Entrevista: Autor de atropelamento que atingiu quatro pessoas alega legítima defesa

Atualizado

O motorista do Audi que atropelou quatro pessoas na avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, na madrugada de quinta-feira (20), procurou a reportagem do Grupo RIC acompanhado do advogado para dar a sua versão do caso. Ele disse que se apresentará à polícia na próxima segunda-feira (24).

Atropelamento foi registrado na madrugada desta quinta-feira – Reprodução/RICTV

O empresário Alan Oks Sueiro, 38 anos, que alega legítima defesa, está sendo investigado por quatro tentativas de homicídio. A linha de investigação foi confirmada pela delegada Aline Hermes Zandonai, da 1ª Delegacia de Polícia da Capital.

Segundo depoimento de uma das testemunhas, a confusão começou quando dois homens assediaram duas amigas. As jovens estavam acompanhadas e os seus parceiros foram tirar satisfação.

Na versão da testemunha, o homem que seria o condutor do veículo teria dito que “voltaria”. Cerca de cinco minutos depois, ele retornou, subiu na calçada e atropelou as quatro pessoas. Câmeras de videomonitoramento flagram o momento do atropelamento.

Jehnny Palacios é uma das vítimas do atropelamento na Beira-Mar Norte – RICTV/Reprodução

No boletim de ocorrências, uma das vítimas informou que todos estavam na mesma festa e, após um desentendimento, o condutor do veículo foi até o carro e esperou o grupo sair da casa para efetuar o ataque. Alan, por sua vez, nega essa versão e afirma que não conhecia as pessoas envolvidas na confusão.

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Em entrevista à RICTV, uma das vítimas, Jehnny Palacios, 26, afirmou que o carro entrou na contramão e fugiu em alta velocidade, sem prestar socorro. “Deu para ver que foi intencional e de propósito”, disse. Horas depois, o veículo foi encontrado no Morro do 25, no Centro de Florianópolis.

Alan, o motorista, afirma que saiu de uma festa num hotel e estava retornando para o carro acompanhado de um amigo quando passou no meio de um grupo de pessoas que estavam na calçada. Com uma marca roxa no olho, ele afirma que foi agredido. O fato ocorreu por volta de 3h30.

O motorista do Audi concedeu a entrevista acompanhado do advogado e do amigo que também teria sido agredido. Alan pediu para não ter a imagem de seu rosto divulgada por medo de represália. Confira a entrevista:

Alan Oks Sueiro, 38 anos, conversou com a reportagem nesta sexta-feira (21) – Anderson Coelho/ND

Como foi o momento da primeira discussão?

Nós estávamos caminhando pela calçada e passamos no meio de uma aglomeração de pessoas. Em momento algum nós dirigimos a palavra a qualquer pessoa. Só que, de repente, do nada, eu levei um soco na cara, por trás, na covardia. Quando virei para trás, perguntei: ‘O que é isso?’. Tomei outro soco e fui parar no chão. Quando eu caí, vi que meu amigo estava sendo agredido por três ou quatro homens. Pedi para pararem (com a agressão). Achei que ia morrer, que estava sendo assaltado. Mesmo levando chutes e rasteira, levantei e fugi. Consegui entrar no carro em pânico e saí de lá. No momento que saí, fiquei muito preocupado com meu amigo.

Em que momento você retirou a placa dianteira e virou a placa traseira do carro?

Eu achei que esses ‘bandidos’ poderiam me identificar. Eu não queria que soubessem quem eu sou. Do jeito que bateram na gente era para matar. Eu tirei a placa do carro. Tirei no primeiro momento que entrei no carro e fugi. Na sequência, lembrei que meu amigo havia ficado para trás. Voltei para socorrê-lo.

Como foi quando você retornou ao local?

Eu dei a volta no quarteirão para tentar achá-lo, não ia deixar ele pra trás. Presumi que essas pessoas que estavam cometendo um crime não estariam mais lá, que teriam dispersado. Até porque foi tão rápido, que eu não consegui identificar quem eles eram.

As imagens mostram o carro subindo na calçada e atropelando as pessoas. Por que você fez isso?

Como a rua é estreita, coloquei as duas rodas em cima da calçada, eu ia descer para procurar meu amigo, para ver se ele estava bem, se estava vivo. No momento que eu vou fazer isso, eu me dou conta que os agressores ainda estavam no mesmo local. Eles me identificaram e começaram a gritar ‘pega ele’. O meu reflexo de pânico, de fuga, foi o de acelerar o carro na calçada e acabei atingindo aquelas pessoas. Eu fugi, eu não sabia se as pessoas estavam armadas.

Você abandonou o veículo após o atropelamento. Por que? 

O carro parou de funcionar, furaram os pneus. Abandonei meu carro e fui para casa. Faço tratamento de ansiedade, tomei meu remédio, tentei falar com meu amigo, não consegui contato com ele, fiquei mais nervoso ainda, foi um pesadelo, pior dia da minha vida.

Vocês beberam naquela noite?

Eu não bebi porque tomo remédio controlado, apenas o meu amigo bebeu.

Por que vocês procuraram um veículo de imprensa para dar esclarecimentos antes de informar a polícia que foram vítimas de agressão?

Primeiro que eu só consegui contato com meu amigo no dia seguinte, eu estava completamente em choque, passei o dia sedado, tentando me recompor. Eu queria saber como lidar (com a situação), para saber qual o procedimento. Nunca passei por isso na minha vida, sou uma pessoa que frequenta todas as casas, nunca me envolvi em episódio de violência.

As vítimas disseram que vocês assediaram as meninas. Como foi isso?

Mentira, não mexemos com ninguém, estávamos indo embora para casa, felizes. Começamos a ser agredidos fisicamente.

Por que você ainda não se apresentou a polícia?

Eu vou me apresentar. Estava constituindo advogado. Fui ao IML, mas estava fechado, não consegui ser atendido (para corpo de delito). Só abre na segunda-feira.

Confira trecho da entrevista gravada para a RICTV: 

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