“É um calvário”, diz Julio Garcia sobre investigação da Operação Alcatraz

Atualizado

Em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (15), o deputado estadual e presidente da Alesc (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina), Julio Garcia (PSD), afirmou que está tranquilo em relação às investigações relacionadas à Operação Alcatraz porque sabe de sua inocência.

Deputado estadual Júlio Garcia disse que é preciso passar por injustiças em alguns momentos – Foto: Flávio Tin/ND

Enquanto os advogados cuidam de sua defesa, Garcia afirmou que “em algum momento [do processo] vou provar minha inocência, mas até chegar lá é um calvário”.

Ele citou os casos do prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, que foi detido pela Polícia Federal na Operação Chabu em junho deste ano; e do ex-reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Luiz Carlos Cancellier, preso em 2017 na Operação Ouvidos Moucos e que cometeu suicídio. Garcia disse que ambos foram pré-julgados e pré-condenados e que “as pessoas brincam com isso de forma irresponsável”.

Na opinião do deputado, se o Ministério Público agir com isenção e analisar os depoimentos, não haverá denúncia. Ele também descartou a possibilidade de deixar a presidência da Casa, caso venha a se tornar réu na Operação Alcatraz. “Isso só vai acontecer se os 40 deputados que me elegeram não confiarem mais em mim”.

Júlio Garcia deixa coletiva de imprensa após falar sobre Operação Alcatraz – Foto: Flavio Tin/ND

Segundo o parlamentar, seu nome entrou na investigação porque a Polícia Federal tinha como alvo “uma pessoa muito próxima” e o atingiu “lateralmente”. A pessoa próxima é o genro de sua ex-mulher, Jefferson Colombo, dono da Apporti, empresa que está sendo investigada por fraude em licitação. “Minha relação com o Jefferson é de amigo, não tenho nada com a empresa dele”, afirmou Garcia.

O presidente da Alesc também disse que não há provas de que ele seja sócio oculto de qualquer empresa. Para Garcia, as investigações estão baseadas em indícios e esses não são provas.

Entenda o caso

A Polícia Federal encaminhou à 1ª Vara da Justiça Federal de Florianópolis, nesta segunda-feira (14), mais dois relatórios relativos à Operação Alcatraz , que aponta indícios de conduta criminosa em relação a 21 investigados.

Um deles é o presidente da Alesc, Julio Garcia, cujos indícios apontam envolvimento em um processo licitatório da Secretaria da Administração do Governo do Estado de Santa Catarina (SEA/SC), entre os anos de 2015 e 2018.

“Quando as investigações começaram, em 30 de maio, havia a suposição de que eu fosse mentor de uma organização criminosa que desviava recursos públicos de Santa Catarina. Eu desconhecia essa licitação e pude provar que isso não era verdade”, disse o parlamentar.

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Ele também disse ter provado que o terreno apontado como forma de pagamento de propina já era seu desde 1994. “O que restou da investigação é que eu seria sócio oculto de uma empresa, mas isso também será esclarecido”.

Conforme Garcia, os pagamentos que teriam aparecido em uma planilha de Jefferson, são relativos a um empréstimo que ele teria feito ao genro de sua ex-esposa para ajudá-lo a quitar uma dívida contraída em 2007.

“Emprestei dinheiro para ele e ele só se recuperou (financeiramente) em 2012. Não fiquei fazendo planilha e os pagamentos aconteceram antes de 2016, que é o ano do contrato de licitação da SEA”.

“Estou tranquilo, mas indignado como qualquer um ficaria ao ser acusado de algo que não fez. O que mais incomoda é o desgaste emocional”, afirmou.

A investigação apura crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, fraude a licitação, organização criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a PF, o prejuízo aos cofres públicos é estimado em cerca de R$ 1,4 milhão em contratos ligados à área de tecnologia.

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