“Eram pessoas especiais e estão fazendo muita falta”, diz pai e avô de vítimas no Chile

As primeiras horas do velório dos seis brasileiros mortos no Chile, na manhã desta terça-feira (4), foram marcadas por emoção, apoio e solidariedade entre os presentes. Realizada no ginásio de esportes da Univali, em Biguaçu, a cerimônia foi aberta ao público às 8h30 e reuniu familiares, amigos, autoridades, conhecidos e membros da comunidade que foram prestar as últimas homenagens às vítimas.

Primeiras horas do velório dos seis brasileiros mortos no Chile foram marcadas por emoção, apoio e solidariedade entre os presentes – Anderson Coelho/ND

Para Ademir da Silva Nascimento, pai de Débora e Jonathas, a chegada dos corpos ao Brasil, depois de 13 dias de espera desde a notícia da morte, foi o fim de uma angústia. “Eram pessoas especiais e estão fazendo muita falta. As crianças eram alegres e ótimos netos”, relembra, com emoção.

O velório começou por volta das 6h, com uma cerimônia fechada para a família e amigos. Às 7h30 os caixões já estavam posicionados no ginásio, lado a lado. A Polícia Militar e uma equipe de enfermeiras do Samu também estavam no local.

Algumas pessoas passaram mal e precisaram de atendimento médico. Ao longo de toda a manhã, coroas de flores chegavam para homenagear as vítimas. Próximo aos caixões de Jonathas e Adriane foi posicionado um banner com uma foto do casal.

Alguns familiares e amigos homenagearam os entes queridos utilizando camisetas brancas com seus nomes e fotos. Na parte da frente da camiseta estava um trecho da bíblia do apóstolo Mateus – “Bem aventurados os que choram, pois serão consolados” – atrás, lia-se “Todos somos um só, Krueger, Muniz e Souza”, em referência aos sobrenomes das vítimas.

Amigos e familiares de Jonathas e Adriane também usaram camisetas pretas que estampavam uma foto do casal.

Coroa de flores chegaram durante toda a manhã para homenagear as vítimas – Anderson Coelho/ND

Os corpos dos seis turistas chegaram ao aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, na noite dessa segunda-feira (3), escoltados por dois carros da Polícia Rodoviária Federal.

Fabiano de Souza (41), Débora Muniz Nascimento de Souza (38), os filhos Felipe Nascimento de Souza (13) e Karoliny Nascimento de Souza (14); além de Jonathas Nascimento (30) e Adriane Kruger (27) chegaram em dois voos da Latam, com origem em Guarulhos (SP), por volta das 18h30.

Pescador e servente: o espírito trabalhador de Fabiano

“Esses dias, antes dos corpos chegarem, foram um sufoco, mas agora podemos dar um enterro digno a eles”, disse Alexandre de Souza, irmão mais velho de Fabiano, uma das vítimas. O irmão destacou o espírito trabalhador de Fabiano, que, além de pescador, também fazia serviços de servente.

Luiz Carlos da Silva costumava pescar com o primo e vizinho Fabiano, e relata que sente um vazio quando se depara com a casa da família desocupada. “Eu espero que eles estejam em um bom lugar, porque quando olho para a casa deles é uma tristeza só”.

Ele comenta, ainda, que uma semana antes de embarcar ao Chile, os dois foram pescar e Fabiano comentou que estava prestes a fazer uma viagem.

“Ele estava muito contente, tinha batalhado o ano todo para viajar. A filha não queria uma festa de 15 anos, ela queria uma viagem.” A embarcação de Fabiano foi batizada com o nome do filho, Felipe.

Imagem do casal Jonathas e Adriane foi posicionada próxima aos caixões – Anderson Coelho/ND

O aposentado Ari Orlando da Costa, primo da mãe de Fabiano, lembrou como as vítimas formavam uma família do bem. “Ninguém esperava uma coisa dessas acontecer”, disse, emocionado.

“Era uma família muito do bem, muita trabalhadora, todos estão sentindo muito a perda”, contou uma amiga da família, Maria Paulina Guilherme, moradora de Biguaçu.

Família unida e orgulhosa das conquistas

Jayson Rodrigues, primo de Fabiano e cunhado de Débora e Jonathas, afirma que a família era muito unida e estava orgulhosa de suas conquistas. “Débora tinha chegado aonde queria, que era trabalhar com educação. Fabiano gostava muito de pescar e do trabalho como pedreiro. As crianças estavam estudando e tinham sonhos.”

O primo revela, ainda, que Jonathas estava quase se formando na faculdade de Direito, em São Paulo, e Adriane era recém-formada em engenharia civil e estava trabalhando no projeto da casa do casal em Hortolândia, onde moravam.

Moradora de Antônio Carlos, Nila Cândida Pereira, que veio acompanhada do marido, não conhecia as vítimas, mas ficou tocada com a história e decidiu prestar solidariedade à família. “Biguaçu está de luto, é muita tristeza”, afirmou a aposentada.

Lembranças da escola

Entre os presentes, que começaram a chegar por volta das 9h30, estavam também colegas de Karoliny e Felipe, da Escola Estadual Professor José Brasilício.

Karoliny estudou na escola até 2018 e Felipe ainda a frequentava. A unidade escolar suspendeu as aulas no período da tarde e abonou a falta daqueles que quiseram comparecer ao velório durante a manhã.

