Estado afasta 40 servidores do Hospital Regional após contato com infectado

Atualizado

A Secretaria do Estado da Saúde confirmou o afastamento de 40 profissionais do Hospital Regional de São José. A medida tem um prazo de 24h de isolamento e acontece de maneira preventiva a partir de um suposto contágio dos funcionários, sobretudo, com o idoso de 86 anos que foi a primeira vítima do coronavírus a morrer em Santa Catarina.

Hospital Regional de São José – Foto: Divulgação/ND

O afastamento, conforme repassado pela assessoria da pasta, é pelo prazo de um dia ou até o momento de conclusão do resultado do exame para o novo vírus.

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No dia 23 de março, o idoso de 86 anos deu entrada no Hospital Regional com um quadro clínico de desconforto respiratório. Por apresentar sintoma característico da Covid-19, Harry Klueger foi submetido ao teste já no dia seguinte. Segundo a Secretaria de Saúde, teve o resultado positivo. As amostras foram colhidas pelo Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública).

Apesar do período de isolamento respiratório o idoso morreu pouco mais de 24h depois. A morte foi oficializada no início da madrugada da quinta-feira (26), em comunicado do governador Carlos Moisés, em seu perfil no Twitter.

Desinformação e falta de equipamentos

A reportagem entrou em contato com alguns funcionários da unidade que revelaram, de maneira unânime, desconhecimento da causa. Não só da maneira como agir diante da pandemia, mas até mesmo no que diz respeito ao uso dos EPIs (Equipamento de Proteção Individual).

“Nos primeiros dias [da chegada do vírus e a condição de pandemia] estávamos totalmente desorientados. Algumas falas não se encontravam. Além das informações desencontradas, faltavam EPIs”, explicou uma funcionária que pediu para não ser identificada e trabalha no Hospital Regional há mais de cinco anos.

“Algumas unidades, por serem fechadas, acabam recebendo uma atenção maior com a UTI, centro cirúrgico e emergência. O problema é que as demais unidades ficam expostas com esse desencontro de informação”, completou a funcionária.

A profissional revelou ainda que o sentimento é de muito medo. Além da exposição em que os servidores são colocados, diariamente, o cenário pandêmico acentuou o receio.

Ela revelou que a condição de contaminação, do então paciente, não foi informada lá dentro e parte dos funcionários só tiveram ciência dois dias depois que o homem de 86 anos tinha morrido.

Testemunha de como funciona o sistema, a funcionária ainda alerta que não existe estrutura em caso de verticalização da curva de contágio.

“Nós conhecemos a realidade do SUS. Estamos aflitos pois sabemos que, em condições normais, o sistema já não consegue dar conta de casos graves, imagina nesse momento?”, destacou.

Contraponto

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa e enviou um questionamento durante a coletiva de imprensa, transmitida ao vivo, mas não obteve resposta.

Após o término é que a equipe de comunicação encaminhou uma resposta confirmando o isolamento e “de forma preventiva, decidiu pelo afastamento temporário dos mesmos até que as amostrar que foram coletadas pudessem ser processadas pelo Lacen”.

A única menção feita na entrevista coletiva foi do secretário Helton Zeferino que assegurou que, até o momento, não há registro de servidores da saúde infectados.

“Nós temos alguns profissionais de saúde que estão sendo investigados para a Covid-19 e até agora não temos confirmação. Estão todos sendo testados”, resumiu o responsável pela pasta, ainda em meio a coletiva.

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