trabalhador nada é feito”, destacou, ao ouvir o pronunciamento do prefeito César Souza Junior, quando afirmou que a qualificação da mão de obra é um dos principais gargalos do setor.

Vozes

Frei Antônio Moser, presidente da Editora Vozes e autor de 25 livros, visita a livraria Vozes de Florianópolis neste sábado, 28, entre 8 e 11h. Moser vai conversar com os convidados sobre as tendências do mercado editorial brasileiro. A Vozes publica obras de cunho religioso e de ciências humanas.

Mais uma

Além de tudo, conforme registra o leitor Leonardo Schmidt, os ônibus executivos de tamanho GG que circulam nas ruas estreitas de Florianópolis não são recomendados para usuários com problemas de mobilidade. Os veículos são montados sobre plataformas de caminhões e os degraus são elevados demais. O próprio Leonardo já testemunhou inúmeros problemas, não só com idosos, mas também deficientes físicos e grávidas.

Zerou

Conforme publicado na coluna em maio, o consórcio SQE Luz foi contratado pela prefeitura de Palhoça para fazer a gestão da iluminação pública na cidade. O primeiro trabalho realizado foi o reparo dos pontos de luz defeituosos, e os resultados, sentidos pela população, também se refletem nos órgãos municipais: o Procon da cidade não registrou mais nenhuma queixa a este respeito.

Leandro Bértoli Neto/Divulgação/ND

Prédio histórico foi invadido por moradores de rua

Patrimônio…

É assim que se encontra o “Castelinho” da Casan, na Praça dos Namorados, em Florianópolis. A cidade tem três desses castelinhos, construídos no início do século passado, com o objetivo de formar “o triângulo do sistema de esgotos da cidade”. As outras duas estações elevatórias estão nas praças 15 de Novembro e Celso Ramos.

… abandonado 

O prédio da imagem está totalmente abandonado. Uma das portas foi arrombada há mais de uma semana e hoje serve de abrigo para moradores de rua e drogados. Além da fachada deteriorada, seu interior está destruído, tomado por lixo e dejetos humanos. A Casan é responsável, desde 1971, pela manutenção e conservação desse patrimônio histórico.