Diante da escassez momentânea da tainha, preços ainda não agradam consumidores da Capital

As tainhas ainda não chegaram em grandes cardumes na Costa catarinense. Os lanços não passaram de 700 unidades – a captura de 20 mil peixes no Pântano do Sul, na última terça-feira (15), era de paratis e tainhotas, ambos da família da tainha, que tem cerca de 80 espécies. Por conta da escassez momentânea – a previ­são é que o peixe mais esperado do outo­no/inverno chegue com fartura nos pró­ximos dias, dependendo das condições climáticas -, o preço ainda não agrada os consumidores.

Tainha (à esq.) é a mais aguardada pelos consumidores, mas é o parati (à dir.) que chegou em maior número - Marco Santiago/ND
Tainha (à esq.) é a mais aguardada pelos consumidores, mas é o parati (à dir.) que chegou em maior número – Marco Santiago/ND

No Mercado Público, o quilo de tai­nha sem ova está sendo vendido a R$ 12. E com ova, a R$ 18.

Funcionário de uma peixaria no Mer­cado, Ricardo Alexandre Marco, 43, que trabalha há 26 anos com pescados, expli­ca a diferença entre tainha e parati. “O pa­rati tem uma mancha amarela localizada na parte inferior da cabeça. A tainha não apresenta esta marca. Além disso, o para­ti pesa cerca de meio quilo e a tainha ova­da pode chegar a três quilos”, disse.

Marco também explicou que o parati vive no mar de dentro e a tainha no mar de fora. “Mas os dois peixes são saborosos”, garantiu.

Cada um deles tem sua especialidade de preparo. “O parati é servido frito. Já a tainha pode ser feita de várias maneiras: assada na brasa e escalada, frita, assa­da no forno, assada no fogo de chão, na praia, depende da criatividade”, ensinou.

Segundo o Tainhômetro – um conta­dor on-line que contabilizou, ao longo do período da safra, a produção de tainha em Santa Catarina, a partir de dados coleta­dos de pescadores industriais e artesanais -, no ano passado foram capturadas mais de 3.400 toneladas de tainhas. O Tainhô­metro foi criado pela ONG Oceana e serve para medir com precisão a quantidade do pescado capturado ao longo da safra, que começou no dia 1º de maio.

Marcelo espera por grandes lanços nos próximos dias - Marco Santiago/ND
Marcelo espera por grandes lanços nos próximos dias – Marco Santiago/ND

Pescados são comparados a iguarias de outros Estados

Enquanto as mantas de tainha não chegam às praias, os peixeiros do Mercado Público contam histórias de pescador e fazem até comparação com outras iguarias, como brinca o empresário Marcelo Jacques, 48 anos: “A tainha está para os catarinenses como o chimarrão e a carne estão para os gaúchos”. Há mais de 20 anos trabalhan­do em peixarias, Jacques tem experiência de sobra para falar sobre o Mercado e a corrida dos con­sumidores às peixarias. “É só acontecer um lanço bom de 5 mil a 10 mil unidades na praia que os apreciadores correm para o Mercado”, contou.

Nas peixarias, a procura pela tainha ainda é baixa. A professora aposentada da UFSC (Uni­versidade Federal de Santa Catarina), Hella Hart­mann, 70, foi ao Mercado para satisfazer a gula de um amigo espanhol, de Barcelona, hospedado na casa dela. Comprou quatro quilos de tainha e uma dúzia de ostras para não deixar o colega José Mandel ir embora sem provar a tão famosa tainha com pirão. “O caldo de garoupa já preparei. Agora é só fazer o pirão. As ostras são a entrada”, contou.

Já a aposentada Vera Rodrigues, 73, prefe­riu levar anchova e sardinha. Ela disse que vai aguardar a tainha chegar com mais abundân­cia. “Com mais fartura, certamente o preço será menor”, afirmou.

Hella comprou quatro quilos de tainha no Mercado Público - Marco Santiago/ND
Hella comprou quatro quilos de tainha no Mercado Público – Marco Santiago/ND

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