Espaço que reúne arte, inovação e natureza, Corporate Park celebra dez anos de história

Atualizado

Felipe Didoné conta que o empreendimento foi criado para oferecer espaços amplos em um parque corporativo, dentro de um conceito inovador – Anderson Coelho/ND

Para muitas pessoas, a relação com o lugar passa pela tela do cinema. Afinal, filmes do circuito alternativo de mais de 30 países já estiveram em exibição desde a abertura do Paradigma Cine Arte. Outros veem o morro de Mata Atlântida, o bouganville e as espreguiçadeiras ao sol como o que encanta.

Para boa parte, é o ambiente onde fervilham ideias, soluções e negócios o que mais empolga. Afinal, é de tecnologia e inovação a grande maioria das 60 empresas que atualmente ocupam espaços do Centro Empresarial Corporate Park, que comemora dez anos. Estruturado em uma das margens da SC-401, em Santo Antônio de Lisboa e junto a bairros como João Paulo, Cacupé e Jurerê, ajudou a constituir um novo eixo do setor na Ilha.

O administrador Felipe Didoné, diretor da Rá Incorporações, construtora e responsável pela gestão do Corporate, conta que a concepção do negócio foi oferecer espaços amplos ao setor de TI em um parque corporativo, dentro de um conceito inovador. Essa história, no entanto, começou muito antes.

Há quase 30 anos a família dos construtores saiu de Porto Alegre para viver e trabalhar na Ilha, onde buscava mais qualidade de vida. Até então, o pai, o engenheiro Antônio Didoné, tinha uma casa na Lagoa da Conceição, onde vinham passar os verões e finais de semana. Uma vez em Florianópolis, Felipe, o filho mais velho, e o irmão Frederico, engenheiro, cursaram faculdade, casaram-se e criaram raízes. Atualmente, Frederico cuida da parte operacional do empreendimento – um detalhe é que são dele as pinturas abstratas em telas que dão vida às paredes de um dos blocos do Corporate.

A família investiu em empreendimentos em Florianópolis. Na época em que planejaram o parque, não havia mais grandes áreas para abrigar tantas empresas e pessoas – pelo menos 800 colaboradores das empresas do Corporate convivem diariamente e há potencial de esse número chegar a mil – em um projeto focado também em sustentabilidade.

Seguiram, então, a tendência de descentralização nas cidades. A inspiração veio de outras bem-sucedidas experiências. “Vimos vários modelos, na Califórnia há muitos”, diz Felipe, referindo-se ao uso de espaços verdes e construções mais horizontais.

Os oito prédios de dois andares que compõem a estrutura de 24 mil metros quadrados, assentada em pedra, foram construídos aos poucos. – Anderson Coelho/ND

Uma aposta na inovação

O empresário Felipe Didoné conta que a ideia era construir aos poucos os oito prédios de dois andares que compõem a estrutura de 24 mil metros quadrados, assentada em pedra. A área havia sido arrematada em leilão, disputada com outras três empresas, mas não era uma grande procura, por causa da localização. Em apenas seis meses, as salas de locação que têm diferentes configurações acabaram todas ocupadas. No parque, muitas empresas se tornaram grandes no mercado da tecnologia.

Passarelas dão acesso a quatro das edificações e ligam um prédio a outro. No subsolo estão cerca de 400 vagas de estacionamento – há mais 150 descobertas – e dutos de cabeamento de redes de fibra ótica. No ambiente há decks, poltronas e áreas para descontrair, restaurante, duas cafeterias, estúdio de pilates, dois lagos, um centro de eventos com auditório e espaço para as empresas fazerem treinamentos, parada de ônibus em frente e segurança.

