Em discurso, Lula diz que inventaram uma mentira atrás da outra sobre ele

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em palanque montado em frente à sede do Sindicato do Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, na tarde deste sábado (09) – Foto: ESTADÃO CONTEÚDO/ND

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na tarde deste sábado (9), a centenas de militantes que estavam em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), que precisava provar que o “juiz Moro (agora ministro) não é juiz, mas um canalha, e que Dalagnol (Deltan) não era promotor”.

“Eu tenho mais uns dez processos nas costas, mas é uma mentira atrás da outra. Vocês viram que inventaram uma mentira e tentaram prender a Dilma”, disse Lula.

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Este é o segundo discurso de Lula depois de ter deixado ontem (8) a carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR).

De consciência tranquila

Lula afirmou que se preparou porque queria provar que dorme com a consciência mais tranquila do que seus “algozes”.

“Durmo com a consciência tranquila de um homem justo e honesto. Duvido que Moro durma com a consciência tranquila que eu durmo (sic). Duvido que Bolsonaro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Duvido que o ministro destruidor de empregos o ministro da Economia, Paulo Guedes durma com a consciência tranquila que eu durmo”, afirmou do discurso.

“A única coisa que tenho certeza é de que estou com mais coragem de lutar do que antes. Quero construir um País com a mesma alegria que construímos quando governamos o Brasil”, acrescentou.

Ainda de acordo com o petista, “esse cidadão Bolsonaro foi eleito e aceitamos o resultado da eleição”. Ele disse, ainda, que Bolsonaro foi eleito para governar para o povo e não para milicianos.

Juros do cartão de crédito e crediário continuam altos

O ex-presidente disse que precisa voltar a andar com seus companheiros, entre eles, Fernando Haddad, para mudar a realidade do País. Ele ressaltou que está vendo a queda da taxa básica de juros, a Selic, mas que os juros do cartão de crédito, do cheque especial e do crediário das Casas Bahia continuam altos.

“A Selic caiu, mas o spread bancário, não. Então é preciso tomar uma decisão: Eu estou disposto a volta a andar por este País porque não é possível ver neste País vendo cada dia os ricos mais ricos e os pobres, mais pobres.”

Em 2022

Lula afirmou, ainda, que vai trabalhar para a esquerda voltar ao poder em 2022. “Não temos na esquerda que ficar brigando. Temos de dizer em alto e bom som: nós não vamos permitir que eles destruam o nosso País”, disse.

O ex-presidente afirmou que o Chile é o modelo de país que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer construir no Brasil. “Governo deve explicar esse projeto econômico que vai empobrecer a sociedade brasileira”, disse. “A aposentadoria do Chile é o que Guedes quer implantar aqui”, afirmou.

BNDES

“Quero que Bolsonaro explique o que chama de destruição do BNDES, Banco do Brasil, da Petrobras”, ressaltou. O petista também citou a “nova classe política” que considera financiada por companhias como Ambev, XP, Itaú e Bradesco.

Sobre o cenário da América Latina, para Lula, atualmente, ocorre na Bolívia o mesmo que o ex-senador Aécio Neves (PSDB) fez com a ex-presidente Dilma Rousseff após as eleições. O petista citou a vitória de Evo Morales na Bolívia e de Alberto Fernandez, na Argentina.

Em contrapartida, o petista criticou o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, e afirmou: “não podemos aceitar a ideia de construir um muro” entre Estados Unidos e México, para conter a imigração ilegal.

Ao final de seu pronunciamento em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, o ex-presidente Lula da Silva reforçou o pedido de apoio à militância e afirmou que pretende fazer um novo pronunciamento ao povo brasileiro dentro de 20 dias.

Como próxima etapa judicial, Lula ressalta que quer o julgamento de um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), anulando os processos dos quais é réu.

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