Espécies ameaçadas podem ter sido atingidas por incêndio que danificou mais de 90 hectares de área

Fogo no Parque Estadual Serra do Tabuleiro é controlado, em Palhoça, após 48 horas

Janine Turco/ND

Nesta sexta-feira, equipes da Polícia Militar Ambiental poderão dimensionar a área exata atingida pelo incêndio no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, na região Sul de Palhoça. O fogo, que começou por volta das 23h de terça-feira (4), foi combatido por agentes do Corpo de Bombeiros, Exército, Polícia Ambiental e Defesa Civil, e foi controlado totalmente às 16h40m de ontem, com ajuda da chuva. A estimativa é que de mais de 90 hectares tenham sido destruídos, o equivalente a cem campos de futebol.

Somente após a dissipação total do incêndio é que os biólogos poderão saber quantos e quais animais foram mortos na tentativa de fugir das chamas. O coordenador do PEST (Parque Estadual Serra do Tabuleiro), Alair de Souza, lembra que o espaço queimado era habitado por roedores como capivaras, cotias e pacas. “Tínhamos gato-do-mato e muitas cobras ali”, aponta.

Quanto à flora atingida, Souza diz que o local não possui árvores de médio ou grande porte. “A concentração maior era de araçás, pitangueiras e butiazeiros. Além da restinga”, detalhou, sobre as plantas que serviam de alimentos para os pássaros que habitam a região. “O prejuízo para as aves será menor porque a época de reprodução delas é o mês de setembro. Eles migrarão para outros locais do parque.”, observou. O coordenador lembra que uma pequena população de antas vive na região atingida. E que, as maiores vítimas de incêndios como este são as cobras devido à dificuldade de locomoção. 

Serpente ameaçada de extinção vivia no Parque

A doutora em Ecologia Milena Wachlevski estudou a área atingida, antes do incêndio. Ela lembra que algumas bromélias destruídas pelo fogo eram primordiais para a sobrevivência de alguma pererecas e serpentes.  “Ali encontramos uma serpente ameaçada em extinção. A uromacerina-ricardini”, lamentou. A professora defende que estudos aprofundados sejam realizados no local para que a recuperação da biodiversidade seja acompanhada de perto.  “Muitos objetos de pesquisas foram perdidos. Sei que diversas serpentes morreram”, observou a especialista em anfíbios e repteis.

Queimadas diminuíram desde 2009

Sobre as suspeitas de incêndio criminoso, que serão apuradas pela Polícia Militar Ambiental, o coordenador do Pest Alair de Souza afirma que pelo menos quatro focos foram identificados em pontos distintos. Ele ressalta ainda que ações como estas eram mais comuns até o ano de 2009, quando incêndios anuais eram registrados no entorno do parque. “Algumas vezes eram pecuaristas, em busca de pasto. Noutras, pessoas autuadas pela Polícia Ambiental”, relatou, ao ressaltar também que a comunidade vizinha vive um conflito devido à preservação.  Souza diz que em média 10 casas estão dentro dos limites do Parque. “O processo para retirada das famílias que moram ali corre na Justiça”, conta, lamentando a morosidade.

Janine Turco/ND

Cláudia Amaral de Mello juntou-se aos vizinhos para combater as chamas que chegaram a três metros de sua casa

Moradores se unem para combater chamas

Os estalos assustavam as famílias que moradoras a rua Evádio Paulo Broering, na SC-434, na Praia do Sonho. A dona de casa Cláudia Amaral de Mello, 51, se uniu aos vizinhos que emendaram mangueiras para combater as chamas. Com o queixo tremendo devido ao nervosismo Cláudia tentava conter o fogo que chegou a três metros de sua moradia. “Eu qieria autorização dos órgãos ambientais para fazer uma vala”, disse sobre a medida que para ela evitaria a queima de sua casa. “Desde que o fogo começou eu não durmo direito. Eu tenho muito medo de morar aqui, mas não tenho para onde ir”, disse a moradora, afirmando ainda que seu terreno está legalizado.  

Moradora denuncia invasões

Envolvida no combate ao fogo, a autônoma Débora Floriano, 29, lembra que há mais de 15 anos incêndios criminosos são registrados no entorno e interior do parque. “Daqui a seis meses terão dezenas de casebres nos locais atingidos pelas chamas”, antecipa sobre a prática de algumas pessoas de favelizar o local. Débora mora há 20 anos na Baixada do Maciambu. “Por que o fogo não foi colocado próximo à área de banhados?”, questiona.  

O major Daniel Fernandes, do Corpo de Bombeiros de Palhoça, trabalhou das 9h30 às 16h no combate às chamas. Auxiliado por equipes dos Bombeiros de Florianópolis, além de 23 soldados do Exército que chegaram logo após a vinda dos helicópteros Águia 2 da Polícia Militar e Arcanjo dos Bombeiros.

BOX

Parque da Serra do Tabuleiro

Onde fica – Às margens da BR-101 em Palhoça, entrando ao lado do posto de gasolina Maciambu, entra a praia do Sonho e da Pinheira

Estrutura – Área de 84,13 mil hectares, os limites do parque abrangem oito cidades.

Visitação – O ano todo com entrada gratuita

Horário 1 – Durante a temporada de verão, até o dia 13 de fevereiro, o parque está aberto para visitação de quarta a domingo, das 13h às 19h.

Horário 2 – A partir do dia 16 de fevereiro muda para quarta a sexta-feira, das 9h às 16h.

Reservas – Grupos podem fazer reservas de visitas pelo telefone (48) 3286-2624

Mais informações  – www.parquedotabuleiro.blogspot.com

Limites do parque – Municípios

Florianópolis

Palhoça

Paulo Lopes

Imaruí

São Martinho

São Bonifácio

Águas Mornas

Santo Amaro da Imperatriz.

Ecossistemas

Restinga

Araucária

Floresta pluvial atlântica

Matinha nebular

Campos de altitude

Mangues

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