Estiagem persiste e agrava crise do abastecimento de água na Grande Florianópolis

Atualizado

A pouca quantidade de chuva registrada na Região Metropolitana de Florianópolis nos últimos 50 dias e o tempo seco das últimas semanas está levando a uma diminuição drástica no abastecimento de água para a população da Grande Florianópolis.

Fornecimento de água em sistema de rodízio é alternativa encontrada no Caminho da Cruz, no bairro Monte Verde – Anderson Coelho/ND

No entanto, segundo a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), o problema estaria afetando cerca de 10% dessa população, atingindo especialmente quem vive em áreas mais altas e locais mais distantes do ponto inicial de distribuição, as chamadas pontas de rede. Na Ilha de Santa Catarina, por exemplo, os bairros Pantanal e Córrego Grande podem ter intermitência nos próximos dias, por ser a parte final da distribuição da
água que vem do Continente.

Com isso, a orientação da empresa é para economizar o máximo possível, principalmente quem ainda não sentiu o efeito da estiagem nas torneiras, o que pode acontecer em breve com a falta de previsão de chuvas.

A diminuição do abastecimento é grave e levou o prefeito Gean Loureiro a assinar um decreto na tarde desta quinta-feira (8) proibindo a utilização de água tratada canalizada para atividades como lavagem de carros, calçadas, passeios públicos e pátios de imóveis públicos municipais. O decreto terá vigência enquanto durar a estiagem que gera baixa pressão e intermitências no abastecimento da cidade.

“Queremos conscientizar toda a população para racionar o uso da água principalmente nesse período de estiagem e temos que dar o exemplo na Prefeitura também”, afirmou. O decreto excetua casos em que seja necessário
utilizar a água para ações de saúde ou segurança pública.

Uso racional e armazenamento

Na casa do motorista aposentado Rubeci Cisne Coelho, morador do bairro Itacorubi há 34 anos, a saída para evitar o desabastecimento foi investir em caixas d’água. Ele mantém uma de 3 mil litros no quintal e duas de 500 litros na moradia.

Rubeci Cisne Coelho se previne contra a falta de água na Ilha de Santa Catarina – Anderson Coelho/ND

“Abro o registro de manhã e deixo encher todas elas, depois fecho. Ainda tem água na rede, mas lá pelo meio-dia já falta água então é melhor guardar. Mas ainda tem gente gastando lavando carros. Se todo mundo cooperar, não vai faltar”, diz.

A precaução deve ser prioridade, independente de quem realiza o fornecimento de água. Na comunidade Caminho da Cruz, no bairro Monte Verde, a Aprocruz (Associação PróComunidade do Caminho da Cruz) já emitiu comunicado
aos cerca de 700 moradores abastecidos pela nascente local para que façam uso consciente da água. “O filete de água na nascente está diminuindo, então estamos fazendo um rodízio, interrompendo o fluxo em alguns locais em diferentes períodos do dia”, explica a funcionária Lila Grisa.

A associação tem capacidade para armazenar 120 mil litros de água e trabalha para ampliar esse abastecimento, mas não há espaço para desperdício. “Ainda não está faltando água para ninguém, mas a situação é crítica”, avisa.

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Em sua própria casa no bairro Monte Verde, entretanto, já há interrupção no fornecimento. Sem água na rede nos últimos dois dias, Lila adiou a lavagem de roupas e calçadas. “Minha sorte é ter várias caixas que me permitem armazenar até 4 mil litros de água, mas depois desses dois dias estou ficando preocupada”, diz.

No Norte da Ilha e na região do Itacorubi, muitos apelam para os caminhões-pipa para evitar o incômodo de ficar sem água. De acordo com Izati da Silva Reis, gerente da empresa Rocha Forte Água Potável, de São José, o número de pedidos quase triplicou nos últimos dias, especialmente para atender o Norte da Ilha. Ele afirma que os bairros São Sebastião, em Palhoça, e vários pontos da região continental de Florianópolis também apresentam problemas de falta de água.

Chuvas só em setembro

Segundo a Epagri/Ciram, é imprescindível que as pessoas entendam a necessidade de racionar o uso da água. Mesmo com o calor, quando aumenta o consumo, o cuidado deve ser redobrado porque não há previsão de chuvas
significativas até setembro na Grande Florianópolis.

De acordo com a meteorologista Marilene de Lima, deve chover muito pouco – entre 3 e 10 milímetros – no próximo sábado (10), mas a precipitação se concentra entre o Oeste e o Litoral Sul do Estado, com leve queda nas temperaturas.

Dicas de uso responsável da água

– Tome banhos mais breves
– Feche a torneira ao escovar os dentes e ao fazer a barba
– Não lave a louça nem roupa com água corrente e abra a torneira apenas para enxaguar
– Só ligue a máquina de lavar louça ou a de lavar roupa com capacidade total
– Em calçadas e áreas pavimentadas, primeiro varra a sujeira, depois lave com a utilização de um balde.
Use balde e pano para lavar o carro e evite lavá-lo em épocas de estiagem
– Reaproveite a água usada na lavação de roupas para outros fins, como lavar calçada
– Regule a válvula de descarga: esse cuidado pode reduzir o consumo pela metade.

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