Enfim, Capital se abre para o mundo náutico

Demorou muito, Florianópolis perdia de goleada para Itajaí, mas o Extreme Sailing Series comprovou que é possível incrementar os esportes marítimos na cidade

Carlos Damião

Vela

Não há dúvida que o Extreme Sailing Series agregou valor a Florianópolis no contexto dos esportes náuticos. A cidade vinha perdendo de goleada para Itajaí e pelo menos mostrou com esse evento que tem capacidade de crescer muito. Como disse um amigo, que acompanhava comigo a operação de resgate (foto) de um catamarã que “capotou” no sábado, por causa do forte vento Sul, “não é sempre que tem isso aqui. A gente tem que prestigiar”. Ernesto São Thiago, batalhador pelo aproveitamento de nosso potencial náutico, observou-me que a competição “aumentou a autoestima da cidade. Ela finalmente viu-se (novamente) ‘náutica’. E em altíssimo nível!”. Que bom que tenha sido assim com a bela iniciativa de trazer o Extreme Sailing Series. Parece que estamos aprendendo a lição com Itajaí, sede da Aventura Pelos Mares do Mundo, que começa a receber amanhã os veleiros da Transat Jacques Vabre, uma das mais belas regatas do mundo. Aliás, a Aventura itajaiense vai até 1º de dezembro, com inúmeras atrações relacionadas ao mundo náutico. E dizer que até poucos anos aquela cidade vivia recolhida à sua modéstia provinciana! Mais ou menos como a Capital vinha se comportando… Esperamos que esse quadro, em relação a Florianópolis, esteja mesmo mudando.

Prestígio

Zulmar Accioli, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de Santa Catarina, retornou do congresso nacional da especialidade, realizado no Rio de Janeiro com importantes novidades. Além de oficializar detalhes do 16° encontro estadual, que ocorrerá mês que vem em Florianópolis, sob o prestígio de dirigentes nacionais e internacionais, ele conseguiu eleger a Capital para sediar o Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica de 2017. O evento é o maior do gênero no mundo e disputado pelos Estados tal qual sede de Copa ou Olimpíada.

Suplício no…

Quem diria que, no Brasil, feriadão e férias viraram programa de índio, com todo respeito aos silvícolas. O problema da mobilidade rumo ao litoral não exclusivamente nosso, mas resultado do impressionante incremento da frota automotiva nos últimos anos, afetando todos os Estados que têm balneários charmosos e deslumbrantes para atrair o turismo. E o “efeito manada” é incrível: todos querem chegar ao mesmo tempo e aos mesmos lugares.

… paraíso

Quantas horas alguém perde no automóvel para chegar aos paraísos turísticos? Depende do trajeto. Mas peguemos um caso bem simples: de Curitiba a Porto Belo pelas BRs 376 e 101 leva-se, na pior das hipóteses, quatro horas. Mas, para chegar às praias de Porto Belo e Bombinhas, duas horas pela precária SC-412, trajeto de apenas 20 quilômetros. Tempo igual para voltar à BR-101. Vale a pena? Tem gente – e como tem – que não se importa.

Verão em paz

“Por isso vou residir em Rancho Queimado ou Angelina antes do verão – nessas cidades não tem sinaleira, só tem uma praça e uma rua que vai e vem”. Renato Kadletz, comentando o efeito manada que atingiu Florianópolis no feriadão e foi uma prévia do caos da temporada.

Inferno sonoro

Nada contra eventos em Florianópolis, porque somos uma cidade turística e não podemos negar essa condição. Mas o Folianópolis bem poderia ser realizado em outro local no ano que vem. Não houve quem, morador do Centro e Continente, não reclamasse do som estridente e insuportável na noite de sábado e madrugada de domingo. Até porque, o vento Sul facilitou a propagação da música, deixando muita gente acordada e indignada.

Orfandade

No caso do Folianópolis ocorreu o mesmo de sempre das saídas de boates e beach clubs, nas horas frias das madrugadas: inconformados com o fim da festa, bêbados saíram pelas ruas a perturbar ainda mais o sossego dos moradores, berrando, discutindo ou fazendo acrobacias com seus automóveis, cantando pneus ou freando bruscamente. É nessas horas que a cidadania se sente órfã: por onde anda quem deve defendê-la contra esses abusos?

Mapa da droga

O mapeamento do crack em Florianópolis começou em 2010, como já registramos aqui, ampliando em muito os trabalhos assistenciais da prefeitura. O mais chocante, pelos dados oficiais atualizados, é que o número total de viciados que vivem nas ruas chega a mais de 700. O local onde a droga é mais vendida é a base do Morro do Mocotó, nas proximidades do Túnel Antonieta de Barros.

Reconhecimento

Depois de tanto batalhar pelo contorno viário, o Comdes (Conselho Metropolitano para o Desenvolvimento da Grande Florianópolis) teve sua atuação reconhecida pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). A agência convidou o Conselho para ser a ‘voz’ da sociedade no fórum de avaliação sobre a gestão da Autopista enquanto concessionária do trecho Norte da BR-101. O fórum será formado por representantes do Comdes, ANTT e Autopista.

Praia roubada

Quem foi a Jurerê no feriadão nem se surpreendeu muito, porque a prática abusiva é antiga, só está se sofisticando. Simplesmente criaram uma “área VIP” na areia da praia, para aluguel de cadeiras e guarda-sóis, reservando lugares privilegiados para quem se dispusesse a pagar. É a praia roubada de quem tem o direito de frequentá-la gratuita e livremente.

Charles Carmezini

Mercado

Liberdade e…

No sábado pela manhã, enquanto se desenrolava no Mercado Público um conflito entre comerciantes e autoridades municipais, bem ao lado, no finalzinho da Rua Jerônimo Coelho, dezenas de ambulantes ilegais, à vista da Guarda Municipal e da Polícia Militar, vendiam DVDs piratas e aparelhos celulares suspeitos, oferecidos a preço de banana. Obviamente, os camelôs abusados pouco se importavam com o que acontecia nas proximidades.

… rigor da lei

A confusão entre os comerciantes e representantes do município foi longe no sábado, porque o prazo final para desocupação (foto) é hoje. O inconformismo e a tristeza dos lojistas são evidentes, não por causa da licitação, mas do prazo exíguo para desocupação dos boxes, naquela que é considerada a melhor época do ano para o comércio popular. “Se é para reformar, que fechem as duas alas, Norte e Sul”, disse-me um comerciante, que prefere não se identificar.

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