Ex-esposa teria pago mais de R$ 1 milhão para ter marido de volta, em Chapecó

Atualizado

Quatro pessoas são suspeitas de planejar a morte da empresária Maria Aparecida Moraes, de 48 anos, em junho deste ano, em Chapecó. A tentativa de homicídio ocorreu no centro do município. A vítima foi atingida por três tiros e sobreviveu.

Entrevista coletiva ocorreu na sede da 12ªDRP – Willian Ricardo/ND

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (26), o delegado Vagner Papini detalhou a investigação feita pela DIC (Divisão de Investigação Criminal). 

Papini disse que o paraguaio Derlis Ramon Gimenez Lesmo, de 38 anos, foi contratado para matar a empresária pelo valor de R$ 35 mil. O homem foi preso em flagrante cerca de 20 minutos após o crime.

Ainda de acordo com o delegado, uma mulher de 63 anos teria sido a mandante do crime.

Antes disso, a idosa – que é ex-companheira do atual marido de Maria Aparecida – contratou serviços de simpatia de uma cartomante e investiu R$ 20 mil nos trabalhos para separar o casal. 

“No entanto, o resultado desses trabalhos não teriam sido efetivos, por isso, a idosa foi até a cartomante e disse: ué, não está dando resultado”, lembrou Papini. 

Como alternativa, a cartomante exigiu R$ 340 mil para matar Maria Aparecida. “Foi encomendado, ali, um crime de homicídio”, detalhou o delegado. O valor foi pago em dezembro de 2018. A negociação durou seis meses.

Arma usada no crime – Willian Ricardo/ND

Esquema do crime 

A cartomante contou com auxílio do marido, Fabiano Aristides, de 37 anos, para o crime. O homem teria ido até Cidade Del Este, no Paraguai, para contratar Derlis Lesmo, como matador de aluguel. 

“Na ocasião o paraguaio recebeu R$ 15 mil à vista. Com esse dinheiro, ele deveria comprar a arma, uma motocicleta e vir até o Brasil para praticar o crime. Depois, receberia mais R$ 20 mil”, disse o delegado.

Lesmo entrou no Brasil pelo Uruguai, passou por São Borja (RS) e aguardou Fabiano em Frederico Westphalen (RS).

“Fabiano foi até a cidade com uma caminhonete L200 Triton e trouxe o suspeito para Chapecó”, pontuou o delegado. O paraguaio chegou ao País numa sexta-feira, 27 de maio.

Câmera flagrou momento de Fabiano e Derlis deixam o RS – Willian Ricardo/ND

Durante uma semana, Fabiano orientou Derlis sobre o crime. “A contração era para que o paraguaio simulasse o roubo do carro, carteira ou bolsa da vítima, para que as autoridades entendessem que se tratava se um latrocínio [roubo seguido de morte]”, disse Papini. 

Por meio de imagens captadas por câmeras de vigilância, o delegado descobriu que a dupla esteve na casa da vítima em diversos momentos para cometer o crime. 

“No dia 3 de julho, Derlis esperou Maria nas proximidades da casa e viu quando ela embarcou no próprio carro e se deslocou para o centro, onde efetuou os disparos”, completou o delegado. 

Ameaças 

Depois da tentativa de homicídio, de acordo com a investigação, a cartomante procurou a cliente para fazer ameaças.

“Olha, o serviço não deu certo e preciso de R$ 800 mil para fugir, se não vai acontecer contigo e sua família o mesmo que ocorreu com a vítima”, detalhou o delegado sobre o depoimento.

Com medo, a idosa assinou 16 folhas de cheque no valor de R$ 50 mil e entregou a cartomante. 

No decorrer da investigação, 15 cheques foram cancelados – apenas um foi compensado. Ao todo, entre os pagamentos, houve a movimentação de aproximadamente R$1.140.000,00 (um milhão cento e quarenta mil reais). 

Indiciados 

A cartomante, o marido, a mandante e o paraguaio foram indiciados por homicídio qualificado tentado, por motivo torpe, pelo pagamento de recompensas e também pela traição, pois os tiros foram efetuados pelas costas da vítima, o que não possibilitou a defesa.

Fabiano Aristides, de 37 anos – Polícia Civil/Divulgação/ND

A cartomante foi presa na tarde dessa quarta-feira (25) e está no Presídio Feminino de Chapecó. Derlis está preso no Complexo Prisional. Fabiano está foragido. Já a mandante, que se relacionou por quatro anos com o ex-marido, permanece em liberdade. 

O crime

Crime ocorreu na tarde do dia 3 de junho – Arquivo/ClicRDC

Maria Aparecida foi baleada por volta das 13h30 do dia 3 de junho. Ela estacionou a caminhonete que conduzia na rua Marechal Deodoro da Fonseca para ir ao banco. Já na calçada, a mulher foi abordada pelo paraguaio. Ele puxou a bolsa dela e atirou três vezes.

Após o crime, o suspeito fugiu em uma motocicleta. Ele foi preso pela Guarda Municipal, com a motocicleta e uma arma, no bairro Seminário. Já a vítima foi socorrida e levada ao Hospital Regional do Oeste (HRO). 

Uma câmera de segurança gravou a ação. As imagens mostraram que o indivíduo chegou ao local em uma motocicleta e estacionou atrás da caminhonete da vítima. Assista: 

A vítima ficou com sequelas, mas o estado de saúde é estável. Um dos tiros acertou o crânio da mulher e o projétil permaneceu alojado. 

Polícia