Fábrica de aromas

Aromaterapia. Ivaldo Mund extrai artesanalmente o óleo essencial das plantas e revela o cheiro e o poder curativo das espécies da região

Foto Rogério Souza JR/ND

As poções. No seu “laboratório”, Ivaldo estudo e testa e separa as essências e produtos vegetais

Quase às margens do rio Motucas, uma casa enxaimel erguida em meio a muito verde exala uma mistura de cheiros que pega de surpresa o visitante desavisado. Dentro dela, Ivaldo Mund brinca de alquimista e extrai pacientemente, de forma artesanal, o óleo essencial das plantas da região, revelando os aromas e concentrando as propriedades curativas de cada uma delas. “É uma fábrica de aromas”, diverte-se.
Engenheiro mecânico de formação, Ivaldo despertou para a aromaterapia há cerca de 25 anos quando a mulher teve um problema de saúde que a medicina tradicional não resolveu. Em busca de uma solução, ele foi estudar outras possibilidades de cura e se deparou com um mundo novo, cheio de possibilidades. Quando se aposentou, não teve dúvidas. Mudou-se para o sítio na área rural de Joinville e começou a se dedicar à atividade. “Dizem que quem trabalha com isso vicia e não quer mais parar. E é verdade,” comenta , lembrando que a produção é em pequena escala e que a parte comercial nunca foi muito desenvolvida, embora as pessoas que trabalhem com aromaterapia já tenham descoberto o caminho de seu sítio. “É vendido em ‘ml’. É mais um hobby que uma indústria,” analisa.
Hoje ele usa a técnica da destilação para extrair óleo de 20 a 30 espécies diferentes da região, entre elas alfavacas, pínus, eucaliptus, citronela entre outras. Mas ressalta que qualquer planta aromática tem óleos que podem ser extraídos. A preocupação em fazer um óleo puro, sem nenhum resquício de produto químico, é grande. Por isso todos os insumos usados no sítio são produzidos no próprio local, usando conceitos como os de permacultura e agro-floresta no manejo da propriedade e sem produção extensiva. “Aqui não usamos veneno de jeito nenhum. Evito trazer insumos e matéria-prima de fora porque não sei como é produzido”, explica, enquanto as gotinhas de pachouli minam lentamente do decantador e perfumam o ambiente.
Integrante do FitoJoinvile, ele também cultiva ervas medicinais e mel. E faz parte do Viva Ciranda, um projeto de turismo pedagógico que aproxima estudantes das propriedades rurais e contribui para despertar a preocupação com o meio ambiente.

“Dizem que quem trabalha com isso vicia e não quer mais parar. E é verdade.”

“Me defino como um leitor”
Assim como existe o “rato de livraria”, aquele ser ávido por informação que vasculha as prateleiras em busca de bons títulos, existe uma categoria igualmente singular, que vasculha as lojas de livros usados, de preferência aquelas antigas, com cheiro de pó e papel velho, que nos transportam na mesma hora para um mundo a parte. “Sou um ‘rato de sebo’. Me defino como um leitor”, explica ele que,  autodidata, foi buscar nos livros a base para o conhecimento teórico e prático que usa em seu laboratório.
Ao conhecimento, somou-se a experiência e a observação. Tentar, observar, errar, observar de novo, tentar mais uma vez – aprender com os erros, repetir os acertos, buscar novas formas… Ações muitas vezes repetidas por Ivaldo na busca pela melhor forma de extrair o óleo das plantas, um processo que começa ainda no campo, na hora da colheita (a época e a hora influem, sim, no resultado final), passa pela limpeza metódica, pela trituração e pelo processo de decantação que dará origem ao óleo tão desejado.

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