Doação de órgãos: SC é o segundo Estado no país em maior número de doações

Quadro positivo, no entanto, não altera rotina dos quase 1.500 catarinenses que estão na fila por um transplante

Rosane Lima/ND

Jane Roseli aguarda por um novo rim. Enquanto espera, fez hemodiálise três vezes por semana

Quando a notícia da morte inesperada do filho Fabio de Campos, 23, chegou ao mecânico Antônio Carlos de Campos, 50, a inexplicável dor foi transformada em ajuda. As córneas do rapaz foram doadas imediatamente. A ação de Campos somou-se às 969 doações de tecidos e órgãos em 2010, em Santa Catarina. O Estado tem a responsabilidade de ser o segundo no país no número de doações – São Paulo é o primeiro. Apesar disso, cerca de 1.500 catarinenses estão na fila do transplante.

No primeiro trimestre de 2011, o Estado alcançou o índice de 20,8 doadores por milhão de pessoas. Expectativa é que até dezembro chegue a 22 por milhão. Campanhas na televisão pretendem alcançar a meta. Assim que a família autoriza a doação após morte encefálica comprovada, informações básicas da pessoa são adicionadas a um sistema do Ministério da Saúde. Idade, peso, altura, tipo sanguíneo, dados genéticos são cruzados com informações de quem precisa de órgãos ou tecidos.

Nos 23 municípios catarinenses autorizados a captar órgãos, equipes estão treinadas para atender as famílias.  “É mais fácil alguém que conviveu com paciente e familiares ter essa conversa. Normalmente as famílias criam um vínculo com aquela equipe médica e acabam concretizando a doação”, afirma o coordenador do SC Transplantes, Joel de Andrade. O modelo de capacitação dos profissionais de Santa Catarina, é o mesmo utilizado na Espanha. 

Perdas simbolizam esperança para quem está na fila

De um lado da ponte imaginária está o filho do mecânico Baiano que faleceu precocemente em setembro de 2010 durante uma partida de futebol. Do outro, a dona de casa Jane Roseli Teles dos Santos, 48, paciente renal crônica que há três meses recebeu dos médicos a informação de que o transplante de um rim transformará a vida dela. “Apesar da dor do momento, hoje eu espero que duas pessoas estejam vendo a vida através dos olhos do meu filho”, diz Baiano, que ainda conversa com a família sobre a doação.

Para Jane, a vida continua, mas terças, quintas e sábados são dias da semana completamente ocupados, há três anos. “Fico quatro horas na máquina da hemodiálise para retirar pouco mais de dois litros de urina”, conta. Além de ter os dias comprometidos, Jane carrega uma lista de proibições. Beber água e comer frutas são atividades restritas. “Canso de mascar chicletes para diminuir a vontade de beber um copo d´água”, relata a dona de casa, que não esconde a ansiedade pelo transplante. “Vai significar ter uma vida normal, acho até que nem vou sentir tanta vontade de beber água”. 

Sistema seguro

O coordenador do SC Transplantes, Joel de Andrade, garante que o sistema do Ministério da Saúde é seguro. O órgão ou tecido coletado seguirá para o primeiro paciente compatível. “Basicamente os órgãos recolhidos em Santa Catarina ficam no Estado”, assegura. Se não houver demanda aqui, o órgão vai para outra região do país. Entre a retirada e o transplante, o tempo é cronometrado. No caso de corações e pulmões, todo procedimento deve ser entre quatro ou seis horas. O fígado pode suportar 48 horas e o rim, 36. “Quanto antes for feito, menor a rejeição”, declara. 

A maior demanda catarinense fica com os pacientes renais: 315 pessoas aguardam por um novo rim. Atualmente, cinco hospitais estão adaptados para realizar os transplantes, três deles na Capital: Hospital de Caridade, Universitário e Governador Celso Ramos. “Criciúma, no Sul do Estado, deve começar a realizar essas operações ainda este ano”, informa o coordenador.

SAIBA MAIS

Doações por ano

1999 – 128

2000 – 157

2001 – 234

2002 – 283

2003 – 347

2004 – 416

2005 – 498

2006 – 629

2007 – 658

2008 – 654

2009 – 883

2010 – 969

 

Órgãos que são recebidos pelo SC Transplantes

– Córnea

-Esclera (camada protetora do olho, conhecida como “branco dos olhos”)

– Coração

– Válvula Cardíaca

– Fígado

– Rim

– Pâncreas

– Conjugado Rim/Pâncreas

– Medula Óssea Autólogo

– Tecido Ósteo-Condro-Fáscio-Ligamentoso

Número de pessoas na fila de transplante (dados do mês de abril)

Coração – 4 pessoas

Córnea – 592

Rim – 315

Rim e pâncreas – 16

Fígado – 152

Ossos – 54

Medula óssea – 343

Total: 1476


Fonte: SC Transplantes

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