Familiares utilizaram camisetas em homenagem às vítimas – Anderson Coelho/ND

Isabele Cristina, de 14 anos, conhecia os filhos de Fabiano e Débora da escola. “O Felipe era uma pessoa fantástica, que animava todos. Eu nunca vi ele triste ou reclamando da vida”, disse. “Eu só estudei um ano com a Karol, mas ela vai fazer muita falta, porque ela era uma amigona”, afirmou.

Segundo Isabele, os estudantes ficaram de luto por dois dias e o clima na escola deixou de ser o mesmo. “Depois que a gente ficou sabendo da morte deles, a escola ficou vazia. Quem conseguiu ir, chorou demais e não conseguiu se concentrar nas aulas”, afirmou.

Gabriel de Oliveira da Silva, de 14 anos, colega de escola de Felipe, relembra que o menino iria se formar no ensino fundamental este ano e costumava ser estudioso. “Toda a vez que a gente se via ele estava muito feliz e alegre. Ainda que a gente não fosse tão próximo, foi muito comovente o que aconteceu”, relata.

Maria Luiza Diogo, de 15 anos, descreve o clima de dor e emoção que pairou sobre a escola desde a morte de Felipe. “Foi tudo muito triste. Os professores não conseguiam dar aula direito porque eles também davam aula para o Felipe. Ele era querido por todos, simpático e brincalhão em sala de aula”, relembra.

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Cerimônias de despedida

Para esta terça-feira ainda estão marcadas celebrações feitas pelo padre da paróquia São João Evangelista, de Biguaçu, por um pastor e pelo coral da Igreja Adventista, da qual o pai de Débora e Jonathas faz parte.

Alunos da Escola Jose Brasilício, onde Karoliny e Felipe estudaram, também iriam comparecer ao velório para prestar as últimas homenagens.

Uma estrutura com palco e microfones foi posicionada ao lado dos caixões para as cerimônias.

O enterro das vítimas está marcado para as 16h, no Cemitério São Miguel, em Biguaçu.

*Com supervisão de Beatriz Carrasco.

Vítimas da tragédia no Chile são veladas em Biguaçu

Os vôos com os corpos das vítimas chegaram em Florianópolis na segunda-feira (3) por volta das 18h30 - Anderson Coelho/ND

Os vôos com os corpos das vítimas chegaram em Florianópolis na segunda-feira (3) por volta das 18h30 - Anderson Coelho/ND

O velório começou por volta das 6h Ginásio de Esportes da Univali, em Biguaçu. Às 8h30 foi aberto para o público - Anderson Coelho/ND

O velório começou por volta das 6h Ginásio de Esportes da Univali, em Biguaçu. Às 8h30 foi aberto para o público - Anderson Coelho/ND

Amigos e familiares vestiram camisetas com fotos das vítimas - Anderson Coelho/ND

Amigos e familiares vestiram camisetas com fotos das vítimas - Anderson Coelho/ND

Uma equipe do Samu estava no local e precisou prestar atendimento a algumas pessoas que passaram mal, tamanha comoção - Anderson Coelho/ND

Uma equipe do Samu estava no local e precisou prestar atendimento a algumas pessoas que passaram mal, tamanha comoção - Anderson Coelho/ND

Muita emoção e comoção na despedida - Anderson Coelho/ND

Muita emoção e comoção na despedida - Anderson Coelho/ND

O enterro das vítimas está marcado para as 16h, no Cemitério São Miguel, em Biguaçu - Anderson Coelho/ND

O enterro das vítimas está marcado para as 16h, no Cemitério São Miguel, em Biguaçu - Anderson Coelho/ND

Vizinhos e membros da comunidade chegaram ao velório por volta das 9h30 - Anderson Coelho/ND

Vizinhos e membros da comunidade chegaram ao velório por volta das 9h30 - Anderson Coelho/ND

A polícia chilena continua investigando a motivação do vazamento de monóxido de carbono - Anderson Coelho/ND

A polícia chilena continua investigando a motivação do vazamento de monóxido de carbono - Anderson Coelho/ND

Amigos e familiares das vítimas fizeram questão de prestar uma última homenagem à família - Anderson Coelho/ND

Amigos e familiares das vítimas fizeram questão de prestar uma última homenagem à família - Anderson Coelho/ND

A partir das 14h, haverá uma celebração feita pelo padre da paróquia local e por um pastor da Igreja Adventista - Anderson Coelho/ND

A partir das 14h, haverá uma celebração feita pelo padre da paróquia local e por um pastor da Igreja Adventista - Anderson Coelho/ND

Parentes e amigos prestam últimas homenagens às vítimas - Anderson Coelho/ND

Parentes e amigos prestam últimas homenagens às vítimas - Anderson Coelho/ND

A escola Professor José Brasilício, onde a menina Karoliny estudava suspendeu as aulas na tarde desta terça-feira - Anderson Coelho/ND

A escola Professor José Brasilício, onde a menina Karoliny estudava suspendeu as aulas na tarde desta terça-feira - Anderson Coelho/ND

Muita emoção e comoção tomou conta do local, já nas primeiras horas da manhã - Anderson Coelho/ND

Muita emoção e comoção tomou conta do local, já nas primeiras horas da manhã - Anderson Coelho/ND

A movimentação começou cedo no ginásio para a despedida da família - Anderson Coelho/ND

A movimentação começou cedo no ginásio para a despedida da família - Anderson Coelho/ND

Ao fundo, um banner com a imagem de Jonathas e Adriane - Anderson Coelho/ND

Ao fundo, um banner com a imagem de Jonathas e Adriane - Anderson Coelho/ND

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