Empresário Fernando Marcondes Mattos comemora 27 anos do Costão do Santinho

“No mundo todo o turismo é recebido com tapete vermelho. Aqui não, é com corrida de obstáculos”, afirma Fernando Marcondes de Mattos, que nesta quinta-feira (13) tem dupla comemoração: 80 anos de idade e 27 anos de inauguração do Costão do Santinho, no Norte da Ilha. “Acreditávamos no empreendimento, mas não achávamos que pudesse alcançar a dimensão que alcançou. Por oito anos somos considerados o melhor resort do Brasil”, festeja o empresário, casado com Yolanda Marcondes, com quem tem três filhos, sete netos e dois bisnetos.

Empresário Fernando Marcondes Mattos - Eduardo Valente/Arquivo/ND
Empresário Fernando Marcondes Mattos – Eduardo Valente/Arquivo/ND

O florianopolitano nascido em 13 de dezembro de 1938 tem o turismo no seu DNA. “É uma atividade vital para qualquer país”, diz Marcondes, defensor do setor como propulsor de economia e geração de emprego e renda, além de crítico frequente da burocracia e falta de apoio do poder público. “Os governos têm que ter papel motivador, e não ficar criando entraves”, fala Marcondes, que também já ocupou cargos públicos. Entre eles, a Secretaria de Estado de Planejamento e Fazenda, no início da década de 1990.

Os amigos são unânimes em destacar a visão empreendedora e o engajamento do empresário na defesa de causas coletivas. Contemporâneo da Faculdade de Direito na UFSC e colega de trabalho na época da fundação da Eletrosul, o empresário e ex-presidente da Fiesc Glauco Corte destaca a visão empresarial inovadora e o uso de novas tecnologias. “Ele criou um empreendimento arrojado, que acabou se tornando o melhor resort do país”, afirma. Marcondes, segundo ele, “sempre foi um grande estudioso sobre a economia de Santa Catarina, se aprofundando sobre as alternativas para o desenvolvimento do Estado”.

Para o ministro do Turismo, Vinícius Lummertz, Marcondes “conhece economia, indústria, academia e política” e esta visão mais ampla acaba fazendo a diferença. “É um líder estadista do turismo”, diz o catarinense, que em janeiro assume a Secretaria de Turismo de São Paulo na gestão do governador eleito João Doria (PSDB).

“Ele sempre pensou além da árvore dele, pensou na floresta”, declara o publicitário Roberto Costa, que conhece Marcondes desde os anos 1970. A amizade ficou mais estreita a partir da década de 80, com a participação de ambos na criação do Protur, entidade antecessora do Florianópolis Convention Bureau. “É uma pessoa comprometida com a cidade. Sempre que foi chamado para defender a cidade, acabou liderando o processo, com forte espírito comunitário”, complementa.

Segundo Anita Pires, presidente da FloripAmanhã, Marcondes é “contemporâneo, de olhar bondoso e compreensivo, e que nunca perde de vista a luta para construção de uma cidade boa para todos, derrubando muros e construindo redes”.

ENTREVISTA

Qual o balanço que o senhor faz da sua trajetória e do Costão do Santinho?

Começamos a operar em 13 dezembro de 1991. Pensamos o empreendimento com esse tamanho. Todo o projeto foi definido nos mínimos detalhes já no início. Acreditávamos no empreendimento, mas não achamos que pudesse alcançar a dimensão que alcançou. Por oito anos somos considerados o melhor resort do Brasil, inclusive em 2018, concorrendo com bandeiras internacionais. Temos 800 a 1.100 funcionários, dependendo da estação do ano. Destaco alguns pilares, como a riqueza natural – 1 milhão de metros quadrados, quase 600 de mata atlântica nativa – e a herança arqueológica, com o museu das inscrições rupestres. Entre os pilares, também estão a manutenção da tradição açoriana, com 14 vilas com características portuguesas, e a sustentabilidade. Temos uma estação de tratamento de esgoto, com 98% de eficiência. O esgoto tratado volta para tratar as plantas e o excedente vai para o campo de golfe. O lixo é 100% reciclável.

Como empreendedor na área, como o senhor avalia o setor turístico em Florianópolis e a evolução nos últimos anos?

Jurerê Internacional e o Costão do Santinho imprimiram as duas marcas fortes do turismo de Florianópolis. Assim como o Costão e o Beto Carrero World marcaram o turismo em Santa Catarina. São os dois ícones. Florianópolis obteve o primeiro lugar como destino de praia e é excepcional, uma das ilhas mais bonitas do planeta. Movimentos como o FloripAmanhã e o Floripa Sustentável visam transformar Florianópolis numa das mais interessantes do mundo. Mas precisamos adaptar o Plano Diretor para viabilizar a verticalização em algumas regiões e abrindo a oportunidade para a criação de espaços verdes. E para permitir marinas – não só na Beira-Mar Norte, mas em outras regiões da Ilha. Florianópolis está quase parada no tempo. Faltam atrativos. Nosso crescimento é muito pequeno. Temos entraves por todos os lados, que dificultam investimentos. Alguns dizem que é a ilha do não pode, quando poderia ser uma ilha de projeção planetária. Não é uma cidade em que o dinheiro circula. A cidade tem que crescer a dois dígitos.

Qual sua avaliação sobre a reforma trabalhista, aprovada há um ano?

Melhorou o panorama, mas temos que avançar bem mais. Se compararmos com legislações de outros países, como Estados Unidos, República Dominicana e México, é uma piada. Aqui a legislação acaba encarecendo em 50% as operações. O turismo é uma atividade vital para qualquer país. Mexe com uma cadeia produtiva que envolve 52 atividades. E também com a cultura e com o esporte. É a atividade econômica mais importante para Santa Catarina e para o Brasil.

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