“Eu dou a minha vida para solucionar o caso”, diz mãe de jovem vítima de estupro

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Luciane Ferrer, mãe da influenciadora digital Mariana Ferrer, 22 anos, que denunciou em suas redes sociais ter sido vítima de estupro no beach club Cafe de La Musique, no Norte da Ilha, falou com exclusividade à RICTV. Ela contou detalhes de como foi o primeiro contato da filha com ela na noite do crime, em 15 de dezembro, e como foi que a jovem chegou em casa.

A mãe também explica os meandros da decisão para expor o caso pelas redes sociais. A demora no inquérito e os rumos da investigação – que ainda não foi concluída cinco meses após o fato – motivaram a iniciativa. Luciane denuncia negligência e hostilidade da polícia durante a coleta de depoimentos e afirma ter provas suficientes que embasem a versão da filha.

Em entrevista coletiva no início da semana, a Polícia Civil justificou que a demora do inquérito se deu por conta do exame toxicológico que demorou a sair e negou que tenha sido negligente. A Justiça concedeu mais 90 dias para que o inquérito seja concluído. A casa também se manifestou sobre o caso e afirmou por meio de nota que tem colaborado com a investigação, inclusive com as imagens de monitoramento.

Confira a entrevista com a mãe da vítima:

A senhora fez contato com ela na noite do fato?

Luciane Ferrer: Eu sou uma mãe muito presente na vida da minha filha. Naquele dia, eu comecei a estranhar quando ela sumiu no WhatsApp, porque estávamos conversando (ao longo do dia). Quando era perto de 23h, mais ou menos, ela pediu desesperada para eu pagar o Uber pra ela. Percebi que ela não estava normal, pois nuca a vi assim. Ela só conseguiu chamá-lo porque no aplicativo consta o nosso endereço como “casa” gravado. Se tivesse que digitar ela provavelmente não conseguiria.

A senhora disse que a ajudou a pedir o Uber. Como foi?

Ela chegou na noite do mesmo dia (15 de dezembro). Ela veio falando (no Uber) desesperadamente. Desabou a chorar, pedia socorro, falava que não tinha amigos e para nunca mais deixá-la ir num lugar como esses. O próprio motorista prestou depoimento relatando que ela estava desorientada e possivelmente estava (sob o efeito) de algum entorpecente.

A Mariana fez uma publicação no Instagram questionando o resultado do laudo toxicológico que deu negativo para entorpecentes e bebida alcoólica. 

Ela tomou apenas um Gin e é o que consta na comanda dela. Se ela bebeu tanto como algumas pessoas alegaram, cadê toda essa bebida? Onde estão as imagens das câmeras de monitoramento da casa? Por que cederam apenas as imagens da escada e não das áreas comuns? Ela estava dopada, ela perdeu a memória. A minha filha nunca usou droga na vida, nunca fumou um cigarro. Ficou a noite toda com o mesmo Gin na mão. Uma amiga a puxou para o bangalô para fazer foto, onde estão as fotos e a gravação (desse local)?

Como foi quando ela chegou em casa?

Eu fui tirar a roupa dela e a coloquei debaixo do chuveiro. Foi quando percebi a roupa ensanguentada e com mau cheiro. Tirei o body e aí que eu vi. Até então não tinha visto, quando peguei a roupa me assustei, não sei como não desmaiei. Mas eu precisava dar força a ela. Foi a pior cena da minha vida. Somos humildes, mas criei ela com princípios.

O que vocês questionam na investigação?

Nós pedimos que fosse quebrado o sigilo telefônico das pessoas envolvidas, em um minuto descobririam tudo. As pessoas (que estavam) ao redor da minha filha (naquela noite) sumiram. Por que sumiram? (A menina) chamou ela para o bangalô (um dos ambientes da festa) para fazer foto e essa foto não existe. Depois a abandonaram nas mãos de homens mais velhos para fazer mal a ela.

Nas postagens da Mariana ela também reclama sobre o atendimento na delegacia. 

Por que o promotor não formalizou minha visita reclamando do desempenho da delegada que nos tratou igual cachorro atrás das câmeras (durante depoimento gravado)? Ela conduziu para o lado que ela queria, não me deixava falar, não me deu nenhum comprovante e não sei se acabou cortando o que falei no final quando pedi para não desligar a câmera.

Como está a Mariana diante de tudo isso?

Ela não está bem psicologicamente, tomou muito remédio com efeitos colaterais (para evitar doenças sexualmente transmissíveis), ela tem medo de tudo e está em pânico.

Como foi a decisão de tornar tudo isso público?

Eu avisava para todos eles que se não resolvessem da forma correta, se não levassem em consideração as provas, não mostrassem as câmeras das áreas comuns da casa (procuraria a mídia). Inclusive, mandamos áudios que a própria contratante das meninas enviou (Mariana era embaixadora da casa). Ela fala que tem câmeras por todo lado, que forneceriam todas as câmeras, mas é mentira. Está tão fácil, por que a policia não quer ver? Eles mexeram com a filha da pessoa errada, eu dou a minha vida (para solucionar o caso). Não adianta eles fazerem alguma coisa comigo, as provas já estão nas mas de outras pessoas. Quem convivia com ela sabe que ela fazia um ótimo trabalho e era muito profissional, aí vem um monstro desse e rouba o sonho dela.

O que vocês esperam que ocorra a partir de agora?

Queremos transparência, cadê a pessoa que se entregou? Em dezembro já havia informação sobre o suspeito e que ele faria o exame de DNA. Por que não fez?Precisou da comoção do povo pra ele vir prestar depoimento? Quando a gente fala a verdade não tem que se calar. Decidimos falar quando descobrimos que a vítima pode falar quando está se sentindo prejudicada.

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