Engraçados e bonitinhos, saguis escondem riscos à população e ao ambiente em Florianópolis

Pequeno macaco é uma espécie exótica invasora no Sul do país e, por isso, não possui um predador natural. Orientação é de não alimentar e manter distância do primata, que pode transmitir doenças

A simpatia dos saguis esconde riscos ao meio ambiente e à população de Florianópolis. Com gestações de gêmeos e trigêmeos, eles estão desenvolvendo uma superpopulação na Ilha de Santa Catarina. O pequeno macaco é uma espécie exótica invasora na região Sul do país e, por isso, não tem um predador natural. Em função disso, a coordenadora do Parque Estadual do Rio Vermelho, bióloga Adriana Nunes, alerta que os saguis não devem ser alimentados, domesticados e nem comercializados, porque são animais silvestres. A preocupação do chefe do Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres), subtenente da Polícia Militar Ambiental Marcelo Duarte, é de que a superpopulação de saguis possa disputar a mesma cadeia alimentar do macaco-prego, que é uma espécie nativa.

 simpatia dos saguis esconde riscos ao meio ambiente e à população de Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
O Cetas recebe em média de dois saguis por mês e a grande maioria sofre acidentes de choques elétricos – Daniel Queiroz/ND

O Cetas recebe em média de dois saguis por mês e a grande maioria sofre acidentes de choques elétricos. “Os saguis encontraram um local adequado para se reproduzirem aqui na nossa região e eles vêm se adaptando. A gente alerta para que as pessoas não alimentem estes animais, porque eles sempre voltam em busca de comida fácil e acabam invadindo residências e provocando outros danos. As pessoas acham bonitinho, mas os animais silvestres precisam buscar alimentos por conta própria”, esclarece Duarte.

Natural das regiões Sudeste e Nordeste do país, os saguis sempre estão em bandos. Com hábitos diurnos, eles costumam ficar sobre as copas das árvores e se alimentam de frutas, insetos e da seiva das árvores. O subtenente lembra que existem três espécies na Ilha: os de tufos brancos, os de tufos pretos e os de cara branca.

Duarte destaca o risco de doenças que esse animal pode provocar. “Os saguis também são transmissores da febre amarela, além de outras doenças e, por isso, não incentivamos o contato com o animal”, afirma o chefe do Cetas. Todos os saguis que chegam ao Cetas não são soltos, mas podem ser encaminhados a criadores, zoológicos e mantenedores da fauna ou científicos.

Preocupação com outras espécies

Com gestações de aproximadamente 120 dias, que podem iniciar durante a amamentação, um casal de sagui pode ter nove filhotes por ano. O subtenente Marcelo Duarte explica que o casal de macaco-prego tem um filhote por ano e, provavelmente, disputará a mesma cadeia alimentar com o sagui. O predador natural dos pequenos macacos são as aves de rapina.

Além disso, as três espécies na Ilha de Santa Catarina estão procriando uma espécie hibrida. “O sagui come a goma das árvores, os insetos e os pequenos frutos. Com uma superpopulação, eles aprenderão a comer os frutos maiores, que hoje são dos macacos-pregos, e podem ameaçar essa espécie também. Para piorar, as três espécies de saguis na nossa região estão procriando outra”, afirma.

Para controlar a superpopulação de saguis, os médicos veterinários do Cetas, João Vitor Roeder e Daniel Angelo Felippi, fazem a vasectomia nos machos. Os animais não são castrados porque haveria uma alteração hormonal. 

Bióloga lamenta a falta do censo

A bióloga Adriana Nunes afirmou que ainda não existe um censo para saber qual a população de saguis na Ilha. Ela acredita que o estudo poderia colaborar a entender melhor a espécie, que cada vez está mais presente em áreas urbanas. “Sem um predador natural na região, que seriam as aves de rapina, não sabemos a população de saguis por falta de pesquisa. Com esses números poderíamos fomentar outras pesquisas sobre as questões de zoonoses e da cadeia alimentar, que ainda não estão muito bem esclarecidas”, argumenta. Todos os animais encontrados de outras regiões ou em situação de vulnerabilidade são encaminhados ao Cetas.

Para controlar a superpopulação de saguis, os médicos veterinários do Cetas, João Vitor Roeder e Daniel Angelo Felippi, fazem a vasectomia nos machos - Daniel Queiroz/ND
Para controlar a superpopulação de saguis, os médicos veterinários do Cetas, João Vitor Roeder e Daniel Angelo Felippi, fazem a vasectomia nos machos – Daniel Queiroz/ND

As espécies de saguis encontrados na Ilha de SC

Sagui-de-tufos-brancos tem ocorrência na Caatinga;

Sagui-de-tufos-pretos habita principalmente as áreas de Cerrado;

Sagui-de-cara-branca é típico da Mata Atlântida.

Fonte: Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres)

Números de animais recolhidos por ano

                                               2011      2012      2013      2014      2015      2016      2017

Sagui –                                  25           41           24           33           29           50           29          

Macaco-prego –               15           8             11           13           16           10           12

Fonte: Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres)

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