Engordamento da praia de Canasvieiras, em Florianópolis, pode começar em agosto

Atualizado

As obras para aumentar a faixa de areia na praia de Canasvieiras, no Norte da Ilha de Santa Catarina, devem começar em agosto, após o período da safra da tainha. No entanto, a ordem de serviço já deve ser assinada na próxima semana, pois o resultado da licitação foi homologado pela prefeitura de
Florianópolis nesta quarta-feira (3).

Praia de Canasvieiras é uma das mais movimentadas do verão no Norte da Ilha – Marco Santiago/ND

A vencedora da disputa que envolveu 11 interessados foi a empresa paulista DTA Engenharia, que vai fazer o serviço por R$ 10,5 milhões.

A expectativa da prefeitura é de que o IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) emita a licença ambiental de instalação (LAI) em meados de julho. A previsão de término é no início de dezembro deste ano. “Essa vai ser a primeira praia do Estado que receberá engordamento e vai nos permitir analisar sua efetividade”, afirma o secretário municipal da Infraestrutura, Valter Gallina.

Faixa de areia triplicada

O projeto a ser executado prevê o aumento da faixa de areia em um trecho de 2,3 mil metros que vai de Canajurê até o Rio do Brás. A estimativa é a de que a orla de Canasvieiras receba um volume de 344 mil metros cúbicos de areia fina, de cor e espessura semelhantes à existente. O material será dragado de jazida submarina localizada a uma distância de 1,2 quilômetro da praia.

Com isso, a área utilizada para lazer que atualmente é de 12 metros de extensão passará a ter, inicialmente, em torno de 50 metros de largura, e de 30 a 35 metros, quando a areia estiver estabilizada. Ainda assim, o valor final é quase três vezes maior do que a faixa de areia disponível no momento.

A obra já tem licença ambiental prévia (LAP) emitida pelo IMA em dezembro do ano passado e, ao final dos trabalhos, também caberá ao instituto conceder a Licença Ambiental de Operação (LAO), que formaliza sua conclusão.

Melhorias para o turismo

Esse é o primeiro dos projetos de engordamento de faixa de areia das praias da Capital, cujo objetivo é elevar o patamar do turismo da cidade, gerando mais emprego e renda.

O segundo é o da Beira-Mar Norte, cujo projeto executivo está sendo elaborado pela prefeitura e deve ficar pronto no mês de agosto. Após finalizado, será encaminhado ao IMA para solicitação da LAP, licença necessária para o lançamento da licitação da obra. “A nossa expectativa é de lançar o edital no
primeiro trimestre de 2020. Se todas as licenças forem concedidas, é possível que a obra seja entregue no verão de 2020/2021”, diz o secretário.

Segundo Gallina, o engordamento da praia na Beira-mar Norte é um pouco mais complexo, pois a jazida de onde a areia será dragada deve ficar mais distante da orla. Isso também deve elevar o custo do projeto em relação ao de
Canasvieiras. “Essa será uma praia emblemática e democrática, servindo como área de lazer tanto para a população de alto poder aquisitivo que vive na região quanto para os moradores do Maciço do Morro da Cruz”, afirma o secretário.

Sem previsão para a Praia da Armação

A terceira região que deveria receber a ampliação da praia é a Armação do Pântano do Sul, no Sul da Ilha, mas não há previsão disso acontecer. De acordo com o secretário de Infraestrutura, a obra é muito mais complexa devido à presença de correntes marítimas invertidas, à necessidade da construção de molhes e ao fato de as jazidas estarem muito longe da costa. “Será preciso buscar recursos primeiro para que o projeto possa sair do papel”, afirma Gallina.

Maré alta atingiu calçadão da praia da Armação – Foto: Associação de Moradores do Morro das Pedras

Ao contrário de Canasvieiras, os custos do engordamento na praia da Armação podem beirar os R$ 80 milhões.

Como solução imediata, a prefeitura deve realizar várias melhorias para recuperação do passeio e dos deques, novamente atingidos pela ressaca no final de maio.

A região vem sofrendo com vários episódios de maré alta nos últimos anos, resultantes da ocupação imobiliária e de obras como o molhe na foz do Rio Sangradouro. Casas localizadas nas encostas chegaram a desabar, obrigando o município a realizar obras emergenciais, como o enrocamento de pedras, na
tentativa de impedir o avanço do mar.

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