Esgoto corre da rua para o mar em bairro de Florianópolis

Daniel Queiroz/ND

Rosélia não suporta cheiro do esgoto jogado na rua de cima e que passa ao lado da casa dela

O mau cheiro e o barulho de água escorrendo pelo muro de pedra assustaram Rosélia Martins dos Santos, 46 anos, que mora desde a infância em uma casa ao lado de um córrego na rua Jorge Lacerda, na Costeira do Pirajubaé. Era véspera do feriado de Corpus Christi (dia 22) e mais de 22h quando ela e os familiares foram ver o que estava acontecendo na rua de cima, a João Câncio Jaques. Avistaram um caminhão da Desentupidora Florianópolis jogando esgoto no córrego, que serve para escoar a água da chuva para o mar.

“Foi a segunda vez que vimos isso acontecendo. A primeira foi no dia 12 de abril, quando o motorista nos disse que estava seguindo ordens da Casan (Companhia de Saneamento da Capital). Pedimos ajuda ao vereador Erádio Gonçalves e ele nos encaminhou resposta dizendo que a companhia iria rever o contrato com a desentupidora. Isso não aconteceu, por que despejaram novamente”, conta. A moradora afirma que o cheiro é insuportável. Segundo ela, a Casan exigiu que todas as casas estivessem ligadas à rede de esgoto.

“Nós ligamos, mas eles mesmo assim jogam no córrego”, destaca. Com o esgoto indo para o mar, Rosélia lamenta a poluição do meio ambiente e diz que nem sempre as coisas foram assim no bairro. “Isso começou há pouco tempo. Mas achamos que deve acontecer muito mais do que a gente consegue ver”, comenta.

Segundo o superintendente da região metropolitana da Casan, Carlos Alberto Coutinho, a desentupidora não está despejando esgoto, mas fazendo a desobstrução da rede. “Essa rede não está concluída, mas algumas estão ligadas. Isso faz com que o esgoto esteja indo sem tratamento para o mar e, muitas vezes, extravasa para a rua. A empresa joga um jato de água para desobstruir e o esgoto acaba vazando para o córrego. Quem joga são as pessoas”, explica.

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