Uma casa de chope artesanal e música abriu as portas há alguns dias e é uma das novidades do empreendimento que busca oferecer essa estrutura para que as pessoas possam ter acesso a lazer no mesmo local onde trabalham.
Uma das organizações que acompanharam a trajetória do lugar é a Paradigma, que dá apoio ao cinema e ocupa o parque desde o começo dele. “Quem rompeu a barreira geográfica na região foi o Corporate”, diz o fundador,Gérson Schmitt. “O setor (de TI) mudou de eixo”, afirma ele, que, no começo, chegou a enfrentar rotatividade de pessoal até vencerem a distância. Atualmente, a SC-401 é o caminho que leva a vários empreendimentos de tecnologia, setor que representa 5,6% da economia de Santa Catarina e só cresce.

Outra das maiores empresas de TI no parque, a Dot Digital Group, de educação, tem 170 colaboradores em uma área onde a descontração – com mesas de jogos – chama atenção. O CFO, Guilherme Ferla Jr, lembra que a escolha do local para instalação levou em conta não só dimensões do espaço físico, o que também era fundamental. “A questão ambiental, com reciclagem do lixo e aproveitamento da água, tudo contou pontos”, assegura.

Ações de preservação do ambiente estão na rotina do empreendimento, onde se usa água de poço artesiano, além da que é fornecida pela Casan – Anderson Coelho/ND

Preservação do meio ambiente

Em uma cidade cercada de praias que atraem visitantes de longe e sempre novos moradores, o parque respira preservação. E não só por ser vizinho de extensa área verde. Felipe Didoné lembra que ações de preservação do ambiente estão na rotina do empreendimento, onde se usa água de poço artesiano, além da que é fornecida pela Casan.

Ele cita que o tratamento de todos os efluentes ocorre no próprio local, que a captação da água da chuva é destinada aos dois lagos, e a água tratada irriga os jardins.

Outro detalhe é a instalação de painéis de energia solar em 100% do parque, em andamento, com 25% do projeto pronto em dois blocos do parque. “A ideia é que o bloco 8 (do cinema, auditório e administração) seja todo autossuficiente”, afirma.

A intenção é não só garantir abastecimento como também carregar de energia a rede. Quase toda a iluminação é de LED, e o modelo de construção explora o uso da luz natural e mantém o calor do lado de fora. E quanto ao lixo? Felipe informa que por enquanto há separação de materiais para reciclagem, e uma empresa é contratada para gerir a destinação plena do que não é atendido pelo serviço público. Tudo isso faz parte também dos planos à obtenção de uma certificação internacional, a Leadership in Energy and Environmental Design, concedida por uma organização não governamental e que é bastante conhecida no Brasil. Ela certifica construções sustentáveis em diferentes categorias. O pedido já foi formalizado e seria um reconhecimento ao projeto e ao trabalho no parque.

Gérson Schmitt, fundador da Paradigma, que acompanha o Corporate desde o início, diz que o parque rompeu a barreira geográfica na região – Anderson Coelho/ND

Cinema e projetos culturais

O cinema do parque, que já exibiu pelo menos 1.500 filmes a um público que aprecia a sétima arte, é conhecido por trazer festivais como o Varilux, do cinema francês, o Ciclo de Cinema e Psicanálise e outros projetos, como o novíssimo Festival Paradigma de Cinema Brasileiro. A primeira edição está prevista para os dias 8 a 15 de agosto, durante o Floripa Conecta, que levará programações a diferentes locais da cidade, principalmente nas áreas de tecnologia e de criatividade.

A relação do empreendimento com a cidade não passa só pelo cinema quando o assunto é cultura. Felipe Didoné lembra que expressões disso são apoios concedidos a iniciativas como a pintura do poeta Cruz e Sousa junto ao palácio e museu histórico, no Centro. E até dezembro, manezinhos e visitantes podem apreciar passeios do projeto Museus Virtuais, em sessões gratuitas no Paradigma. A próxima, no dia 20 deste mês, será no Museu de Louvre.

Guilherme Ferla Jr, CFO do DOT Digital Group, lembra que a escolha do local para instalação levou em conta não só dimensões do espaço físico, o que também era fundamental – Anderson Coelho/ND

Inspira!