Durante 11 horas, motorista do Uber faz até 25 corridas em Florianópolis

Aplicativo norte-americano completa 30 dias, com 52 veículos apreendidos e parceiros comemorando os lucros com clientela renovada

Trinta dias após entrar em operação, o aplicativo norte-americano Uber mudou a rotina de quem mora ou está de passagem por Florianópolis. A oferta por um serviço mais econômico e com a opção de pagamento no cartão de crédito atraiu um novo público. Essa é a opinião de um ex-motorista particular, de 48 anos, que deixou o antigo emprego e passou a trabalhar como parceiro do Uber. Ele faz de 13 a 25 corridas por dia.

Como o serviço continua clandestino, porque ainda não foi regulamento pelo poder público municipal, 52 veículos foram apreendidos por fiscais da Secretaria de Mobilidade Urbana desde o início da operação, em 30 de setembro.

Oferta por um serviço mais econômico e com a opção de pagamento no cartão de crédito atraiu um novo público - Flávio Tin/ND
Oferta por um serviço mais econômico e com a opção de pagamento no cartão de crédito atraiu um novo público – Flávio Tin/ND

O ex-motorista particular comprou um veículo de luxo, ano 2015, e trabalha diariamente das 7h às 18h. “Financeiramente valeu muito a pena. Com cinco dias de serviço, eu consigo pagar uma parcela da minha prestação de R$ 850. Além disso, conversando com os viajantes, percebi que quem utiliza o serviço raramente pegava o táxi. São pessoas que pagavam para estacionar no Centro e tinham outras despesas com o carro, mas estão mudando de hábito pela economia e praticidade de pegar um Uber. Um casal chegou a dizer que colocou um dos carros da família à venda”, contou o parceiro, que não pode ser identificado para não afrontar as autoridades.

O aplicativo começou a operação, em Florianópolis, apenas com a opção do UberX, que são veículos compactos acima de 2008, com quatro portas e ar-condicionado. A empresa norte-americana tem por objetivo oferecer um carro em até cinco minutos. A assessoria de imprensa da Uber informou que a empresa não divulga o número de motoristas parceiros e nem quantos quilômetros foram percorridos neste período.

A reportagem apurou que um motorista parceiro, com 10 horas diárias, chega a receber de R$ 1,2 mil a R$ 1,4 mil por semana, mas gasta cerca de R$ 400 em combustível. Neste período, ele faz até 25 corridas por dia. “Já tive o carro apreendido e em 48 horas estava tudo resolvido. Mesmo sendo um motorista parceiro, sou favorável à fiscalização dos veículos e ao pagamento de impostos, porque assim teremos um serviço adequado ao padrão da empresa”, disse o ex-motorista particular.

Atendimento cordial e ameaça dos concorrentes

Depois de ficar desempregado no meio do ano, o ex-gerente comercial de 44 anos resolveu apostar em uma nova profissão. Com o veículo apropriado, ele entrou como motorista parceiro do Uber em Curitiba, e há um mês retornou para Florianópolis. O único investimento foi de R$ 137, para a retirada no Detran do EAR (Exercício da Atividade Remunerada). Em compensação, ele não esconde o receio pelas ameaças dos serviços concorrentes.

“A empresa está preocupada com a avaliação do cliente nos quesitos do atendimento cordial e na qualidade do automóvel. Não adianta ter um carro novo que apresenta problemas com frequência. Atualmente trabalho apenas como parceiro do Uber e não ganho o meu salário anterior, mas tenho uma boa remuneração e qualidade de vida”, ressaltou o motorista, que oferece água e balas.

Os motoristas do Uber também revelaram que sofrem intimidações. Eles contaram que já foram ameaçados de morte e alguns veículos foram chutados por motoristas do transporte de turismo.

Com 10 horas diárias, motoristas chegam a receber de R$ 1,2 mil a R$ 1,4 mil por semana, mas gastam cerca de R$ 400 em combustível - Flávio Tin/ND
Com 10 horas diárias, motoristas chegam a receber de R$ 1,2 mil a R$ 1,4 mil por semana, mas gastam cerca de R$ 400 em combustível – Flávio Tin/ND

Prefeitura forma o comitê executivo

Diante da polêmica para a regulamentação do transporte individual de passageiro privado, o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD) resolveu criar um comitê executivo para discutir a implantação do serviço. Ele prometeu regularizar o serviço antes da temporada de verão.

“O prazo para a indicação dos membros terminou hoje [ontem] e a partir de terça-feira iniciamos os contatos para definirmos a agenda”, disse o secretário de Mobilidade Urbana, Vinícius Cofferri. O comitê executivo é formado por membros da Procuradoria-Geral do Município, secretarias de Mobilidade Urbana e Segurança e Gestão do Trânsito, Tribunal de Contas do Estado, Sinditáxi, OAB/SC, trade turístico e Câmara de Vereadores.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.

+

Notícias