Doenças nasais na gestação: O que são? Qual a melhor maneira de tratar?

Atualizado

Trate de forma adequada as doenças nasais na gestação – Foto: Divulgação

A gestação é uma condição que promove grandes alterações fisiológicas em vários órgãos e sistemas da mulher, e o nariz não foge a esta regra. Alterações na fisiologia nasal durante a gestação podem provocar muitos sintomas e desconfortos para a paciente.

Informa a médica otorrinolaringologista Fernanda Fiorese Philippi que se estima que a obstrução nasal possa ocorrer em algum momento na gravidez em até 65% dos casos. Além disso, estudos atualizados demonstraram um aumento na frequência de rinossinusites em até seis vezes, especialmente no terceiro trimestre.

O que é a rinite gestacional?

A rinite gestacional é definida como obstrução nasal que não existia antes da gestação, tipicamente ocorrendo no segundo ou terceiro trimestre, com duração maior do que seis semanas, sem causa alérgica ou sinais de infecções de via aérea superior.

“Os sintomas costumam se resolver em até duas semanas após o parto.  Além da obstrução nasal, outras manifestações da rinite gestacional são: respiração oral, roncos, aumento na secreção nasal, sangramentos e ressecamento da mucosa do nariz”, diz a especialista.

Mulheres que já apresentavam doenças nasais antes da gestação tendem a apresentar piora dos sintomas com a gravidez.

A explicação científica

A mucosa nasal contém receptores para estrogênio, o que pode torná-la suscetível a alterações hormonais.

O estrogênio aumenta a sensibilidade dos receptores para histamina na microvasculatura da mucosa do nariz, levando à hipertrofia da mucosa e dos cornetos nasais durante a gestação.

Já o hormônio progesterona promove uma vasodilatação na mucosa nasal, também contribuindo para a congestão e sangramentos.

Automedicação pode prejudicar o feto

A obstrução nasal causada pela rinite gestacional leva a uma piora na qualidade do sono da gestante, podendo contribuir para roncos, fragmentação do sono, e até mesmo apneia obstrutiva do sono (esta última condição resultante também do ganho de peso no decorrer da gravidez), trazendo consequências diretas ao feto.

“Além disso, a congestão nasal severa pode levar à automedicação e ao abuso de descongestionantes tópicos nasais –  substâncias vasoconstritoras que podem interferir na circulação placentária, além de gerar dependência por efeito de rebote (instalando-se um quadro de rinite medicamentosa) ”, alerta a Dra. Fernanda Philippi. 

Dra. Fernanda Fiorese Philippi, Otorrinolaringologista – CRM/SC 13496 RQE 6769 – Foto: Divulgação

Procure um especialista para o tratamento

A médica explica que o tratamento indicado envolve hidratação nasal com solução salina fisiológica, em forma líquida ou gel, especialmente quando a mucosa estiver ressecada.

Em alguns casos, a partir do segundo trimestre de gestação, corticóides intranasais de baixa absorção sistêmica também poderão ser prescritos, além de outras opções de tratamento individualizadas, sempre após avaliação médica pelo otorrinolaringologista e obstetra, que costumam atuar conjuntamente na condução destes casos.

“Em virtude do grande impacto que a rinite gestacional pode trazer para a qualidade de vida da gestante, tanto o otorrinolaringologista quanto o obstetra devem estar atentos para o diagnóstico precoce e manejo correto desta entidade, considerando-se a idade gestacional da paciente o perfil de segurança de cada medicamento prescrito”, finaliza.

Edição: Alessandra Cavalheiro – Jornalista – Mtb 9775

DRA. FERNANDA FIORESE PHILIPPI

Médica Otorrinolaringologista

CRM/SC 13496 RQE 6769

www.fernandaphilippi.com.br

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