Do leite ao peixe

Médico Lair Ribeiro elege os sete melhores alimentos, entre eles o bom e velho ovo

Entre tantas mensagens de bom-dia, boa-tarde, boa-noite, piadinhas, vídeos dos filhos, fotos do baú etc. etc., as redes sociais também se prestam ao debate e à informação útil. É questão de peneirar.

Da peneira desses dias veio-me um vídeo do médico-palestrante-escritor Lair Ribeiro, citando os sete melhores alimentos à disposição de nós, terráqueos. Entre constatações elementares, algumas surpresas.

Começa o insigne médico com o mais que óbvio leite materno. Desnecessário repetir aqui todas as qualidades do mais completo alimento natural que existe. Já ouvi falar que o colostro, aquele leite inicial que o bebê toma assim que nasce, é um santo remédio também para idosos (só que, nesse caso, ingerido após preparo, e não da embalagem original, essa exclusiva dos nenês).

O vice-campeão da lista é o bom e velho ovo. Antes execrado e condenado à danação eterna, o danado felizmente reassume papel de mocinho na novela da nutrição, graças a uma imensa coleção de qualidades benéficas. Digo “felizmente” porque sou um fã dessa iguaria desde criança. Mesmo sabendo que ele saía do fiofó da galinha, jamais me neguei a devorar ovos. No tempo de piá, era comum meu diadek (o polonês vovô) surrupiar três ovos do galinheiro e dividi-los comigo e meu primo. Ele só abria cuidadosamente um buraco na ponta fina e ali sorvíamos o conteúdo, cru. Diaka garantia que era a melhor e mais saudável forma de comer ovo. Nos piqueniques do colégio não havia criança que não tivesse alguns ovos cozidos na lancheira. A piazada, metida que só, devorava-os com casca e tudo. Crocaaaante… Claro que tudo tem seu lado negativo, e o dr. Lair salienta que a fritura deve ser evitada, pois detona todas as propriedades e evidencia só o colesterol ruim. Que pena… Ainda me recordo do pratão que a Baba preparava: ovo frito com linguiça de porco, pão fresquinho saindo do forno e repolho azedo. Eita! Uma delícia de bomba calórica, colesterólica e peidólica.

Uma surpresa na lista: em terceiro lugar, o coco. Lair Ribeiro salienta as formas de óleo para cozinhar e água pra beber. Nada contra comer in natura, ralado no bolo ou em forma de picolé. Maravilha! Outra delícia da natureza, faz parte do meu cardápio também desde a infância (com uma vantagem: lá em casa ninguém era chegado na água, só eu; então, feitos os furos antes de o coco ir pro forno, o líquido era só meu).

Número 4: quinoa. Ééégua! Capaz! Sei que tem esse treco no pão integral que eu gosto, mas confesso que nunca ingeri in natura. Se alguém me falasse em quinoa no tempo de piá, eu levaria pra beira do rio, onde a minha ficava amarrada no tronco do branquilho. E sairia pra pescar o item 7 da lista do dr. Lair. Se fosse um dia como essa quarta-feira em que escrevo, fria e chuvosa, bagre e jundiá no pesqueiro embaixo das árvores; no verão, subindo o rio e chicoteando lambari.

Item 5: óleo de oliva. Beleza, faz parte da nossa mesa – com ou sem rima. “Prefira os importados”, diz o ilustre; claro, ele não precisa olhar etiqueta de preço.

Em sexto lugar, cúrcuma ou açafrão ou curry. É o mais exótico da lista, acho que entra às vezes no tempero. Um vidrinho de açafrão importado em pistilos custa 50 pilas.

Por fim, o já citado peixe.

Mas bah! Dá pra fazer um senhor de um cardápio, gostoso e saudável.