Estudantes transformam lixo em arte e são destaque na 9ª Feira do Livro de Joinville

Projeto Ateliê de Arte Papel Reciclado, realizado pelos alunos da Escola Municipal Eladir Skibinski, é um estímulo à reciclagem de papel

Carlos Junior

Estudantes se surpreenderam com a praticidade da reciclagem de papel

Mais que água, liquidificador e tela de serigrafia, para transformar lixo em arte é preciso também criatividade, curiosidade e consciência ecológica. E isso os alunos da Escola Municipal Eladir Skibinski, do Parque Joinville, no bairro Aventureiro, estão demonstrando que têm de sobra, por meio dos trabalhos no Ateliê de Arte Papel Reciclado. A iniciativa é um projeto piloto no município, criado no fim de março, e oferece oficina de fabricação de papel reciclado, além de noções de coleta seletiva de lixo e de educação ambiental, para 65 alunos da unidade.
Apesar de recente, o projeto tem rendido bons resultados, tanto que o grupo é um dos destaques escolares entre as atrações da 9a Feira do Livro, onde os alunos conseguiram um espaço para divulgar a ideia. Durante a programação do evento, os estudantes têm demonstrado como é o processo de reciclagem do papel e sugerido as diversas opções de reaproveitamento do material. Alunos de outras escolas são os principais visitantes do ateliê. “Achei bastante interessante. Não conhecia como era feito o papel reciclado”, contou Antony Matheus, 11, da Escola Hans Müller.
Pelas mãos dos integrantes da oficina, o papel que antes era jogado no lixo agora ganha expressão de arte e utilidade. Depois do corta e recorta, separa e mistura, molha e seca, a pasta de papel pode virar flores, cartões, marcadores de páginas, objetos de decoração, caderninhos, blocos, cartazes e tudo o mais que vier à imaginação, como o próprio crachá usado por Leonardo Vera Wolff, 16. Ele é um dos “operários” na fábrica artesanal de papel e não se intimida em colocar a mão na massa. “Temos a consciência de que estamos ajudando a não poluir os rios. O papel está sendo reaproveitado, não está indo para o lixo nem para o aterro sanitário”, disse.
As companheiras de ateliê, Chaiane Cristina de Souza, 12, e Eduarda da Silva, 14, se inscreveram na oficina por curiosidade e confessam que estão aprendendo diversas coisas novas, como separar o lixo doméstico e confeccionar materiais a partir do papel reciclado. “Estamos fazendo flores, cartões e marca-páginas. Meus pais também estão achando interessante”, comentou Chaiane.

Inserção social

Mais que um projeto educativo, a oficina de arte surgiu como uma proposta de inclusão social, considerando que a escola está localizada numa área onde muitas famílias trabalham como coletoras de materiais recicláveis. “Os estudantes se sentem parte de um contexto”, destaca a auxiliar de direção da escola, Nazaré Costa. De acordo com ela, a ideia é ampliar ainda mais a consciência socioambiental na comunidade, fazendo com que os alunos levem o aprendizado para casa. “É um processo simples de se fazer em casa e que pode se transformar até numa opção de geração de renda”, avaliou.
Atualmente, todo o lixo de papel gerado pela escola é reaproveitado nos trabalhos do ateliê. O próximo passo é criar um sistema de captação da água da chuva, evitando o uso de água potável no processo de reutilização do papel. Devido ao sucesso da iniciativa, a ideia deve ser levada para outras escolas da rede municipal, integrando as atividades do programa Saber e Acontecer. “Sabíamos que os alunos iriam gostar, mas não imaginávamos que iriam gostar tanto. Os alunos estão adorando”, comentou Nazaré sobre o sucesso do projeto.

Mudança de hábito

As aulas do ateliê ocorrem no contraturno escolar. São quatro horas de atividades em quatro dias da semana. A professora Valquíria Inês Artner Pereira está integralmente dedicada ao projeto e tem comemorado os bons resultados da primeira turma. “Está melhor do que imaginava. Já conseguimos fazer muita coisa”. Ela cita que um dos primeiros reflexos das atividades tem sido a conscientização dos alunos sobre o lixo nas salas de aula. “Está havendo uma consciência de não mais amassar o papel e jogar na lixeira, mas de direcionar para ser reutilizado”, relatou.
Segundo a professora, a proposta prevê levar os alunos para conhecer os galpões de reciclagem, mostrar o processo de coleta seletiva e como funciona o aterro sanitário. “Existe uma preocupação muito grande com relação ao espaço destinado para o lixo nas cidades, por isso a importância de criar, além de uma conscientização ecológica, também uma consciência social. Cada um precisa fazer a sua parte e a nossa estamos fazendo”, completou.

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