Exames de jovem que denuncia estupro em beach club só foram analisados três meses depois

Atualizado

O IGP (Instituto Geral de Perícias) informou nesta quarta-feira (22) que os exames de laboratório feitos pela blogueira Mariana Ferrer só foram analisados em março, três meses após o estupro que a jovem de 22 anos relata ter sofrido no Café de La Musique, em Florianópolis.

Os exames foram feitos no dia que em que ela fez o boletim de ocorrência, mas o atraso aconteceu porque, de outubro de 2018 até março deste ano, o IGP ficou sem os insumos reagentes necessários para as análises.

Cafe de La Music diz que está apoiando as investigações desde dezembro de 2018 – Reprodução/ Instagram

Entre os exames, está o toxicológico, importante para a investigação, uma vez que a jovem afirma ter sido dopada antes dos abusos, numa área restrita do clube em Jurerê Internacional.

Segundo a assessoria do IGP, a compra não é feita pelo órgão. São produtos importados e caros que precisam passar por licitação. Em função disso, o processo precisa passar por várias etapas, o que torna mais moroso, pondera o instituto.

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O IGP também explicou que os produtos possuem prazo de validade que impede a compra em grandes quantidades. “Esses fatores, em conjunto com o fechamento do orçamento de 2018 e a entrada da nova gestão, contribuíram para a demora na compra dos insumos”, ponderou o órgão.

Esse conjunto de fatores, que causou o atraso do laudo pericial do exame toxicológico, é a justificativa da Polícia Civil para a demora em concluir o inquérito, aberto em 16 de dezembro do ano passado.

Mesmo assim, os delegados não deixaram claro se os laudos, tanto o exame de corpo de delito quanto o toxicológico, são conclusivos.

Mariana postou foto das roupas manchadas de sangue, ao lado de uma guia de solicitação de exame – Reprodução/ Instagram

Suspeito ainda não foi ouvido

Os advogados do único suspeito do crime já fizeram contato com a polícia, mas o homem ainda não foi ouvido. Sequer há uma data marcada para ouvi-lo.

A investigação não sabe se ele virá pessoalmente prestar o depoimento ou se será ouvido por meio de carta precatória na cidade onde mora. Os delegados não descartam a participação de outras pessoas no crime.

Embora já tenha ouvido testemunhas, esteja sob a posse dos laudos periciais e imagens das câmeras de monitoramento da casa, a delegada responsável pelo inquérito afirma que as provas não são satisfatórias para indiciar o suspeito.

Mariana Ferrer afirma que Polícia Civil está protegendo criminoso – Instagram/Reprodução

“Eu queria poder dar respostas imediatas, mas, no momento, não temos provas robustas contra quem quer que seja. Existem elementos de informação e circunstancias, fatos a serem apurados e pessoas que serão ouvidas. Garanto que terá uma conclusão”, completou a delegada responsável pelo inquérito, Caroline Pedreira, que atua na DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso).

A blogueira Mariana Ferrer revelou na segunda-feira (20) em uma rede social que foi dopada e estuprada no mês de dezembro em um beach club de Florianópolis. A influenciadora digital, com mais de 180 mil seguidores, também denuncia que a Polícia Civil está protegendo o criminoso e o local do crime por se tratarem de pessoas com poder.

Blogueira Mariana Ferrer – Reprodução/ Instagram

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