Produtos desenvolvidos em São José ganham o mundo

Fernando Mendes/ND

Instalada no distrito industrial, a More fatura cerca de R$ 10 milhões ao ano enviando equipamentos rodoviários para outros Estados

O município de São José está entre as dez cidades mais ricas de Santa Catarina, respondendo em 2009 pelo sétimo maior PIB (Produto Interno Bruto) do Estado (R$ 4,2 bilhões), segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Grande parte desse desempenho se deve às 1.325 indústrias situadas no município, e que geram diretamente 9.349 empregos com carteira assinada, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. No entanto, o que muitos josefenses não sabem é que grande parte do que é produzido na cidade ultrapassa as fronteiras do Estado e até mesmo do país.

Indústrias nos setores de equipamentos eletrônicos de telefonia e segurança, além de embalagens plásticas e produtos alimentícios ganham cada vez mais espaço no mercado brasileiro e latino-americano. A localização estratégica e o fato de ser cortada pela BR-101, além de estar ao lado da Capital e a 85 quilômetros dos portos de Itajaí e Imbituba, contribuíram para que São José fosse a pioneira na Grande Florianópolis a se desenvolver industrialmente. O município tem um distrito industrial, localizado na Fazenda Santo Antônio, e dois centros empresariais, um no bairro Forquilhas e outro no Sertão do Imaruim.

Mesmo assim, a maioria das indústrias está instalada no bairro Barreiros, antigo distrito industrial. Essas empresas se dedicam a diversos segmentos, entre eles metalurgia, alimentos, tecnologia, mecânica, automação, embalagens e equipamentos de sinalização rodoviária.
A maior empregadora em São José é a indústria de transformação, seguida pela construção civil, que responderam por R$ 190,3  milhões no orçamento municipal de 2011. A Intelbras, especializada em equipamentos eletrônicos de telefonia e segurança, tem sede no distrito industrial. É a maior geradora de empregos, cerca de 1.900, e a que mais contribui com a arrecadação, de R$ 9 milhões anuais.

Marcelo Bittencourt/ND

Sessa Marine. Equipamentos eletrônicos italianos são instalados na estrutura em fibra produzida em São José

Município tem diversidade nos negócios

São José tinha 209.804 habitantes em 2010, segundo o censo do IBGE, e uma renda per capita de R$ 20.786 em 2009, a sétima maior de Santa Catarina. Mas o bom desempenho econômico do município não se dá somente por conta das indústrias, mas também pela grande quantidade de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço, que juntos somam pelo menos 25.982 empresas registradas na cidade.

Uma conquista importante para a Prefeitura de São José foi o quarto lugar como cidade que mais contratou em 2011. Foram registradas 52.843 admissões no ano passado, o que resulta hoje em 78.191 empregos formais com carteira assinada em São José. “Atribuo o bom desempenho às diversas atividades exercidas em São José. Não ficamos reféns de um único setor. Além disso, os serviços se completam e contribuem com a arrecadação do município”, destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Michel da Silva Schlemper.

Daniel Queiroz/ND

C Pack. Empresa do ramo de embalagens assume a qualificação profissional dos empregados

Embalagens conquistam mercado latino-americano

Instalada em 63 mil m² do Sertão do Imaruim, a C-Pack Creative Packaking S/A é líder no mercado latino-americano na produção de embalagens plásticas no formato de bisnaga, os chamados tubos. Atende grandes marcas de cosméticos, como Johnson & Johnson, Natura, O Boticário, Água de Cheiro e L´Oreal.

Em dez anos de operação, a C-Pack ampliou de 45 para 400 postos de trabalho. Com seis linhas de produção, tem capacidade produtiva de até 220 milhões de tubos por ano. “Observamos um crescimento de 10% a 15% ao ano, tanto na demanda de mercado, quanto em faturamento”, observa o vice-presidente, José Maurício Coelho, 45 anos.

A C-Pack faturou R$ 80 milhões em 2011 e quer ultrapassar os R$ 100 milhões este ano. O setor de controle de qualidade é uma das prioridades e a empresa é responsável pela qualificação da sua própria mão de obra. “Antes exigíamos o ensino médio completo para contratar. Hoje, devido à falta de mão de obra, aceitamos até com o ensino fundamental incompleto”, observa.

Embarcações brasileiras com design italiano

Qualidade e estilo são os principais focos do estaleiro italiano Sessa Marine, que no ano passado se aliou à josefense Intech. A sociedade oportunizou a produção brasileira de lanchas esporte e recreio, no entanto, com design e tecnologia italiana. Com sede provisória no distrito industrial Fazenda Santo Antônio, o estaleiro produz até quatro embarcações por mês. O carro-chefe é o modelo C40, com preço de venda aproximado de R$ 1,2 milhão.

As peças em fibra, como casco e convés, são produzidas em São José. Elas passam por quatro etapas até chegar à montagem. Os equipamentos eletrônicos, como radar e sonar, além de bombas elétricas e hidráulicas são de fabricação italiana. “Estamos com a nossa produção comprometida até julho. As lanchas são vendidas principalmente para o Rio de Janeiro e São Paulo”, destaca o supervisor Eduardo Justi de Farias, 28 anos. A Sessa Marine detém atualmente 70 postos de trabalho.

Para que a fábrica possa funcionar com mais linhas de produção, uma nova sede está sendo construída no bairro Pedra Branca, em Palhoça. “Temos um planejamento pelos próximos cinco anos, em que cada um deles trabalharemos com uma nova linha de produção”, destaca o empresário José Antônio Galizio Neto, 55.

Empresa familiar envia produtos rodoviários para todo o Brasil

Pórticos, tachas, tachões, placas de trânsito de advertências e indicativas são alguns dos materiais produzidos pela More Sinalização. Há oito anos localizada no Centro Empresarial Forquilhas, a fábrica é especializada em equipamentos de sinalização viária, além de pinturas de rodovias, ciclovias e heliponto.

Cerca de 80 funcionários produzem mensalmente pelo menos 35 mil tachas e tachões, as populares tartarugas, e cerca de 3.000 placas de trânsito. O material é enviado para diversos Estados brasileiros, principalmente Acre, Rio de Janeiro, Mato Grosso e São Paulo. A empresa foi a responsável pela sinalização recente das rodovias SC-401 e SC-405, em Florianópolis.

“Meu filho Thiago cuida da parte administrativa e das licitações. A Manoela, filha mais nova, é engenheira e cuida dos processos de fabricação”, diz o proprietário da More, Jorge Omar Borsa, 58 anos. A empresa tem sua própria frota de caminhões, para apoio e pintura. “Nossos produtos são feitos de acordo com o Código Brasileiro de Trânsito e as normas da ABNT.” A previsão de faturamento da indústria para 2012 é de R$ 10 milhões.

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