Empresa de Florianópolis ganha espaço no Salão de Detroit com projeto de carro futurista

Divulgação/ND

Chamado de OU, carro elétrico é solução contra os congestionamentos

Daniel Cardoso

redacao@noticiasdodia.com.br

Um escritório de design de Florianópolis se transformou em destaque mundial. Formado por jovens empreendedores, a empresa batizada como nome Dois pra Um Design Industrial, que ainda nem completou dois anos de vida, desenvolveu o projeto de um carro elétrico que poderá ajudar a solucionar o trânsito caótico nas grandes metrópoles do mundo. A proposta foi bem recebida a ponto de ganhar espaço no Salão de Detroit, nos Estados Unidos, em janeiro, evento considerado o mais importante da indústria automotiva mundial.
A ideia de fazer o projeto surgiu em uma oportunidade para participar do prêmio internacional Michelin Challenge Design, promovido pela indústria de pneus Michelin.
“Concorremos com 970 participantes de todo o mundo e ficamos entre os 34 vencedores. É a primeira vez que um brasileiro ganha o concurso”, comemora Théo Orosco, 23 anos, sócio-fundador do Dois Pra Um.
A proposta consiste em um carro elétrico, chamado OU, construído para ser usado por apenas uma pessoa. O veículo se locomove sobre trilhos, que seriam instalados nas principais vias das cidades, e também fora deles. Quando estivesse nos trilhos, o transporte teria a vantagem de reduzir o risco de acidente, ser recarregado com energia pelos próprios trilhos e promover um fluxo de carros constante e sem tumultos.
Fora dos trilhos, o carro seria integrado a rotas de GPS, mantendo a ideia de locomoção coordenada com os outros carros.
“O conceito surgiu a partir da observação das soluções encontradas pelos peixes no oceano, que se deslocam de maneira integrada e coordenada em forma de cardume. Assim, o trânsito ficaria mais eficiente, sustentável e seguro”, ressalta Orosco, que atua no escritório com outros três sócios: Alexandre Turozi ,Elisa Strobel e Rodrigo Brasil.

Como é o projeto
– Veículo individual
– Movido a energia elétrica
– Viria dos trilhos a energia para recarregar o carro
– A frota transitaria de maneira coordenada, ordenando o trânsito e reduzindo a chance de acidentes
– O veículo também pode ser utilizado fora do trilho, integrado a um GPS

Rosane Lima/ND
Alexandre, Elisa, Rodrigo e Theo já conquistaram vários prêmios em design

A cidade vai ter de esperar

Apesar de premiado, promissor e ter sido bem recebido pelo público do Salão de Detroit, o projeto do veículo desenvolvido pelo escritório Dois Pra Um está longe de se tornar uma realidade palpável nos centros urbanos. O concurso que motivou a elaboração do projeto desafiou os participantes a encontrar uma solução que fosse colocada em prática somente no ano de 2021
“É um projeto conceitual que entra no debate para dar solução ao trânsito que tanto atrapalha a vida das pessoas no mundo todo. Mas pode, sim, ser colocado em prática no futuro”, garante Théo Orosco.
Além de trabalhar em projetos conceituais, o escritório também atua nos chamados trabalhos de mercado, ou seja, aquelas propostas elaboradas para suprir alguma demanda imediata. A empresa, por exemplo, desenha embalagens para uma indústria de cosmético e, recentemente, desenvolveu o design da nova máquina produzida por uma indústria de fabricação de equipamentos de gravação e corte a laser de Florianópolis.

Veículo para a terra e para o mar

Imagine um jet ski que pode ser pilotado na estrada, na rua ou na areia da praia! O pessoal da Dois pra Um imaginou e foi além. A empresa desenhou o veículo que está sendo fabricado em Biguaçu, e deverá ser lançado comercialmente ainda neste ano, por volta de junho ou julho.
A ideia é libertar os donos de jet ski de tarefas enfadonhas, como rebocar o veículo até o mar ou pagar uma marina para guardá-lo.
“É um veículo anfíbio e no mundo nenhum produto deste tipo é comercializado (há apenas projetos). Estamos em fase de teste para começarmos a vender com toda a segurança”, conta Fábio Knorr, proprietário da empresa K-Jet, que produz o anfíbio.
Nesse projeto, o escritório Dois pra Um teve a responsabilidade de fazer toda a pesquisa e desenhar a carcaça do jet ski, ou seja, o design do produto.
“Fomos até a K-Jet apresentar nosso trabalho. Eles gostaram, e nos chamaram para participar deste projeto”.
Além de entretenimento, o veículo poderá ser usado por corporações como as polícias e o Corpo de Bombeiros, em ações como socorro em enchentes ou patrulha em regiões alagadas.

Mais conteúdo sobre

Economia