Enoturismo de altitude

Acari Amorim

Presidente da Vinho de Altitude Produtores Associados

acari@empreendedor.com.br

Divulgação/ND

O enoturismo, em diferentes partes do mundo como França, Espanha e Itália, é um grande catalisador de negócios, mantendo uma cadeia produtiva que não envolve somente o plantio de uvas e a fabricação de vinhos, mas atividades paralelas como hotelaria, gastronomia, agências de viagem. E, em Santa Catarina, onde a produção de uvas e vinhos de altitude está completando 15 anos, percebe-se claramente como a atividade está criando um novo ciclo econômico virtuoso.  

A região da Vinho de Altitude – Produtores Associados, que vai de São Joaquim (Serra) até Água Doce (Vale do Contestado) possui 35 projetos de vinícolas, sendo que 20 já comercializam rótulos. São 2 mil empregos diretos gerados durante o ano todo, com um total de 600 hectares plantados e produção de 1 milhão de garrafas/ ano, com perspectiva de crescimento anual de pelos menos 20%, e faturamento que alcança R$ 200 milhões.

As perspectivas futuras são as melhores possíveis. Temos vinho de qualidade e uma paisagem única, deslumbrante, formada por montanhas, vistosos pinheiros, a taipa dos antigos tropeiros e o espetáculo da neve em boa parte dos anos. As vinícolas investem em infraestrutura de receber turistas, em cenários de cinema. Em janeiro, foi oficializada a lei que cria Rota dos Vinhos de Santa Catarina e, entre 4 a 27 de março, acontece a 3ª Vindima de Altitude, festa em celebração à colheita, um circuito cultural itinerante e gratuito com mais de 30 apresentações somente de artistas catarinenses nas áreas de música, dança e poesia.

Então, temos tudo para ligar o vinho ao turismo, fazer o enoturismo de altitude acontecer. O potencial é enorme. Não há dúvidas que essa é a região catarinense com maior potencial de crescimento nas próximas décadas. Porém, ainda é preciso muito investimento, público e privado, que terá retorno assegurado com mais empregos, renda e desenvolvimento econômico e social.

Toda a infraestrutura turística na região é ainda muito deficiente. É preciso investir em um aeroporto, no acesso às vinícolas, em rede hoteleira e gastronômica. Temos uma verdadeira mina de ouro esquecida, sem o valor que merece. Pelo Caminho da Neve, temos a oportunidade de ligar Gramado (RS) a Florianópolis: só faltam cerca de 40 quilômetros entre São José dos Ausentes (RS) e São Joaquim, obra que já dura mais de 20 anos. E, no percurso, ver nascer e crescer empreendimentos de vinícolas, hotéis e pousadas, restaurantes e negócios afins. Sem dúvida, pode ser uma das rotas mais belas e rentáveis do Brasil.

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