Empresa cria laboratório de inovação para o mercado de operadoras

Além da consultoria, Andréa e Rodrigo Bergamini criaram um laboratório de inovação – Danielle Rheder/Divulgação/ND

Uma das atividades mais complexas – e custosas – para as operadoras de saúde é a que envolve procedimentos e cirurgias com dispositivos médicos implantáveis (pinos, stents, próteses etc). Além do alto custo dos produtos, em função de sua complexidade e tecnologia, há outras questões como a especificação técnica das OPMEs (órteses, próteses e materiais especiais) e a análise sobre reais benefícios clínicos aos pacientes – uma área que demanda doses equivalentes de conhecimento técnico e gestão.

Um mercado que a enfermeira Andréa Bergamini conhecia bem tanto do lado hospitalar, onde começou a carreira, quanto do lado das operadoras de saúde – área em que passou a atuar anos depois. E a partir de 2011, se transformou em um negócio próprio, quando fundou em Florianópolis junto com o marido, o administrador Rodrigo Bergamini, a consultoria chamada Gestão OPME. “A ideia era fornecer meu conhecimento técnico para ajudar as operadoras de saúde a entender e otimizar os custos em dispositivos médicos implantáveis – e entendendo também a necessidade do paciente”, resume Andréa.

Filha de militar, ela viveu a rotina de mudanças pelo país até se estabelecer na capital catarinense com o marido, em meados dos anos 2000. Natural de Manaus, ela se formou em Enfermagem em Niterói (RJ), fez mestrado em Pedagogia e depois se mudou para Brasília com o mineiro Rodrigo, oficial da Marinha e formado em Administração. Após uma experiência em instituições como o hospital Sarah Kubitschek e a Fundação Zerbini, Andréa foi convidada para montar o setor de OPME da Unimed em Florianópolis e assim acabou do outro lado do balcão. Alguns anos depois, virou consultora e começou a montar uma equipe própria no início de 2011 que acabou se tornando a Gestão OPME.

Ao longo de quase oito anos, a consultoria se tornou uma empresa de tecnologia que hoje atende 60 clientes corporativos (operadoras, hospitais e autogestões de saúde) – o que representa mais da metade do mercado de saúde suplementar do país – e emprega 30 pessoas, entre consultores, profissionais de saúde, tecnologia, marketing e vendas. Em 2018, a empresa calcula ter ajudado seus clientes a economizar mais de R$ 10 milhões a partir de serviços implantados.

“A área de OPMEs sempre teve produtos muito caros. Quando surgiram os primeiros stents coronarianos, cuja implantação substituía a cirurgia de ponte de safena, eles custavam o preço de um carro popular novo. Não fechava a conta nem do SUS nem das operadoras. Hoje há muito mais opções no mercado, e também é preciso entender o comparativo técnico entre todas essas opções além de avaliar, com uma visão clínica, se esse procedimento de fato trará benefício ao paciente”, explica Andréa.

Equipe da Gestão OPME, consultoria que atende 60 clientes corporativos – Danielle Rheder/Divulgação/ND

Novos produtos

No ano passado, a empresa ampliou a receita (não divulgada) em 35% e criou um laboratório de inovação, o OPME Lab, para desenvolver novos produtos e serviços para as operadoras. De acordo com Rodrigo, 20% do orçamento da empresa neste ano será destinado à pesquisa e desenvolvimento.

Uma das primeiras soluções criadas a partir do laboratório de inovação é a plataforma Junta Médica e Segunda Opinião Médica, que conecta a operadora a uma rede de profissionais especializados para avaliar o parecer técnico, além de dar agilidade ao processo pré-operatório. “A plataforma foi construída em conformidade com a legislação do Conselho Federal de Medicina e tem validade documental. O objetivo é garantir a segurança do paciente em primeiro lugar e dar agilidade aos processos de liberação”, explica Rodrigo.

A tarefa da equipe do OPME Lab é identificar outras oportunidades para desenvolvimento de novos produtos a partir de necessidades de mercado. Duas tendências já estão mapeadas e devem ganhar corpo ao longo do ano: uso de blockchain para rastreabilidade de próteses e inteligência artificial.

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