“É a situação mais extrema que a polícia tem de lidar”, diz delegado sobre sequestros

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Um crime raro de acontecer, mas que quando acontece deixa traumas e gera forte pressão na polícia, que corre contra o tempo para elucidar e resgatar as vítimas com vida. Assim define o delegado Anselmo Cruz, titular da Delegacia de Roubos e Antissequestro da DEIC, que desde 2014 lida com esse tipo de crime no Estado.

Policiais da Deic isolaram o cativeiro em Penha e resgataram o menino de nove anos sequestrado em Ilhota em 2014 – Foto: Zé Rogério /NDTV

“É a situação mais extrema que a polícia tem de lidar. A pressão é maior do que qualquer outro crime porque alguém está correndo o risco de morrer e não sabemos onde e em que circunstâncias”, confidencia o delegado.

Por conta disso, existe uma dedicação especial e extraordinária da Polícia Civil e outras forças de segurança.

Este ano – até 8 de dezembro -, segundo a Secretaria de Segurança Pública de SC, foram registradas 38 extorsões mediante sequestro, nome dado pela polícia para configurar captura de uma pessoa com pedido de resgate mediante pagamento. No entanto, ressalta Cruz, destes 38 registros, apenas um se configurou como sequestro.

Todos os outros foram classificados como estelionato porque tratavam-se de golpes por telefone. “É quando alguém liga dizendo que está com um parente e exige uma quantia em dinheiro para libertar a pessoa”, explica. Minutos depois, o parente aparece e o suposto sequestro não passou de um “trote”.

Na maioria das vezes, quem liga está dentro de uma penitenciária, acrescentou o delegado. As vítimas, entretanto, registram o caso como sequestro. Entre os anos de 2015 e 2018, foram 71 ocorrências.

100% de resolução

Nas últimas décadas, a Polícia Civil de Santa Catarina esclareceu todos os casos de sequestro. “As vítimas foram resgatadas dos cativeiros e voltaram intactas para casa sem o pagamento de qualquer valor”, frisa o delegado Anselmo Cruz.

Delegado Anselmo Cruz  – Foto: Jota Tavares/Divulgação SSP

Extorsão mediante sequestro sempre envolve duas vítimas, a que foi feita refém e o familiar que está sendo extorquido, continua Cruz. Ele recorda de alguns casos emblemáticos em que atuou no Estado:

Janeiro de 2019

Um idoso de 92 anos de Barra Velha foi sequestrado e mantido em cativeiro em Itajaí por 36 horas. A Polícia Civil localizou o cativeiro, resgatou o idoso e prendeu quatro suspeitos, entre eles o cuidador do idoso, o qual teria bolado o sequestro. No dia 18 de novembro, saiu a sentença condenando Edson Pereira a 16 anos de prisão; e Felipe Rodrigues dos Santos, Hugo René Lesmo Sanches e Álvaro Calixto Machado a 12 anos de reclusão cada, todos em regime fechado.

Abril de 2017

Uma mulher de 32 anos foi sequestrada em Florianópolis e levada para a Zona Leste de São Paulo. Os bandidos tentaram extorquir a família, exigindo o pagamento de R$ 115 milhões em bitcoins (moedas virtuais). Cinco dias depois, após investigações, a vítima foi resgatada do cativeiro em boas condições de saúde, sem que o resgate fosse pago. “Esse caso foi inédito no mundo até então”, lembra o delegado Anselmo Cruz.

Dezembro de 2015

Em dezembro, um senhor de 75 anos, sogro do prefeito de São João Batista, na Grande Florianópolis, foi libertado de um cativeiro 15 dias após ter sido colocado a força dentro de um carro e levado por criminosos. O idoso estava em um cativeiro na cidade de Paranaguá, no litoral paranaense. Dois suspeitos foram presos.

Junho de 2014

Um menino de 9 anos, filho de um empresário, foi sequestrado em Ilhota enquanto andava de patinete. Cinco dias depois, o menino foi resgatado em Penha, no Litoral Norte, sem pagamento. O garoto era mantido refém por cinco pessoas. Três foram presas e duas morreram em confronto com a polícia. “Esse caso exerceu uma pressão ainda maior por se tratar de uma criança”, recorda o delegado.

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