Em 45 dias, 580 toneladas de tainhas foram capturadas em Santa Catarina

Número é menor do que o capturado no mesmo período em 2016, de 600 toneladas, mas a expectativa é de mais pescado com a chegada do inverno e de mais vento sul. A novidade nesta safra é o tainhômetro

As colônias de pescadores da Barra da Lagoa, em Florianópolis, e de Garopaba são as que mais capturaram tainhas nas praias de Santa Catarina este ano. Para o presidente da Fepesc (Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina), Ivo da Silva, as redes catarinenses retiraram do mar cerca de 580 toneladas. Pouco menos do que foi capturado no mesmo período do ano passado. Em 2016, somente os pescadores artesanais pegaram 3.542 toneladas. A expectativa é que a captura aumente com a chegada do inverno, aliado ao vento sul. A novidade nesta safra é o tainhômetro, que foi desenvolvido pela ONG Oceana.

Pescadores da Barra da Lagoa estão entre os que mais tiraram tainhas do mar este ano; nesta quarta-feira, foram 800 quilos - Daniel Queiroz/ND
Pescadores da Barra da Lagoa estão entre os que mais tiraram tainhas do mar este ano; nesta quarta-feira, foram 800 quilos – Daniel Queiroz/ND

O mar está para peixe na opinião do pescador Emerson Raimundo Vieira, 42 anos, que pescou nesta quarta-feira (14) mais 800 quilos de tainha. No dia anterior, ele capturou 400 quilos do pescado. “A safra está ótima para mim este ano. Peguei pouco mais de uma tonelada no ano passado e já ultrapassei essa quantidade este ano. Devo chegar a três toneladas até o fim desta temporada”, comemora o pescador da Barra da Lagoa.

A pesca da tainha começou mais cedo, no dia 1º de maio, para os pescadores de praia. A pesca embarcada começou na metade de maio, mas as licenças sorteadas e conseguidas por meio de liminares foram liberadas no início de junho. Mesma data da pesca industrial. Este ano, o Mapa (Ministério Agricultura, Pecuária e Abastecimento) estimulou o fim da captura para o mês de dezembro.

O presidente da Appaecsc (Associação dos Pescadores Profissionais Artesanais de Emalhe Costeiro de Santa Catarina), Ricardo João Rego, afirmou que as tainhas chegam em grande quantidade. “Temos o relato de muito pescado passando fora do alcance dos nossos pescadores da praia e dos embarcados e, por isso, ainda estamos um pouco abaixo do volume de 2016. Além disso, as embarcações respeitaram a liberação das licenças e, assim, a pesca começou mais tarde para os embarcados”, explicou.

O Mapa fez o sorteio de 32 licenças, mas outras 36 embarcações também conseguiram a liberação por meio de liminares. Segundo o Sindipi (Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região), 18 embarcações industriais trabalham com a tainha.

ONG Oceana cria o “tainhômetro”

Com o objetivo de monitorar a safra da tainha, a ONG Oceana criou o tainhômetro. O aplicativo que divulga em tempo real o que foi capturado em Santa Catarina tem apoio de associações, federações e sindicatos dos pescadores artesanais e industriais de Santa Catarina. O app entrou em funcionamento na semana passada e as entidades ainda estão atualizando. Até esta quarta-feira (14), o tainhômetro marcava a pesca de 288 toneladas.

O presidente da Fepesc, Ivo da Silva, informou que os dados das cidades de Rincão, Passos de Torres, Balneário Gaivota e Araranguá, por exemplo, ainda não foram inseridos no sistema e, por isso, a diferença do que realmente foi capturado. Ricardo Rego, presidente da Appaecsc, contou que os associados estão fazendo uma pesquisa de bordo. “Ainda não abastecemos a ferramenta porque aguardamos mais informações dos pescadores, que estão coletando a quantidade, profundidade e local das capturas”, informou.

A diretora-geral da Oceana, Mônica Peres, esclarece a importância do aplicativo. “Com as informações em tempo real, os pescadores terão como cobrar políticas públicas direcionadas ao setor e o aperfeiçoamento do plano de manejo. Não há mais espaço para achismo e autoritarismo”, ressaltou. Um estudo da Oceana propõe uma solução para a redução do número de barcos: a adoção de um limite máximo da captura anual, ou “cota de captura”, de 4.300 toneladas em cada safra da tainha.

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