Fabio Gadotti

Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.


Entrevista Eike Batista: “A corrupção estraga a vida de todo mundo, ninguém aguenta isso”

Palestrante do Empreende Brazil Conference neste sábado (6) em Florianópolis, empresário volta à cena

Eike Batista durante palestra no Empreende Brazil Conference – Fabricio_de_Almeida/ND

Eike Batista foi o último palestrante do Empreende Brazil Conference, que reuniu cerca de 4 mil pessoas neste sábado (6) no Centro de Convenções de Florianópolis. “Estou aproveitando este evento para dizer ‘to aqui de novo’ depois de ficar os últimos cinco anos consertando o passado que o fracasso do petróleo me causou”, afirmou o empresário à coluna um pouco antes de subir ao palco. Abaixo, a íntegra da conversa.

Por quê diz que o Brasil é o melhor país para se empreender, mote de sua palestra em Florianópolis neste sábado?
Sempre digo isso porque temos aquele Brasil que funciona, independentemente de quem está no poder. Exemplos: o país da agricultura que exporta, da mineração que exporta, do papel e celulose que exporta. Se  está exportando é porque o país é competitivo a nível mundial. E com crises o câmbio desvaloriza e você ganha mais ainda. Minha história toda é nesse Brasil que nunca deixou de funcionar. Ouvimos falar bastante do agro, mas podemos falar o mesmo da mineração e do pré-sal. Hoje 60% do petróleo vem do pré-sal e isso ainda vai ser três vezes maior do que é hoje. O Brasil vai chegar em 10 milhões de barris por dia, que é o Brasil off-shore, invisível, que só quem trabalha na área sabe que foi descoberto ‘uma Arábia Saudita’.

Tem muito a ser feito no país. É isso?
Sim. Quantas crises vivemos nos últimos 20 anos, não é? E estamos exportando USS 240 bilhões, o superávit  da balança comercial vai dar US$ 57 bilhões. Mais as nossas reservas, que são quase US$ 400 bilhões. Toda vez que a gente está próximo de um buraco a gente não entra nele porque o Brasil é maior do que o buraco. Porque até os políticos entendem que a máquina vai pifar.

O que é necessário para que a vida do empreendedor fique mais fácil no Brasil?
A reforma da Previdência é um sonho, está passando no Congresso. Estão prometendo fazer a reforma tributária até o final do ano. A trabalhista já foi feita. Se fizerem essas duas reformas, vai ter enxurrada de capital. Não sei onde o dólar vai parar, na minha opinião vai para menos do que R$ 3,50.

Hoje, nesse momento, você vê condições de aprovação rápida dessas reformas?
O Brasil está sofrendo e elas deveriam ter sido feitas antes, mas vivemos numa democracia e tem que ser assim. O processo é esse, mas eu enxergo que agora foi. Não tenho bola de cristal, mas está parecendo que vai acontecer.

E quais seus próximos projetos empresariais?
Nos últimos cinco anos fiquei acertando minhas dívidas e agindo para não deixar minhas empresas quebrarem, para evitar o que aconteceu com as empreiteiras que acabaram demitindo, sei lá, 100 mil funcionários. Eu consegui segurar todo mundo e meus projetos continuaram na mão de outros. Você não pode parar projeto de bilhão. Se isso acontece, ele eventualmente não é retomado. Consegui terminar todos eles buscando novos sócios, que assumiram os compromissos. Eles só fizeram isso porque eram projetos extraordinários e que beneficiam o Brasil como um todo.  Projetos estruturantes: energia, portos, enfim. Estou voltando para a mineração, área que eu sempre tive sucesso, logística (operar portos sempre foi um forte nosso) e nanotecnologia. As próximas indústrias de trilhão de dólares serão de genética, robótica e nanotecnologia.

Qual a diferença entre aquele Eike Batista que foi o sétimo homem mais rico do mundo e o Eike de hoje?
Eu tinha cinco empresas listadas na Bolsa e por causa do meu fracasso no petróleo – onde a produtividade que eu estimava não existiu – houve uma corrida bancária em cima de todas. Você vê que todas elas, inclusive a de petróleo, estão em pé. O que eu acho mais importante porque preservaram mais de 20 mil empregos. E são projetos que servem ao Brasil. Eu já desenhei 10 unicórnios e outros 10, que vão ser executados a partir de agora. Estou aproveitando este evento (Empreende Brazil Conference) para dizer ‘to aqui de novo’ depois de ficar os últimos cinco anos consertando o passado que o fracasso do petróleo me causou. Quem desenha uma vez, desenha de novo.

Qual o saldo da Lava Jato para o país?
Super positivo. Amém! Tenho três filhos – um de 27 anos, um de 23 e um 6 – e essa corrupção estraga a vida de todo mundo. Ninguém aguenta isso, ninguém. Escreve aí, eu nunca tive um contato com o governo. Nem contrato nem prestação de serviços. O réu confesso Sérgio Cabral (ex-governador do Rio de Janeiro que está preso) disse que com o Eike Batista não teve toma-lá-dá-cá. Eu confio na Justiça. E vocês, da mídia, estão conseguindo botar o Brasil nos eixos, pra gente descobrir o que é certo, o que é honesto, o que é transparente. Essa força vocês tem.