Emissários são apontados como solução para recuperar a balneabilidade

Praias do Norte da Ilha são as mais afetadas com o lançamento de esgoto. Assunto foi discutido em congresso na Capital  - Daniel Queiroz/ND
Praias do Norte da Ilha são as mais afetadas com o lançamento de esgoto. Assunto foi discutido em congresso na Capital – Daniel Queiroz/ND

Estima-se que cerca de 200 mil pessoas em Florianópolis não tenham acesso a esgoto tratado. O percentual de cobertura com redes coletoras e estações de tratamento, que alcança 57% da cidade, é praticamente o mesmo de cinco anos atrás, quando havia 50 mil habitantes a menos. A meta de se chegar a 100% de cobertura de esgoto até 2030 se descortina no horizonte como um dos principais desafios para governantes e especialistas. “Qual é a melhor solução? Eu não sei. É preciso estudar cada caso para que a melhor tecnologia seja escolhida. Mas precisamos ter em mente que a situação exige uma ação rápida”, pontua o professor da Universidade do Paraná, Tobias Bleninger, que realizou extensivo estudo para implantação de emissário submarino no Norte da Ilha.

A implantação por meio de emissários submarinos para despejo de efluentes é utilizada no Brasil desde 1975, quando foi inaugurado o primeiro sistema em Salvador (BA). Desde então, o país hoje conta com pelo menos 20 emissários em todo o litoral, sendo que a maior concentração está na baixada santista, no litoral de São Paulo, onde a balneabilidade das praias foi recuperada após a implantação desses sistemas. O assunto foi um dos temas abordados no primeiro Congresso Catarinense de Saneamento, realizado em Canasvieiras nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Os estudos realizados por Tobias no Norte da Ilha, onde foram feitas simulações de despejos em três pontos diferentes ao longo de um ano, apontaram que a melhor solução seria a implantação de um emissário no Rio Vermelho. Os outros pontos estudados foram Canasvieiras e Ingleses. “Em Canasvieiras e Ingleses foi verificado que o emissário provocaria uma grande concentração de fósforo e provocaria um impacto desfavorável. Já no Rio Vermelho esse impacto seria menor e não chegaria até a praia”, explicou o professor, especialista em Hidráulica e Meio Ambiente e doutor em  Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental pelo  Karlsruhe Institute of Technology (Alemanha).

A implantação de emissário no Norte da Ilha poderia surgir como alternativa para o despejo de efluentes nos rios que deságuam na Estação Ecológica de Carijós, conforme cobram ICMBio e Ministério Público Federal. No entanto, a solução é muito mais cara que os modelos em funcionamento na cidade. Emissário submarino é uma rede de tubulação que lança o esgoto tratado em alto-mar. 

O Rio do Brás, que transbordou e poluiu o mar de Canasvieiras - Daniel Queiroz/ND
O Rio do Brás, que transbordou e poluiu o mar de Canasvieiras – Daniel Queiroz/ND

Combinação de tratamento e lançamento em alto mar

Em todos os cenários apresentados por Tobias, a utilização dos emissários teria que ser acompanhada de tratamento secundário, dispensando tratamento terciário, antes do despejo a três quilômetros da costa.

Segundo Claudia Lamparelli, especialista em qualidade das águas costeiras da Cetesb (Companhia de Meio Ambiente de São Paulo), que também palestrou no evento, o uso de emissários precisa ser bem planejado. “É preciso saber que os emissários têm impacto no local de lançamento e isso precisa ser constantemente monitorado. Por outro lado, essa tecnologia tem se mostrado como solução para melhorar a balneabilidade das praias. Após a instalação de emissário em Praia Grande, o grau de poluição das águas que variava entre 60% e 100% hoje é de 40%”, afirmou. A mesma situação se repetiu no Guarujá, também em São Paulo.

Entre as vantagens dos emissários em mar aberto, os especialistas destacaram dispensa de tratamento terciário (com 98% de pureza nos efluentes despejados) e a despoluição das baías e bacias hidrográficas. Entre os aspectos negativos, estão o alto custo e certa resistência cultural. 

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