Em reforma no Centro de Florianópolis, Casa de Câmara e Cadeia ganha novas cores

Da rua, em frente à praça 15 de Novembro, é possível notar que a antiga pintura do edifício (rosa) já foi substituída por um leve tom de amarelo

A restauração da Casa de Câmara e Cadeia avança a cada dia. Finalizado o trabalho de reforma estrutural, a obra chegou à metade final, que consiste na recuperação dos ornamentos, incluindo esquadrias, forros e assoalhos da escada que leva ao piso superior. Em todas as etapas, a restauração segue padrões estabelecidos pelo Sephan (Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Natural do Município), que inclui a utilização de materiais iguais ou semelhantes aos usados em 1771, ano da construção do prédio histórico.

Flávio Tin/ND

Pintura amarela é possivelmente a cor original do casarão construído em 1771

Da rua, em frente à praça 15, é possível notar que a antiga pintura do edifício (rosa) foi substituída por um leve tom de amarelo. “A cor foi escolhida em função do momento em que o prédio foi construído”, afirmou o secretário de Obras da Capital, Rafael Hahne. “Não se tem o registro, mas foram feitas prospecções (investigações da alvenaria e da esquadria por meio da remoção das diversas camadas de tintas até chegar à mais antiga). Possivelmente, essas são as cores originais”, completou a arquiteta gestora da obra, Mariana Nunes Elias.

A restauração também avança na parte interior da Casa de Câmara e Cadeia. O piso superior está todo pintado, faltando apenas detalhes como a recuperação da escada. “Estamos fazendo enxertos nas esquadrias, como corrimãos e colunas da escada, para restaurar as peças”, disse Mariana.

Enquanto o corredor central também foi pintado de amarelo, o salão nobre ganhou um leve tom de rosa. “O salão nobre, onde funcionava a Câmara, tinha uma cor diferente [rosa], creio eu para dar um destaque ao local” comentou a arquiteta.

Na parte externa, além da pintura, há o trabalho de restauração dos ornatos deteriorados pelo tempo. Segundo Mariana, técnicos aplicaram silicone nos ornamentos mais bem conservados para que fosse possível reproduzi-los naqueles que precisavam de maiores cuidados. “Já finalizamos a fachada dos fundos e a dos Correios [uma das laterais]. A parte frontal está quase pronta e a outra lateral [de frente à rua Victor Meirelles] está nesta fase de restauração dos ornatos”, explicou.

Passarela de vidro sobre abóboda do século 18

A “menina dos olhos” de todo esse processo de restauração será uma abóboda de tijolo, datada do século 18. Para valorizar a construção, prefeitura e arquitetos optaram por deixá-la exposta ao público. “O anexo que será construído terá um elevador para garantir acessibilidade. Na saída do elevador, teremos uma plataforma de vidro para dar acesso ao edifício, de onde será possível ver a antiga estrutura”, disse o secretário Rafael Hahne.

No piso inferior, a construção arqueada em forma de cunha garante maior amplitude ao espaço. No andar de cima, permitirá o resgate histórico. “O forro de tijolos da abóboda ficará parcialmente exposto para que seja possível enxergá-lo. A ideia é compartilhar o conhecimento desta técnica construtiva bem antiga. Não é uma coisa comum de se ver hoje em dia”, afirmou a arquiteta Mariana Nunes Elias.

Apesar do longo período de chuva no final de 2015, a prefeitura mantém o cronograma de entrega da obra para o primeiro semestre deste ano. Em seguida, o edifício será assumido pelo Sesc, que venceu a licitação para implementar o Museu da Cidade, com previsão de entrega ainda em 2016.

Sítio Arqueológico

Tão logo começaram as obras de restauração da Casa de Câmara e Cadeia foi possível perceber que o edifício guardava histórias de séculos passados. Então, em agosto do ano passado, o arqueólogo Osvaldo Paulino da Silva foi chamado para realizar escavações e descobrir os segredos escondidos no sítio arqueológico.

Entre os itens encontrados estão fragmentos de garrafas, louça de barro cozido, cerâmica, moedas, pisos antigos e até restos de peixes. “Não procuramos apenas objetos. Procuramos informações que possam contar a história do lugar. Essas informações ficam seladas na terra, registrado no subsolo, que é como um livro pronto para ser interpretado. Assim, é possível fazer uma releitura do sítio arqueológico”, disse.

Os objetos estão sendo recolhidos pela equipe de arqueologia e, posteriormente, serão confrontados com documentos históricos. “Ainda não datamos, mas os objetos vão desde a construção da casa, na segunda metade do século 18, até os últimos anos de ocupação. São fragmentos das vidas das pessoas que ocuparam esse espaço, por isso queremos tentar remontar essa história”, finalizou o arqueólogo.

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