Entre a literatura e o marketing

Escritor. David Gonçalves concilia as letras com a consultoria empresarial

Fabrício Porto/ND

Alternativa. O escritor David Gonçalves é adepto das edições de bolso, mais atraentes e acessíveis ao bolso do consumidor brasileiro

Ainda que seja mais conhecido pela prolífica lide literária, David Gonçalves tem uma rotina profissional que gravita do romance à consultoria de marketing. “Viver da escrita é para poucos no Brasil. Minha principal ocupação hoje é na prestação de serviços de consultoria empresarial, dando cursos e palestras sobre marketing, vendas, gestão e liderança pelo país. Claro que também falo de literatura”, diz David, autor de mais de duas dezenas de livros – mais exatamente 16 romances e dez obras técnicas.
Muitos acham que David Gonçalves é joinvilense, tal sua identificação com a cidade. “Sou paranaense de Jandaia do Sul, nasci em 1952 e fui criado na roça, onde ainda trabalhava quando cursava o segundo ano da faculdade. Comecei a escrever aos 15 anos e terminei o primeiro livro entre os 16 e os 18.” Suas obras pioneiras, o conto “O Pote de Ouro” e o romance “Bagaços de Gente”, não chegaram a ser publicadas. “Eu via na minha obra cópias de autores como Graciliano Ramos, Eça de Queiroz e Jorge Amado.” Na verdade, segundo constatou mais tarde, David era tão somente influenciado pelos grandes autores.
Decidido a seguir carreira nas letras, fez a faculdade em seu Estado, seguida de mestrado em Florianópolis e doutorado no Rio de Janeiro. “Não tenho o título, pois faltou entregar a tese”, esclarece. O primeiro romance publicado por David Gonçalves, em 1972, ainda na faculdade, foi “As Flores que o Chapadão Não Deu”. O livro enfrentou percalços: “A segunda edição foi recolhida pela Polícia Federal, que considerou a obra subversiva”. A terceira edição somente foi impressa 16 anos depois – hoje está na sétima.

“O brasileiro já lê pouco, então não adianta escrever histórias densas. Um livro muito grosso assusta o leitor.”

Joinville, uma escolha
Depois de rodar pelo Rio de Janeiro e pelo Pará, David Gonçalves decidiu lançar âncora em Joinville. “Como eu havia feito o mestrado em Florianópolis, conhecia o Estado e o considerava o melhor lugar para viver. Cheguei em Joinville em 1976, para dirigir a unidade local do Senac.” David ainda deu aulas na Furj (atual Univille), antes de enveredar pela carreira de consultor empresarial e consolidar-se como escritor. As raízes joinvilenses se multiplicaram com dois filhos e uma grande identificação com a cidade, a ponto de muitas vezes ser considerado nativo. “Na verdade, hoje até fico pouco em Joinville, pois corro o país inteiro no trabalho de consultoria.”
Em meio à agitação dos cursos e palestras, sempre reserva um tempo para a literatura. No ano passado, David lançou o romance “A Princesa e o Anjo Negro”, e atualmente trabalha num épico sobre o cerrado e a amazônia. “O enredo envolve o caldeirão que é o Brasil, com suas variedades étnicas, religiosas, econômicas, políticas e culturais”, antecipa.
Joinville foi personagem principal do livro “Pó e Sombra”, um olhar abrangendo desde a baía Babitonga até a questão das drogas e da desestruturação familiar. “O problema é que começaram a associar personagens a personalidades reais, algo que não foi minha intenção”, garante o autor.
Adepto das edições de bolso, mais atraentes e acessíveis ao bolso, David Gonçalves escreve principalmente contos e romances curtos. “O brasileiro já lê pouco, então não adianta escrever histórias densas. Um livro muito grosso assusta o leitor”, justifica. O seu livro mais pesado, “Paixão Cega”, na verdade é uma junção de quatro obras mais curtas. “Procuro fazer uma obra sob uma ótica universal, que não envelheça”, conclui David Gonçalves.

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