Ensino a Distância na UFSC está suspenso por falta de repasses de recursos da Capes

A suspensão dos recursos federais para o programa de Ensino a Distância da UFSC afeta pelo menos 2.680 alunos e 269 tutores e professores, em 19 atividades nos cursos de graduação e especialização. Há três meses sem repasses regulares, sem salários e verbas para custear o deslocamento de tutores e professores aos polos, na quarta-feira, a coordenação do núcleo UAB (Universidade Aberta do Brasil) suspendeu todas as atividades a distância.

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Em nota publicada aos alunos do curso de graduação a distância de Administração, a coordenadora Marilda Todescat informa que a “situação está insustentável”. A notícia foi repassada na noite de quarta aos 34 polos espalhados pelo Estado. No próximo dia 13 de novembro ocorre a segunda audiência de conciliação na Justiça Federal, em Florianópolis, onde mais uma vez representantes da UFSC e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que fomenta o programa, buscarão entendimento para a crise.

UFSC - Marco Santiago/ ND
UFSC – Marco Santiago/ ND

O medo dos estudantes, tutores e professores, que vinham trabalhando mesmo sem salários nos últimos três meses, é de que parte do programa, ou até mesmo todo o ensino a distância, seja interrompido definitivamente.

“Recebemos muito mal essas informações de suspensão, pois tínhamos um cronograma do curso todo no inicio”, contou a aluna Juliana Goulart, 36, estudante de letras do polo de Laguna. “Os tutores ficam numa posição incômoda. Deixaram os alunos acabar o semestre sem alarde, mas já sabiam da situação por conta dos salários atrasados”, emendou.

Fabiano Domingos Bernardo, 31, aluno do curso de Administração no polo de Itapema, diz que a interrrupção das aulas atrapalha a vida pessoal e profissional dos alunos: “Se a investigação fosse em um hospital iriam fechar e esperar que as investigações acabassem?”, indagou. Para bernardo, a postura de penalizar os alunos com a interrupção dos cursos não faz sentido: “As investigações no EAD, por parte dos órgãos de controle, não deveriam ser impeditivos no andamento do curso. Todos os alunos têm planos e projetos pessoais, não podemos esperar meses, ou talvez anos, até que esse situação se resolva”, afirmou o estudante.

Capes sob suspeita

A suspensão dos recursos do Ensino a Distância da UFSC foi tomada após a Polícia Federal iniciar apuração no desvio das bolsas de ensino a distância. Pelo menos sete pessoas foram presas no dia 14 de setembro em decorrência das investigações. A reportagem procurou a Capes, que não respondeu às solicitações de entrevista.

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Os relatórios da Corregedoria-Geral da Universidade, que fundamentam o inquérito policial, apontam, inclusive, para conivência da instituição federal diante dos possíveis desvios. Segundo relatório da PF, a Capes “não facilitou o fornecimento de dados necessários ao aprofundamento da investigação, com indícios de que seu presidente e o atual Reitor [na época Luiz Carlos Cancellier] tentaram uma política de contenção de danos”.

O coordenador do programa, Rogério Nunes, foi afastado do cargo, assumindo em seu lugar o professor Gregório Varvakis. “A Capes diz que quer o aval da Justiça para retomar os repasses. Esperamos que a juíza libere os repasses, pois o programa não tem condições de ser tocado sem recursos”, afirmou. Varvakis pediu exoneração do cargo de coordenação do EaD, mas diz que poderá retornar, caso o novo reitor pro tempore, Ubaldo Balthazar, assim entender.

“Durante este período não recebemos retorno aos nossos e-mails. Entretanto, a CAPES liberou os recursos de custeio devidos à UFSC, que foram estornados na sequência, sem notificação prévia à UFSC”, relatou Varvakis.

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