Estado e prefeitura ainda não sabem como a Hercílio Luz será usada depois da restauração

A um ano do prazo previsto para a conclusão das obras de recuperação, está indefinido o plano de mobilidade da Ponte Hercílio Luz. Ainda não se sabe como a estrutura será utilizada e falta um cronograma da obras viárias do entorno que deverão ser executadas pela Prefeitura de Florianópolis. 

Obras na ponte Hercílio Luz - Marco Santiago/ND
Obras na ponte Hercílio Luz – Marco Santiago/ND

“Estamos finalizando os anteprojetos. Agora vamos apresentar para a população e fazer os detalhes executivos e orçamentos, para então uma quarta fase que seria o processo das obras”, afirma Michel Mittmann, diretor metropolitano do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano e Florianópolis).

No projeto que o Ipuf pretende apresentar no mês que vem a ideia é a priorização de pedestres e ciclistas.

“Estamos prontos para apresentar o plano que é muito mais do que um plano de mobilidade. A ideia é conectar a ponte com as pessoas, começando com pedestres e gradativamente inserir o transporte coletivo incluindo cada vez mais serviços”, diz Mittmannl.

A liberação para o transporte coletivo deve passar por diversas fases, priorizando as linhas já existentes na capital para depois criar novos trajetos até liberar gradativamente o trânsito de ônibus dos municípios vizinhos.

“Não sabemos quanto tempo cada fase irá durar, por exemplo, somente depois de concluída a reaproximação das pessoas com a ponte, através de pedestres e ciclistas será liberado o uso pelo ônibus. A inserção de cada etapa será avaliada a partir do desempenho da anterior ”, diz Mittmann.

O plano de mobilidade é apoiado pela Suderf (Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis) com uma ressalva.

“Achamos que o transporte intermunicipal não deve ficar por último. Todos os catarinenses pagam impostos e devem se beneficiar da ponte e não há porque priorizar Florianópolis, já que 57% das travessias são feitas por moradores de fora da Capital”, diz Célio Sztoltz, diretor técnico da superintendência.

O coordenador do Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Werner Kraus, aprova o modelo criado pela prefeitura, mas pondera sobre a necessidade de investimentos para as pessoas escolherem o ônibus como meio de transporte no dia a dia. “É preciso que o poder público ofereça infraestrutura para os coletivos se deslocarem com mais agilidade” afirma o professor..

Projeto sem unanimidade

O apoio ao projeto não é unânime. Antes de ser lançado, o plano já foi discutido entre o poder público, técnicos e representantes de entidades. O vice-presidente de infraestrutura da Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina), André Gaidzinski, diz que concentrar o trânsito de automóveis exclusivamente nas pontes Pedro Ivo e Colombo Salles não é bom para a mobilidade. “A Capital atende demandas de todo o Estado e temos a necessidade urgente de desafogar o trânsito”, acredita.

A travessia de automóveis não está descartada, mas são analisadas medidas para aumentar a taxa de ocupação dos carros que, hoje, é de 1,29 pessoas/veículo. Com essa lotação, bastariam 270 carros para congestionar a ponte. Essas mesmas pessoas poderiam se dividir em oito ônibus.

Werner Kraus aposta numa mudança de comportamento. “É aquela velha frase: pense globalmente, aja localmente. Precisamos retomar um pouco esse valor universal nessa época de crise ambiental. Precisamos ir ao encontro de uma cidade sustentável, inteligente. Quem acha que o carro é o caminho está desinformado.”

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