Em Joinville, pais e escolas orientam filhos sobre os perigos do “desafio da rasteira”

Atualizado

Desafio da rasteira ou desafio quebra-crânio. Uma “brincadeira” que viralizou na internet e que vem ganhando repercussão nacional, principalmente pelos perigos que ela pode gerar.

Desafio da rasteira viraliza nas redes – Foto: Reprodução

A dinâmica do desafio é simples: três pessoas, posicionadas lado a lado, um a um eles realizam pulos. Porém, quando a pessoa, que está no meio, salta, os amigos nas pontas colocam o pé e dão uma rasteira na pessoa que cai com as costas e a cabeça no chão.

O vídeo, publicado em uma rede social, recebeu milhares de acessos e acabou em dezenas de grupos de pais. Rapidamente, as plataformas digitais passaram a receber outras publicações de crianças e adolescentes realizando o desafio, inclusive em ambiente escolar.

Com a repercussão, as unidades de ensino de Joinville e de todo o Estado vêm trabalhando com ações para orientar pais e alunos sobre os perigos do desafio.

Escolas emitem comunicado

Em Joinville, no Norte do Estado, a Secretaria de Educação enviou aos diretores das unidades de ensino um comunicado a respeito do desafio. Caso algum diretor perceba esse tipo de “brincadeira” dentro do ambiente escolar, a orientação é de que os professores conversem com os alunos, a fim de que evitem a ação.

Ainda segundo a secretaria, não houve registro de alunos realizando o desafio na rede de ensino municipal.

Já em âmbito estadual, o Núcleo de Educação e Prevenção (Nepre) da Secretaria de Estado da Educação tem acompanhado a situação e trocado informações com os representantes de cada região. O objetivo é tratar o tema por intermédio dos profissionais que atuam nas escolas, além de não gerar pânico ou difundir ainda mais a prática.

Em nota, a Secretaria também afirmou que não houve ocorrências de casos semelhantes nas escolas da rede estadual de Santa Catarina.

Mas não são apenas as escolas públicas que estão atentas com a situação. Em Joinville, um colégio da rede particular de ensino, por exemplo, também enviou comunicado aos pais dos alunos alertando sobre o desafio.

“Na nossa escola não tivemos nenhum caso até o momento. Porém, já enviamos um comunicado aos pais, elaborado pela equipe médica, orientando as famílias que cuidem e observem o comportamento, além do conteúdo acessado pelos alunos”, explica Miriam Lourdes Zanatta, diretora da unidade.

Além disso, Miriam afirma que a escola também está orientado os alunos, principalmente após os próprios pais procurarem a direção se mostrando preocupados com a situação.

“Para qualquer tipo de brincadeira, sempre ficamos com um olhar atento dentro da escola e buscamos o diálogo com os alunos. Eu acredito que o diálogo é a melhor ferramenta para ganhar a confiança deles para falar sobre o assunto. Por isso, sempre estamos monitorando essas brincadeiras, que viralizam nas redes sociais, para orientar e tranquilizar as famílias”, explica.

Pais também estão atentos aos perigos

O alerta a respeito da brincadeira também já vem sendo realizado pelos pais de crianças e adolescentes. Um exemplo foi na família da jornalista Josi Tromm Geisler. Mãe de dois meninos, de 9 e 11 anos, ela explica que assim que ficou sabendo da “brincadeira” já orientou os filhos sobre os cuidados com o “desafio”.

“Quem me mostrou o vídeo foi o meu marido, então, decidimos conversar com os meninos a respeito do assunto. O que foi legal é que eles mesmos já sabiam da brincadeira e dos riscos que ela podia oferecer”, explica.

A jornalista conta, ainda, que os filhos alegaram que não viram a “rasteira” sendo feita por outros colegas. Porém, mesmo assim, a orientação é fundamental, principalmente pelas sequelas que uma simples “brincadeira” pode gerar na vida de toda a família.

“Isso é uma brincadeira de adolescente, mas que pode trazer consequências irreversíveis. Por isso, é importante a gente sempre estar alerta e conversar com eles a respeito disso”, conta.

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Além disso, as próprias crianças vêm alertando os colegas sobre os riscos do desafio. Um dos exemplos foi um aluno da rede municipal de Penha, no Litoral Norte, que divulgou um vídeos nas redes sociais dando a opinião sobre o assunto.

De acordo com Leidiane de Oliveira, mãe do João Manoel Marques, de 10 anos, ela também ficou sabendo da “brincadeira” pelo filho. Ela conta que, assim como o filho, ficou assustada com o viral.

“Ele viu o vídeo e veio me mostrar. Eu fiquei muito assustada justamente por estar acontecendo nas escolas e as crianças levarem como uma brincadeira”, conta.

Por conta disso, o menino teve a ideia de gravar o vídeo e divulgar nas redes sociais para alertar os amigos sobre o perigo. De acordo com a mãe, um dos motivos que levaram a atitude de João, foi o risco de fraturas e de mortes que a tal “brincadeira” pode gerar.

“Nós estamos muito orgulhosos da atitude dele. Ele tem apenas 10 anos e já tem essa noção de se preocupar e querer alertar o próximo sobre isso mostra a bondade que ele tem no coração”, diz Leidiane emocionada.

Ela reforça, ainda, a importância dos pais em ficarem alertas sobre os conteúdos que são consumidos pelos filhos. “As mães e pais em geral precisam ficar atentos a tudo que acontece com seus filhos, principalmente nas redes sociais que é a principal fonte desses desafios e brincadeiras”.

SBN também emite comunicado

A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia emitiu um comunicado nesta quarta-feira (12) alertando os pais a respeito do desafio. No texto, publicado nas redes sociais, a entidade reforça a necessidade de atenção com as crianças e adolescentes.

Entidade emitiu comunicado nas redes sociais a respeito do desafio – Foto: Sociedade Brasileira de Neurocirurgia/Reprodução/Redes Sociais/ND

Além disso, a SBN também alerta que a queda, ocasionada pela brincadeira, pode gerar “lesões irreversíveis ao crânio e encéfalo, além de danos na coluna vertebral”. Isso causaria na pessoa problemas tanto no desenvolvimento cognitivo, fraturas em diversas vértebras e, em casos mais graves, levar a pessoa a óbito.

Por fim, a entidade reforça que, em casos de óbito, os responsáveis pela brincadeira podem responder judicialmente por lesão corporal grave ou até mesmo por homicídio culposo – quando não intenção de matar.

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