Escalada da violência em Joinville reflete também nos casos contra mulheres

Neste ano, duas mulheres foram assassinadas e uma está entre a vida e a morte no Hospital São José desde que levou 13 facadas do ex-companheiro

Reprodução/rede social

Enfermeira Cláudia Koppe foi assassinada a mando do ex-companheiro

A escalada de violência em Joinville, com recorde de homicídios registrados em 2015 e, até o momento, com 21 mortes violentas em menos de dois meses em 2016, reflete diretamente nos casos contra a mulher. Neste ano, duas mulheres foram assassinadas e uma está entre a vida e a morte no Hospital São José desde que levou 13 facadas do ex-companheiro.

Além da morte da técnica de enfermagem Cláudia Mara Koppe, no dia 15, Kivia Gomes Moraske, 19, também foi assassinada com um tiro na cabeça, desta vez na zona Norte da cidade, no bairro Jardim Paraíso.

Vítima de tentativa de homicídio, Sueli Padilha, 36, foi esfaqueada pelo companheiro na madrugada de 22 de janeiro, na casa em que moravam no bairro Comasa. Caída na rua após sofrer os golpes e aguardando a chegada da ambulância, ela teve o filho de pouco mais de dois anos e um cachorrinho da vizinhança como companheiros. O suspeito foi detido em Cascavel, no Paraná, na sexta passada (12). Moisés Bispo Barros da Silva, 38, confessou o crime e afirmou que a briga foi motivada pelo uso de crack.

O pai dela, Geraldo Padilha, espera que o suspeito pague pelo crime que cometeu. “Agora, ele vai pagar o que semeou. Que a justiça seja feita”, ressaltou. Ela segue internada na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital Municipal São José, em estado gravíssimo.

Denúncias de ameaça lideram o número de boletins de ocorrência na Delegacia de Proteção à Mulher

Em 2015, a DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) registrou 4.879 boletins de ocorrência contra mulheres. Das denúncias, cerca de 70% são de violência doméstica clássica e, dentro desse contexto, os boletins de ameaça lideram.

Fabrício Porto/ND

“Em Joinville, o problema não é a falta de denúncia, o problema é abandonar o processo em juízo”, diz a delegada titular da Delegacia de Proteção à Mulher, Tânia Harada

A delegada titular da Delegacia de Proteção à Mulher, Tânia Harada, que atua em Joinville há cerca de um ano, explica que não observa medo nas mulheres em denunciar a violência. O que Tânia avalia é que existe um alto número de desistências de processo. “Em Joinville, o problema não é a falta de denúncia, o problema é abandonar o processo em juízo. Observo uma falta de firmeza da mulher após o ato de denunciar. A denúncia é feita, tomam-se as providências e em juízo, voltam atrás. Informalmente, este volume de desistência gira em torno de 90%”, destaca.

Para Tânia, os problemas sociais, culturais e de autoestima trabalham como pano de fundo dos crimes cometidos contra a mulher. “Eu noto em Joinville, a não aceitação do companheiro pelo fim do relacionamento e problema de autoestima da mulher como catalisadores de muitos casos de violência”, avalia. Além disso, segundo a delegada, é necessário, com urgência, que haja aumento no efetivo policial, um incremento da rede de atendimento e que sejam criados juizados específicos para o julgamento dos crimes contra a mulher.

Boletins de ocorrência registrados em 2015, na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso

Total: 4879 boletins de ocorrência
828 casos de lesão corporal
1472 casos de ameaça
157 estupros
6 homicídios incluindo as tentativas

Casos emblemáticos

Os crimes de maior repercussão dos últimos anos com vítimas mulheres

Aline Daniely Dorn

Em 30 de outubro de 2014, Aline Daniely Dorn, 26, foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro Felipe Santos de Araújo, 28, em frente do filho de um aninho. Ele invadiu a casa dela no bairro Profipo e a surpreendeu com um namorado. Araújo foi condenado a 57 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado, por homicídio qualificado com golpes de faca, e também por tentativa de homicídio qualificado contra o então namorado dela, Maicon Rafael de Carvalho.

Mara Tayana Ribeiro Decker: A jovem de 19 anos saiu de casa no dia 30 de maio de 2014 para ir Via Gastronômica, no Centro de Joinville. Desapareceu naquela noite e foi encontrada esquartejada no dia 3 de junho, em uma casa no bairro Guanabara. Leandro Emílio da Silva Soares se entregou no dia 5 de junho e disse que estrangulou a vítima com uma gravata e a esquartejou na tentativa de ocultar o crime. Julgado em 26 de novembro daquele ano, ele foi condenado a 56 anos de prisão, por estupro, cárcere privado e ocultação de cadáver.

Maria Regina de Oliveira: A mulher, de 40 anos, foi assassinada no dia 11 de agosto de 2010, quando chegava para trabalhar, na avenida Getúlio Vargas. Levou um tiro no abdômen e outro na região do maxilar. O principal suspeito, o ex-companheiro Marcelino José Santana foi julgado no dia 21 de novembro de 2013 e condenado a 18 anos de prisão. Marcelino já havia sido condenado pelo assassinato de outra companheira, em 1983.

Maria de Fátima Cecílio: Na madrugada de 28 de janeiro de 2015, o ex-companheiro dela, Lauri Amado de Souza Nery, 49, que ainda tinha as chaves da casa, entrou, esquentou óleo e foi até o quarto e a surpreendeu jogando ácido e óleo fervente no rosto. Ela teve 40% do corpo atingido, principalmente o rosto, o abdômen e a coxa. O julgamento de Lauri foi no dia 1 de outubro de 2015. Ele foi sentenciado a 22 anos, três meses e 20 dias de prisão pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, ameaça e lesão corporal.

Vitória Schier: A adolescente de 16 anos desapareceu no dia 23 de setembro de 2013. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte em um matagal próximo à casa em que morava. O corpo apresentava sinais de violência e estava de bruços e sem roupa. No dia 27 de novembro, Carlos Alberto de Andrade foi preso em Paranaguá (PR) e confessou o crime. O julgamento ocorreu no dia 25 de março de 2014 e Carlos Alberto foi condenado a 42 anos de prisão por estupro e latrocínio.

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