“Eu sentia que ele tinha morrido”, diz haitiana que sobreviveu a acidente em Araquari

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23 de dezembro de 2019. Uma data que ficará para sempre na memória de Francesca Sajos, de 24 anos. Aquela era para ser uma manhã comum na rotina da haitiana e do marido, Alfred, de 34 anos. Mas em apenas um instante, uma tragédia mudou completamente a vida da família.

Haitiana falou com exclusividade a NDTV sobre o caso – Foto: NDTV/Reprodução

O casal estava no acostamento da SC-A280A em Araquari, no Norte do Estado, a caminho do trabalho, quando foram atropelados por um carro que invadiu o local e os atingiu. Na hora, o motorista fugiu e não prestou socorro às vítimas.

“Eu estava a caminho do ponto de ônibus e meu marido estava comigo, porque ele sempre ia me levar. Estávamos andando mão a mão quando de repente veio o carro. Eu não lembro, nem cheguei a ver. Só acordei e vi a ambulância perto de mim enquanto a outra tava um pouco longe”, relembra.

Alfred foi arrastado por 50 metros, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Já Chica, como é conhecida, foi encaminhada em estado grave ao hospital. Na época, ela estava grávida de seis meses.

Alfred não resistiu aos ferimentos e morreu no local do acidente – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

“Eles não queriam que eu soubesse, mas eu sentia”, conta

Chica teve uma fratura na bacia e precisou realizar uma cirurgia no coração. Além disso, ela acabou perdendo a bebê, que se chamaria Laura. Ela seria a segunda filha do casal, que já tinha uma menina de 6 anos.

Assim que Chica acordou, os médicos não queriam que ela soubesse sobre a morte do marido. Mas, ela afirma, que mesmo sem ninguém dizer nada, ela sentia que ele havia morrido.

“Eles não queriam que eu soubesse que ele morreu, mas eu já sentia sabe? Porque eu pensei, deve ser fratura muito grande e eu fiquei muitos dias, não dá para ver ele. A gente tinha uma vida boa, estávamos casados há oito anos e ele era um bom marido para mim. Às vezes eu choro e não tenho mais nem lágrima para correr. Não sei o que vai ser da minha vida daqui pra frente, porque sem ele vai ser muito difícil”, conta.

Motorista segue em liberdade

O motorista que atropelou o casal se apresentou à polícia um dia após o acidente. De acordo com o delegado Thiago Escudero, por orientação do advogado, ele permaneceu calado durante o depoimento e foi liberado. Já o carro do suspeito, foi apreendido para perícia.

“Em razão de não haver flagrante e o autor ter se apresentado, somente ao final da investigação é que será avaliada se será preso ou responderá ao processo em liberdade”, explica.

Escudero ainda afirma que não decidiu se o caso será tratado como homicídio com ou sem a intenção de matar, e que isso só será definido ao término das investigações.

Já Chica, permanece no hospital onde se recupera dos ferimentos. Segundo ela, agora, tudo que ela espera é justiça.

“Eu espero que a justiça seja feita. Mas eu espero que alguém corra atrás disso, já que foram duas vidas perdidas e vai ser difícil eu seguir a vida só com a minha filha”, conta.

*Com colaboração do repórter Juan Todescatt, da NDTV

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