Estudante brasileira é morta a tiros na Nicarágua na noite desta segunda

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) – A estudante brasileira de medicina Raynéia Gabrielle Lima foi morta a tiros na noite desta segunda-feira (23) em Manágua, capital da Nicarágua.

O assassinato, divulgado pela imprensa local, foi confirmado pela Embaixada do Brasil no país. Estudante da Universidade Americana (UAM), Lima teria sido metralhada. 

O país da América Central vive desde abril uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Daniel Ortega. O governo respondeu com violência aos manifestantes e ao menos 360 pessoas já foram mortas, a maior parte civis.

O governo nega ter ligação com os grupos paramilitares que são acusados de serem os responsáveis pela maioria das mortes,  apesar deles usarem bandeiras do partido do presidente, a Frente Sandinista de Libertação Nacional.

Ortega já afirmou que não pretende renunciar e que quer permanecer no cargo.

Conforme a imprensa local, Raynéia Gabrielle Lima teria sido metralhada - Reprodução Facebook/ND
Conforme a imprensa local, Raynéia Gabrielle Lima teria sido metralhada – Reprodução Facebook/ND

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Estudante brasileira é morta a tiros na Nicarágua

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MANAUS, AM (FOLHAPRESS) – A estudante de medicina Raynéia Gabrielle Lima, 31, foi morta a tiros na noite desta segunda-feira (23) em Manágua, capital da Nicarágua, em meio à convulsão social que tomou o país governado por Daniel Ortega.

O assassinato, divulgado pela imprensa local, foi confirmado pela Embaixada do Brasil no país. Estudante da Universidade Americana (UAM), Lima teria sido metralhada.

Em seu perfil nas redes sociais ela se descreve: “Nascida no Brasil, renascida na Nicarágua. Liberdade, luz, paz e amor.”

Raynéia era pernambucana de Vitória de Santo Antão e completaria 32 anos em agosto.

Seu pai, o motorista Ridevando Lima, disse que ela se mudou há seis anos para a Nicarágua junto com o marido, cuja família, brasileira, já havia morado no país.

“Ela estava terminando a residência”, disse Lima à reportagem, por telefone. “Estava pronta para vir pro Brasil.”

O pai a descreveu como uma pessoa caseira e estudiosa. “Ela não entrava nisso de manifestação, era muito tranquila.”

“Ela não protestava, mas esteve nos hospitais apoiando os feridos [nos protestos] como médica, assim como muitos de seus companheiros da universidade”, disse uma amiga, também universitária, que pediu o anonimato para evitar represálias.

“Era uma menina muito alegre, sempre sorridente e disposta a ajudar.

O país da América Central vive desde abril uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Ortega.

Desde o início dos protestos, em abril, Manágua vive um toque de recolher informal após as 19h, em meio a vários relatos de pessoas assassinadas ou sequestradas por policiais e paramilitares do regime de Ortega.

As lojas dos shoppings, antes abertas até as 20h, agora fecham às 17h. São poucos os restaurantes que se arriscam a abrir durante a noite, e muitos já fecharam as portas.

O governo respondeu com violência aos manifestantes e ao menos 360 pessoas já foram mortas, a maior parte civis.

Ortega nega ter ligação com os grupos paramilitares que são acusados de serem os responsáveis pela maioria das mortes, apesar deles usarem bandeiras do partido do presidente, a Frente Sandinista de Libertação Nacional. Ele afirma que não pretende renunciar e que quer permanecer no cargo.

Segundo a Coordinadora Democrática, que reúne estudantes universitários que participam dos protestos, Raynéia voltava para casa quando seu carro foi metralhado perto do Colégio Americano, por paramilitares que tomaram o campus da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua.

Na semana passada, uma equipe de jornalistas estrangeiros entrou no campus, mas teve de sair após paramilitares dispararem para o alto. As universidades do país estão sem aulas desde abril, quando começaram os protestos.

A Unan era um dos principais focos das manifestações contra Ortega. No último dia 13, policiais e paramilitares iniciaram uma ofensiva contra as trincheiras montadas pelos estudantes —dois deles morreram com tiros na cabeça.

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